UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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pode ser preciso elevar a disponibilidade de Ca e de 
Mg de acordo com as exigências das culturas neste nutriente (X).
Método da 
saturação por bases
Baseia-se na elevação da saturação por bases a valores desejados 
para diferentes espécies vegetais considerando a estreita relação 
entre a porcentagem de saturação por base e o pH do solo. A 
necessidade de calagem é dada pela fórmula a seguir:
NC (t/ha) = [T. (V2 \u2013 V1)] / 100
Onde:
NC (t/ha) = necessidade de calagem em toneladas por hectare;
T = valor de CTC potencial ou CTC a pH 7,0 da análise de solo;
V2 = porcentagem de saturação por bases desejada de acordo 
com as recomendações para as condições regionais;
V1 = porcentagem de saturação por bases do solo conforme 
resultado da análise de solo.
Observe, no exemplo, um caso de cálculo da necessidade de calagem:
Calcule a necessidade de calagem \u2013 NC para o cafeeiro a ser cultivado em solo utilizando o 
método da saturação por bases com as seguintes características (V2 = 60%):
Argila P-rem Al3+ Ca2+ Mg2+ H + Al SB t T V
% mg/L ------------------------cmolc/dm
3-------------------- %
60 9,4 0,8 0,1 0,1 7,8 0,2 1,01 8,01 2,6
*P-rem: Fósforo remanescente / SB: soma de bases.
Resolução:
NC (t/ha) = [T. (V2 \u2013 V1)] / 100
NC = [8,01 . (60-2,6)]/100
NC = 4,6 t/ha
Assim, recomendam-se 4,6 toneladas por hectare de calcário.
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Além de identificar a necessidade de calagem, é preciso saber quando e como praticá-la. Por 
ser um material de baixa solubilidade e de reação lenta, o calcário deve ser aplicado de dois a 
três meses antes do plantio para que as reações esperadas se processem. Ele é uniformemente 
distribuído sobre a superfície do solo, manualmente ou por meio de máquinas próprias, e é, 
então, incorporado com arado e grade na profundidade de 15 cm a 20 cm (camada arável).
O período compreendido entre a calagem e o plantio deve ser considerado, levando-se em 
conta a presença de umidade suficiente no solo, para que existam as reações do solo com 
o calcário. Sem umidade no solo, não há como o calcário reagir. Nesse caso, é preferível 
realizar a calagem e o plantio em uma sequência única de operações. A análise de solo três ou 
quatro anos depois da calagem pode indicar a necessidade ou não de nova aplicação.
2. Gessagem
Em solos como os do cerrado, as limitações impostas pela acidez vão além da camada arável, 
atingindo as camadas subsuperficiais, onde a toxidez de alumínio e/ou a baixa disponibilidade 
de cálcio são os principais fatores que impedem a maximização das produções. Essas 
substâncias limitam o crescimento radicular e, consequentemente, a utilização de água e de 
nutrientes em profundidade.
A correção da acidez subsuperficial via calagem encontra sérios problemas, tanto do ponto 
de vista técnico quanto do econômico, pois exige equipamento apropriado e alto consumo 
de energia. Por isso, o uso de sais de cálcio mais solúveis que o carbonato do calcário para, 
pelo menos, promover lixiviação do cálcio abaixo da camada arável tem sido proposto como 
alternativa viável para se aumentar a profundidade do sistema radicular. O gesso agrícola \u2013 
CaSO4.2H2O \u2013 surge como a principal alternativa para a correção da acidez subsuperficial dos 
solos, notadamente os de cerrado.
 Lixiviação
Processo pelo qual os nutrientes do solo migram das camadas mais superficiais para as camadas 
mais profundas em decorrência de um processo de lavagem devido à ação da água da chuva ou 
da irrigação (EMBRAPA Arroz e Feijão, 2004).
O gesso agrícola é um subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados concentrados e 
contém cerca de 20% de cálcio, 15% de enxofre, 0,7% de fósforo e 0,6% de flúor. Portanto, é 
uma importante fonte de cálcio e de enxofre para as plantas. As formas mais simples para 
calcular a dose de gesso (NG) a ser aplicada no solo são as seguintes:
Culturas anuais: NG (kg/ha) = 40 x % de argila
Culturas perenes: NG (kg/ha) = (40 x % de argila) x 1,5
Sempre que possível, o gesso deve ser aplicado juntamente com o calcário magnesiano ou 
dolomítico. Amostragens periódicas das camadas subsuperficiais devem ser realizadas com a 
finalidade de acompanhar a movimentação de bases pelo perfil.
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3. Adubação
Por representar uma significativa parcela nos custos de produção, a adubação tem de ser feita 
com a máxima eficiência para se obterem a máxima produtividade econômica e produtos 
agrícolas com qualidade. Além disso, a correta adubação evita o desperdício de recursos 
naturais não renováveis, causando o mínimo de danos ao meio ambiente.
A proporção entre os nutrientes presentes nos fertilizantes é chamada de \u201crelação básica\u201d ou 
\u201cNPK\u201d. Isso porque, a partir dos resultados da análise de solo, o técnico pode consultar quais 
doses de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O) devem ser aplicadas. 
Para se encontrarem as relações básicas em fertilizantes formulados, devem-se dividir os núme-
ros da fórmula pelo menor deles, desde que este seja diferente de zero. Confira no exemplo:
 
Considerando a recomendação de 15 kg de N, 75 kg de P2O5, e 30 
kg de K2O para cada hectare de uma determinada cultura, pode-
se encontrar a relação básica dividindo cada recomendação pela 
menor, nesse caso, por 15. Assim, a relação básica é 1-5-2, ou seja, 1 
kg de N para 5 kg de P2O5 e 2 kg de K2O.
Vamos praticar? 
Com base nas seguintes proporções, defina a relação básica e preencha as lacunas:
N P2O5 K2O
Proporção 5 25 10
Relação básica
Isso significa que, para 100 kg da mistura da fórmula acima, têm-se: 
\u2022 kg de N 
\u2022 kg de P2O5 
\u2022 kg de K2O
Agora, como os fertilizantes são comercializados com misturas prontas em diferentes 
formulações, é preciso fazer a relação entre a necessidade de nutrientes exigidos pela planta 
e a disponibilidade desses nutrientes no adubo. De acordo com Malavolta (1981), para se 
obter a quantidade (kg) de nutrientes dos fertilizantes em uma mistura, pode-se utilizar a 
seguinte fórmula: 
W = (A x B) / C
Onde: 
W = quantidade do fertilizante a ser utilizado na mistura (kg); 
A = quantidade da mistura a preparar (kg); 
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B = porcentagem do nutriente na mistura; 
C = porcentagem do nutriente no fertilizante.
Como exemplo, imagine o preparo de uma tonelada (1.000 kg) da mistura 4-14-8 utilizando as 
seguintes fontes de nutrientes:
\u2022 sulfato de amônio \u2013 20% N;
\u2022 superfosfato simples (SFS) \u2013 18% P2O5;
\u2022 cloreto de potássio (KCl) \u2013 60% K2O.
Aplicando a fórmula para cada nutriente:
Nitrogênio
A = 1.000 kg; B = 4 kg (da mistura 4-14-8); C = 20%
Então, temos W = (1.000 x 4) / 20 = 20 kg de sulfato de amônio. 
Fósforo
A = 1.000 kg; B = 14 kg; C = 18%
Então, temos W = (1.000 x 14) / 18 = 778 kg de fósforo.
Potássio 
A = 1.000 kg; B = 8 kg; C = 60%
Então, temos W = (1.000 x 8) / 60 = 133 kg de cloreto de sódio.
Portanto, para se obter uma tonelada de 4-14-8, é preciso misturar: 
\u2022 20 kg de sulfato de amônio; 
\u2022 778 kg de superfosfato simples; 
\u2022 133 kg de cloreto de sódio.
 
Observe que o total da quantidade de fertilizantes a ser utilizada 
na mistura é igual a 20 + 778 + 133 = 931 kg. Os 69 kg que faltam 
para completar uma tonelada podem ser fornecidos como enchi-
mento ou complemento \u2013 gesso, calcário, esterco seco, turfa, entre 
outros materiais. 
Suponha, agora, que um agricultor obteve, com base na análise de solo, a seguinte recomen-
dação de adubação de plantio de milho para a área de um hectare: 
\u2022 20 kg de N; 
\u2022 130 kg de P2O5; 
\u2022 70 kg de K2O; 
\u2022 5 kg de Zn. 
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Para obter a quantidade da mistura a aplicar por hectare, primeiramente é necessário fazer 
o cálculo da relação básica entre os nutrientes. Para isso, deve-se obter o divisor comum de 
20-130-70.