UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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Ou seja, a relação básica é: 20/20-130/20-70/20 = 1-6,5-3,5. 
Como fórmula comercial, é preciso que ela tenha concentração de nutrientes mínima de 24% e 
máxima de 54%. Assim, multiplicam-se os valores por fatores (2, 3, 4...) até que a soma seja maior 
que 24 (\u2211 > 24). Nesse caso, 1-6,5-3,5 x 4 = 4-26-14. Dessa maneira, pode-se utilizar a fórmula 
4-26-14. Porém, qual será a quantidade em kg/ha a aplicar da mistura 4-26-14 no plantio?
Para esse cálculo, pode-se utilizar a fórmula: 
QNA = (\u2211 Nutrientes na cultura x 100) / (\u2211 nutrientes na mistura)
Onde: 
QNA = quantidade a aplicar da mistura (kg/ha); 
\u2211 nutrientes na cultura = somatório da quantidade de nutrientes recomendada, com base 
na análise de solo, para a cultura a ser adubada;
\u2211 nutrientes na mistura = somatório da quantidade de nutrientes presentes na fórmula.
A partir do exemplo, podemos dizer que: 
QNA = a definir; 
\u2211 nutrientes na cultura = 20 + 130 + 70 = 220; 
\u2211 nutrientes na mistura = 4 + 26 + 14 = 44. 
Substituindo na fórmula, tem-se: QNA = (220 x 100) / 44 = 500 kg de 4-26-14 por hectare.
Com a quantidade da mistura a aplicar definida, pode-se fazer o cálculo para a adição 
proporcional do Zn à mistura final (conforme indicava a situação-exemplo). Para isso, faz-se 
uma regra de três simples: 
500 kg da mistura 4-26-14 100%
5 kg de Zn x
x = 1% Zn
Dessa forma, a mistura final a ser utilizada no plantio é: 4-26-14 + 1% Zn
Como último passo, precisamos saber quanto do formulado deve ser distribuído na linha 
de plantio. Para isso, deve-se saber qual o espaçamento da cultura e o número de linhas de 
plantio presentes em um hectare (ha).
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Imagine que estamos tratando de uma cultura de milho, com espaçamento de 0,9 m. Como 1 
hectare equivale a 1.000 m2 (1 ha = 100 m x 100 m), basta dividirmos 100 pelo espaçamento 
da cultura: 100 / 0,9 = 111 linhas com 100 metros de comprimento. Portanto, haverá 11.100 
metros lineares em 1 hectare.
Para distribuir na área de plantio 500 kg de 4-26-14 + 1% Zn em 1 hectare, divide-se a quanti-
dade da mistura a aplicar pelo número de metros lineares. Ou seja:
500 kg (de 4-26-14 + 1% Zn) por ha = 0,045 kg = 45 g por metro linear
11.100 metros lineares 
Isso quer dizer que a semeadora deve liberar, a cada metro de movimento, 45 g da mistura. 
Com esse valor, o técnico pode fazer a regulagem da máquina no campo. Para isso, deve 
marcar a área a ser semeada no campo com duas estacas com uma distância conhecida, por 
exemplo, 50 metros. Nesses 50 metros, devem cair 50 x 45 g = 2.250 g (2,25 kg) da mistura.
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Comentário do autor
Como estão seus estudos até aqui? Conseguiu compreender o cálculo de 
fertilizante? Lembre-se de que, em caso de dúvida, você pode falar com o tutor a 
distância pelo AVA. 
Encerramento do tema
Neste tema, você pôde compreender os fundamentos da nutrição mineral das plantas e um 
pouco sobre fertilidade de solo, que é de fundamental importância para a produção vegetal. 
Aprofundar-se nesse assunto permite que você tenha um bom retorno econômico sem 
prejudicar o meio ambiente. Nos próximos temas, você verá detalhes técnicos sobre a cultura 
de alguns produtos, começando pelo café. 
Curso Técnico em Agronegócio
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Atividade de aprendizagem
1. Das alternativas abaixo, escolha a opção que melhor explica por que a adubação deve ser 
realizada com cautela.
a) Por representar uma significativa parcela nos custos de produção, a adubação tem de 
ser feita com a máxima eficiência para resultar em maior produtividade econômica 
e produtos agrícolas com qualidade, e evitar o desperdício de recursos naturais não 
renováveis, causando o mínimo de danos ao meio ambiente.
b) Porque apresenta custos elevados e o produtor deve ter cautela na aplicação, adubando 
apenas 30% da área a ser plantada.
c) Porque a adubação é o único recurso que o produtor tem para otimizar um plantio 
agrícola.
d) Porque a concentração de NPK no fertilizante não pode ser menor que 54%.
Cultura do Café
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Curso Técnico em Agronegócio
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Tema 4: Cultura do Café
A partir de agora, você estudará tópicos mais específicos das principais culturas de importância 
econômica para o Brasil, abordando um pouco de suas histórias e seus aspectos econômicos 
e agronômicos. Para iniciar, você se aprofundará na cultura do café, a mais antiga cultura de 
exportação do país.
Este tema foi elaborado para que você desenvolva as seguintes competências:
\u2022 conhecer as peculiaridades do cultivo de café;
\u2022 identificar a morfologia da planta de café;
\u2022 analisar a necessidade de nutrição da cultura;
\u2022 orientar a produção de café do plantio até a colheita e a secagem.
Tópico 1: História e Características Gerais do Café
Muitas lendas relatam a origem da descoberta do café, porém, uma das mais aceitas e 
divulgadas é a de um pastor, conhecido como Kaldi. Ele teria vivido há cerca de dois mil anos 
na Etiópia e observado que, quando as ovelhas mastigavam frutos de coloração amarelo-
avermelhada de alguns arbustos no campo, elas ficavam alegres e saltitantes. O pastor notou, 
assim, que esses frutos eram fonte de energia e comentou esse fato com um monge da 
região. O monge resolveu experimentar o fruto na forma de infusão, colocando-os em água 
fervente e bebendo o líquido. Com o tempo, percebeu que a bebida ajudava a resistir ao sono 
enquanto orava ou lia, e o hábito foi se espalhando.
Relatos evidenciam que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no 
Iémen, por isso a variedade mais usada é denominada \u201ccafé arábica\u201d. A palavra café vem da 
palavra árabe qahwa, que significa \u201cvinho\u201d, devido à importância que a planta passou a ter no 
mundo árabe. A proibição de bebidas alcoólicas pela religião maometana ajudou na difusão 
do café pelo mundo árabe. Somente no século XVI, na Pérsia, é que os primeiros grãos de café 
foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos. 
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O \u201cvinho da Arábia\u201d chegou à Europa no século XIV. No Brasil, o café chegou inicialmente a Belém 
do Pará, vindo das Guianas. Depois, no início do século XIX, chegou ao Rio de Janeiro, expandindo-
se pela Serra do Mar até atingir, em 1825, o Vale do Paraíba, seguido de São Paulo, Minas Gerais 
e norte do Paraná. Em 1860, o Brasil já era uma grande potência exportadora de café. 
Essa cultura trouxe grande desenvolvimento econômico para o Brasil com as ricas fazendas 
dos barões do café, que permitiram o início da industrialização do país com os recursos 
provenientes das exportações e a construção das primeiras ferrovias, como a Santos-Jundiaí, 
a Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Noroeste. 
A cultura atraiu grande número de imigrantes, sobretudo italianos, que vieram para o Brasil em busca de oportunidades.
Fonte: Wikimedia Commons (2007).
Com a República, surgiu a política do \u201ccafé com leite\u201d (paulistas e mineiros alternando-se 
no poder do país). Na crise de 1929, a queda da bolsa de valores norte-americana afetou 
significativamente a cafeicultura, o financiamento com os bancos estrangeiros foi interrompido, 
o preço do café despencou e milhares de sacas foram queimadas, bem como milhões de 
pés de café foram erradicados, levando muitos fazendeiros à miséria e ao desespero. Com a 
recuperação da economia mundial após a crise de 1929, o sudeste do país voltou a crescer, 
agora apoiado na cafeicultura e na indústria. Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial 
de café, sendo responsável por 30% do mercado internacional. É também o segundo mercado 
consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.
O
Informações extras
Que tal conhecer um pouco mais da história do café no Brasil? Acesse o AVA e 
assista ao documentário sobre essa cultura tão popular no país.
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As áreas cafeeiras estão