UC5   Introdução ao Agronegócio
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UC5 Introdução ao Agronegócio


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\u2013 maio de 2011
Curso Técnico em Agronegócio
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Nota-se que, no período entre 1997 e 2011, houve um crescimento constante do mercado de 
fertilizantes, mas esse mesmo mercado apresentou estagnação nos anos de 2003 e 2004, e 
em 2008 e 2009. No entanto, ao considerar o período entre 1997 e 2011, o crescimento médio 
anual foi de 4,6%.
Os períodos de estagnação são justificados pelos problemas de estiagens prolongadas, 
principalmente na região Sul, e o excesso de umidade no Centro-Oeste, e também pela 
estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural, além da diminuição da renda do 
comprador e das crises mundiais, como a que ocorreu em 2008. 
No ano de 2008, outros fatos também contribuíram para a estagnação do mercado, como os 
aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxeram 
consequências para o Brasil) e dos custos de fretes marítimos (que alteraram a relação entre 
demanda e oferta de matérias-primas utilizadas). 
O aumento do petróleo influenciou diretamente o aumento das matérias-primas derivadas 
do nitrogênio, um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes. O 
aumento nos custos dos fretes marítimos implicou aumento de preço das matérias-primas 
importadas.
O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado da 
seguinte forma:
Consumo de fertilizantes por cultura em 2010 (%)
Soja
25%
Milho
15%
Cana-de-açucar
15%
Café
6%
Algodão
5%
Outras
23%
Fonte: Gestão de Informação de Marketing da Bunge Fertilizantes S/A, 2011.
A análise anterior permite uma melhor compreensão da distribuição do fertilizante por 
unidade da federação. A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja, atingindo 
35% do total entregue no país. Outras culturas como milho, cana-de-açúcar, café e algodão 
totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. Quanto à segmentação por 
estado brasileiro, nota-se a grande representatividade da região Centro-Oeste.
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Consumo de fertilizantes por região do Brasil (2010)
14%
28%
29%
30%
Fonte: Adaptado pelo autor
A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser 
o maior consumidor de fertilizantes do país. Trata-se do maior polo agrícola brasileiro, com 
altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento, tanto em pastagem quanto 
para a abertura de novas áreas.
A título de comparação, acompanhe na sequência um breve panorama do consumo de 
fertilizantes no mundo. 
Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes
Os maiores consumidores de nutrientes minerais para fertilizantes no mundo são Brasil 
(ocupa a quarta posição), China, Índia e Estados Unidos. 
O consumo de fertilizantes no Brasil representa 6% do total consumido no mundo.
O Brasil consome 3% de nitrogenados, 9% de fosfatados e 14% de óxido de potássio (K2O).
Maiores consumidores mundiais de fertilizantes
China
Índia
EUA
Brasil
Subtotal
Outros
33%
15%
12%
3%
63%
37%
30%
15%
11%
9%
65%
35%
22%
9%
16%
14%
61%
39%
30%
14%
12%
6%
62%
38%
N P2O5 K20 NPK
Fonte: IFA ,ANDA, 2011
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De certa forma, a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos no Brasil é 
relativamente elevada. 
Podemos observar que, no período compreendido entre as safras 92/93 e 2006/2007, o 
crescimento médio anual de área plantada no Brasil foi de 1,7%; o consumo de fertilizante 
cresceu 5,9% ao ano e a produção de grãos, 4,5%. 
A utilização de fertilizantes pode proporcionar aumento de produção de alimentos quando 
essa tecnologia for aplicada corretamente.
Variação do consumo de fertilizantes, área plantada e produção de grãos no Brasil
100
108 104 103
98
104 106 106
111
122
133 138 132 128
129
119
117
132
150
159
148
177
190
206
246 246
218
225
108
115 112
121 122
147
142
181
175
167 170
183
92/93 93/94 94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02 02/03 03/04 05/06 06/07
5.9%
4.5%
4.5%
CAGR
Produção de Grãos
Consumo de Fertilizantes
Área Plantada
Fonte: ANDA e CONAB
Esse setor é de importância relativamente forte para a produção de alimentos no Brasil. 
Nossa vocação como país é a de grande participante. Algumas fontes consideram o Brasil 
como um dos únicos países do mundo com quantidade de terras agricultáveis capaz de 
enfrentar o grande desafio dos próximos anos para alimentar toda a demanda da população 
mundial, mas isso só será possível com as devidas adequações no sistema agrícola atual, ou 
seja, o alinhamento das ações com foco na sustentabilidade do planeta. 
Se a previsão de aumento da produção mundial de alimentos se tornar realidade, será 
muito importante que o setor de insumos agrícolas, fator essencial da produtividade, esteja 
estruturado em bases sólidas. 
Como já exposto, o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem em 
maior produtividade e que, também, reduzam o impacto sobre os recursos naturais do 
planeta. 
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p
Atividade prática
O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes importados, pois a nossa 
produção é pequena. A partir dessa afirmação, pesquise e responda às 
questões abaixo. 
1. Qual é a atual produção brasileira de fertilizantes?
2. Quais são os principais países exportadores?
3. É possível utilizar na agricultura um substituto sustentável do fertilizante químico?
Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia 
na Agricultura Brasileira 
A mecanização agrícola no Brasil ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. Nesse mesmo 
período, ocorreu uma grande falta de mão de obra para a agricultura (BRUM, 1988). 
No período de 1939-1940, não houve evolução do processo de implantação da mecanização 
no Brasil, ocorrendo dificuldades na importação de tratores e outras máquinas agrícolas. O 
Brasil possuía uma frota de 3.380 tratores2. 
Após o término da Segunda Guerra Mundial, o governo observou que havia a necessidade de 
aumentar a produção do campo, elevando a produtividade e também expandindo áreas de 
produção e promovendo o uso de insumos modernos (sementes selecionadas, fertilizantes, 
defensivos e, principalmente, maquinário) (MOURA ET AL., 2002).
2 Em 2012 a estimativa da frota de tratores no Brasil é de 664.041unidades, considerando os tratores de alta potência e os com 
potência abaixo de 100hp.
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A partir de 1949, começou a haver um grande desenvolvimento da mecanização no Brasil, 
impulsionado pelo aumento nas importações de tratores, mas um fator limitante da expansão 
desse setor era a falta de qualificação das pessoas para o manuseio dessas máquinas. 
É necessário, também, considerar que havia grande variedade de máquinas, modelos e 
procedências que eram inadequados para serem utilizados em solo brasileiro.
Esses problemas acabaram trazendo benefícios para o setor de máquinas agrícolas 
brasileiras, pois, a partir desde período, começaram a ser desenvolvidos novos tipos de 
equipamentos no Brasil, reduzindo a importação de produtos ligados a esse setor. No 
início do ano 2000, o governo federal criou o Moderfrota, um programa de crédito rural 
direcionado, com taxas de juros diferenciadas, abaixo das praticadas pelo mercado, e 
oferecido tanto ao pequeno quanto ao grande produtor. 
Diante desse cenário (com o aquecimento da demanda devido ao aumento do crédito), a 
indústria nacional de máquinas agrícolas passou a aumentar a capacidade instalada das 
unidades existentes e, também, a construir novas plantas. 
Isso possibilitou oferecer uma ampla linha de produtos, atendendo desde às operações 
realizadas com tração animal até às