UC5   Introdução ao Agronegócio
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UC5 Introdução ao Agronegócio


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nas propriedades rurais, como o uso de agricultura de precisão e 
sementes altamente produtivas.
Pontos fracos
Podemos citar como principal ponto fraco a logística deficiente nas regiões produtoras, o que 
aumenta o custo de produção, dificultando o escoamento da oleaginosa para os portos que a 
levarão para o exterior. 
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Ameaças
Entre as ameaças estão as tarifas alfandegárias e o protecionismo de países como os Estados 
Unidos, que subsidiam uma boa parte da sua produção de soja e de outras commodities, 
como milho, carnes e algodão. Isso torna os seus produtos mais competitivos no mercado 
internacional
Oportunidade
Como uma oportunidade está a possibilidade de se pesquisarem novos usos para a soja, como 
sabão, tintas e biocombustível, gerando valor e produzindo produtos que serão vendidos por um 
valor superior para a commodity.
Após analisar o quadro anteriormente exposto, temos como avançar e pensar a respeito das 
tendências futuras. Qual é o seu palpite a respeito da cadeia de soja? Confira, abaixo, algumas 
projeções.
De acordo com o MAPA, a produção de soja em grão em 2013 foi de 81,3 milhões de toneladas, 
com uma produtividade média projetada para os próximos anos de 3,3 toneladas por hectare. 
Existe uma forte tendência da produtividade de aumentar devido ao aumento da tecnificação 
das lavouras, em especial daquelas que se encontram na região Centro-Oeste. 
Estima-se que em 2023 a produção de soja seja de 99,2 milhões de toneladas, o que 
representará um acréscimo de 21,8% em relação à produção de 2013.
As projeções de consumo indicam que as demandas de soja no mercado internacional e no 
mercado interno devem continuar aumentando, pois, além da demanda de rações animais, 
também se estima que ocorrerá um grande aumento do consumo de soja para a produção de 
biodiesel. Essa produção foi estimada em 2013, pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos 
Vegetais \u2013 Abiove, em cerca de 10 milhões de toneladas.
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Estima-se, também, que o consumo interno de 
soja em grão chegue a 50,6 milhões de tonela-
das ao final da projeção, sendo que se espera 
um aumento de 19,4% no consumo até 2023. 
De acordo com o MAPA, deve haver um consu-
mo adicional de soja em relação ao período de 
2012-2013 de 8,2 milhões de toneladas. 
Espera-se que, além da utilização da soja na 
fabricação de rações animais, ela também 
seja utilizada de maneira crescente na ali-
mentação humana, principalmente em bebi-
das, queijos etc. 
A seguir, veja uma projeção de produção, consumo e exportação de soja em grão, mostrando 
uma perspectiva positiva de crescimento do mercado. 
Brasil: projeção da produção, consumo e exportação de soja em grão
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Produção
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Fonte: MAPA, com dados da CONAB (2013)
A cadeia da soja apresenta alto potencial de crescimento, mas ainda possui grandes gargalos (em 
logística, impostos e barreiras tarifárias e não tarifárias) e necessita de maiores investimentos 
em marketing, além de incentivos governamentais para a geração de valor. Esta proporciona 
mais renda para as regiões produtoras e para o país, assim como mais empregos, tecnologia 
e impostos a serem arrecadados.
O
Informações extras
Barreiras Não-Tarifárias são restrições à entrada de mercadorias importadas 
que possuem como fundamento requisitos técnicos, sanitários, ambientais, 
laborais, restrições quantitativas (quotas e contingenciamento de importação). 
Normalmente, as BNTs visam a proteger bens jurídicos importantes para 
os Estados, como a segurança nacional, a proteção do meio ambiente e do 
consumidor, e ainda, a saúde dos animais e das plantas. 
Saiba mais sobre barreiras comerciais e técnicas no AVA.
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Um exemplo de como é possível gerar valor foi dado por Henry Ford, em 1933, ao desenvolver 
nos Estados Unidos o primeiro produto construído à base de soja: um painel de carro feito de 
plástico de soja. Desde essa época, novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. 
Entre os produtos à base de soja, desenvolvidos pelos produtores e patrocinados pelo 
governo americano, estão xampus para animais domésticos, lubrificantes, isolante térmico 
para casas, velas feitas à base de cera de soja, produtos de limpeza, bola de paintball etc. 
Abaixo, apresentamos alguns usos originais para o grão
O Brasil precisa investir em geração de valor produzindo produtos diferenciados, pois isso 
trará benefícios aos produtores rurais e, em especial, ao pequeno e ao médio produtor, que 
não tem condições de concorrer com uma grande empresa. 
É mais interessante gerar valor e obter mais lucros do que exportar commodities e deixar 
o lucro do desenvolvimento de produtos para os outros países. Aliás, o Brasil é conhecido 
como o celeiro do mundo, mas, de que adianta produzir tanto, se as estradas e os portos não 
conseguem escoar a produção? 
O governo tem uma parcela de responsabilidade importante nisso, mas não basta: o produtor 
precisa se organizar, informar-se e tratar a sua propriedade como uma empresa rural, deixar 
alguns conceitos no passado e partir em busca de novos desafios.
2: Café
O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity e conta, atualmente, com 37% do 
mercado mundial cafeeiro, sendo que os principais países importadores de café brasileiro 
são: Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica.
A seguir, veja o ranking dos países produtores de café na safra 2012/2013. 
Participação (%) dos países na produção mundial de café em grão: safra 2012/13
Brasil
37%
Vietnã
17%
Outros
17%México 3%
Peru 3%
Índia 4%
Honduras 4%
Etiópia 4%
Colômbia 5%
Indonésia 6%
Fonte: USDA
O gráfico acima nos mostra que, na safra 2012/13, os três principais produtores foram o Brasil, 
o Vietnã e a Indonésia. Somos o primeiro na produção mundial de café em grão. 
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É importante observar que, devido à sua grande extensão, pela qual a produção cafeeira está 
espalhada em 2,3 milhões de hectares no território nacional, o Brasil possui a vantagem de 
desenvolver diversos tipos e qualidades de cafés \u2013 um diferencial que possibilita atender às 
diferentes demandas.
O país conta atualmente com 2.341,73 hectares voltados à cultura de café dos tipos arábica e 
robusta. Conforme a Conab (2013), houve um acréscimo, no ano de 2013, de 12.370 hectares, 
o que representa um crescimento de 0,54% da área utilizada em relação à safra de 2012. 
É importante ressaltar que estão ocorrendo significativos aprimoramentos na tecnologia de 
produção, no manejo, nos aperfeiçoamentos genéticos e nas reduções de custos na logística. 
Diferentes tipos de café 
Arábica
A variedade de café mais apreciada no mundo é a arábica e ela representa 59% da produção 
mundial da cultura de café. Trata-se de um grão bastante achatado e alongado, que gera um 
café fino e com alto valor comercial. A qualidade desse grão está relacionada com a altitude em 
que é plantado (altitudes superiores a 900 metros).
O maior produtor de café arábica no Brasil é o Estado de Minas Gerais. Outros estados, como 
São Paulo, Paraná, Bahia, Espírito Santo e Rondônia, também produzem essa variedade. O 
cultivo de café arábica totaliza 74,9% da quantidade de café nacional. 
Robusta Conilon
O café robusta conilon tem a sua origem na África Central e pode ser produzido em altitudes que 
variam entre o nível do mar e 600 metros. É mais utilizado na fabricação de café solúvel. Essa 
variedade tem uma grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos, pois é utilizada para fazer 
o blend com a variedade arábica. 
Os principais estados brasileiros