UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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com os dias quentes e as noites frias. Os primórdios 
florais se desenvolvem por dois meses até atingirem tamanho entre 4 mm e 6 mm, e, então, 
entram em dormência pelos próximos dois meses (julho e agosto), quando apresentam alto 
teor de ácido abcíssico \u2013 ABA. Um botão floral somente se transformará em flor se as condições 
climáticas entre os períodos diurnos (29 °C) e noturnos (18 °C) forem satisfatórios.
Em geral, as melhores condições para o café são temperaturas de 
19 °C a 21 °C e precipitação de 1.400 mm a 1.500 mm anuais. No 
inverno, o café deve sofrer um deficit hídrico (principalmente em 
agosto e setembro), com temperaturas de 16 °C a 18 °C.
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Quando o café recebe água durante a fase de dormência, a floração fica indefinida, resultando 
em floradas sucessivas e várias colheitas, o que não é bom para o produtor. Por outro 
lado, temperaturas altas e deficit hídrico intenso provocam a morte dos tubos polínicos por 
desidratação e causam o aborto das flores (estrelinhas).
Em setembro, quando começam as chuvas novamente, as gemas ficam 
intumescidas e os botões florais crescem de 8 a 16 dias, chegando à fase de 
abotoamento.
Na fase seguinte, a florada, não pode faltar chuva (pelo menos de 8 mm a 10 mm).
Por fim, vem a fase pós-florada, quando as pétalas caem. 
As axilas floreais produzem gemas uma única vez, portanto, com o passar dos anos, as produ-
ções se concentram nas extremidades dos ramos. Quando isso acontece, recomenda-se a poda 
para a renovação da lavoura (desponte ou esqueletamento para recuperação da copa).
4. Fruto e frutificação
O fruto do cafeeiro é uma dupla elipsoide e contém dois lócus e duas sementes (chegando a 
três ou mais). Confira a descrição das partes do fruto e acompanhe na figura.
 
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Dentro da semente, encontramos:
1. embrião: é formado por um hipocótilo e dois cotilédones cordiformes, e fica na superfície 
convexa da semente, medindo de 3 mm a 4 mm;
2. endosperma: é o tecido de maior volume na semente, de coloração esverdeada em C. 
arabica e amarelada em C. canephora. É composto por: água, aminoácidos, proteínas, 
cafeína, lactonas, triglicerídeos, açúcares, dextrina, pentosanas, galactomananas, celulose, 
ácido cafeico, ácido clorogênico e minerais;
3. espermoderma: é a película que envolve o endosperma, sendo prateada e não muito 
aderente na C. arabica, e castanha e muito aderente na C. canephora.
Já na parte externa à semente, encontramos:
4. semente: os cultivares comerciais têm formato plano-convexo (um lado é plano e outro 
é curvo), sendo que o lado plano possui um sulco no sentido longitudinal. A espessura é 
média, e o endosperma é de coloração verde. As sementes possuem uma película prateada 
e ligeiramente aderida ao endosperma;
5. endocarpo: é o pergaminho que envolve a semente (na espécie C. canephora, é menos 
espesso que na C. arabica);
6. mesocarpo: é a mucilagem (substância gelatinosa e adocicada) que fica entre o exocarpo 
e o endocarpo;
7. exocarpo: é a casca do fruto, podendo ser vermelha ou amarela quando atinge o estágio 
de \u201ccereja\u201d \u2013 que é quando ocorre a maturação fisiológica do fruto.
Como parte do fruto, tem-se ainda o pedúnculo \u2013haste que suporta e liga o fruto à planta \u2013 
e a coroa \u2013 a região da cicatriz floral que se localiza na parte oposta ao pedúnculo, onde as 
brocas costumam fazer suas perfurações.
A frutificação começa com a formação dos frutos, também conhecida como \u201cfase chumbinho\u201d, 
na qual os frutos se expandem rapidamente até atingirem seu tamanho máximo por volta 
de dezembro. Na fase chumbinho, deve-se atentar para que não haja deficit hídrico. A falta 
de água estimula a planta a produzir etileno na região do pedúnculo, o que ativa a síntese de 
enzimas degradantes, ocasionando a queda de chumbinhos.
No mês de janeiro, a cor verde se acentua (grão verde), e, em março, os líquidos internos se 
solidificam, formando a semente. Nessa fase, também não pode haver deficit hídrico para 
não prejudicar a granação dos frutos. Entre abril e junho começa a maturação, ocorrendo 
a degradação da clorofila e a síntese de carotenoides \u2013 a cor muda de verde (fase verde-
cana), passando pelo amarelecimento (fase de verde para amarelo), até o estágio amarelo ou 
vermelho (fase cereja). Após isso, os frutos vão começar a secar (fase passa) e atingir o estágio 
seco (fase seco). Na figura a seguir, você pode ver todas essas fases.
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69Fonte: MORAIS et al. (2008).
Na figura, você pode observar, ainda, que o desenvolvimento reprodutivo do cafeeiro passa 
por quatro grandes fases: desenvolvimento da gema floral (G), floração (FL), frutificação (F) e 
maturação (M). As divisões da fase G mostram a variação no tamanho das gemas; a fase F foi 
dividida de acordo com o tamanho dos frutos, e, na fase M, o critério adotado foi a coloração.
Conhecer bem as etapas de desenvolvimento reprodutivo do cafeeiro auxilia nas práticas de 
manejo, como adubação e controle de pragas, e na identificação de eventuais distúrbios que 
possam ocorrer em cada fase proposta, com a adoção de medidas corretivas sempre que possível.
Tópico 3: Implantação da Lavoura
O primeiro passo para a implantação de uma lavoura de café é realizar um planejamento com o 
objetivo de se evitarem erros e prejuízos econômicos. Uma lavoura ideal deve apresentar vigor 
elevado, um sistema radicular eficiente e profundo, florescimento abundante e vingamento 
da florada, resultando em altas produtividades com cafés de boa qualidade (tipo e bebida). 
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Esse planejamento deve observar, pelo menos, as seguintes etapas:
Escolha da área
Temperatura média entre 18 °C e 22 °C, precipitação anual entre 1.200 
mm e 1.800 mm, e altitude entre 500 m e 1.300 m.
Características 
físicas do solo
Externas (relevo, pedras, cascalho, erosão e exposição), internas 
(quantidade e tamanho das partículas \u2013 argilosa, arenosa, siltosa) e 
estruturais (forma e arranjo das partículas de solo).
Aspectos 
agronômicos
Histórico da área (culturas anteriores), ocorrência de geada, mecanização 
(espaçamento), adubação de plantio (correção do solo, adubação de 
sulco ou cova e coberturas) e cuidados pós-plantio (controle de doenças, 
pragas e plantas daninhas).
Topografia
< 20% \u2013 mecanizável
> 20% e < 40% \u2013 tração animal
> 40% \u2013 tratos manuais
Lençol freático
Optar por áreas que possuam o lençol freático profundo, uma vez que o 
lençol freático raso leva ao amarelecimento da lavoura.
Além disso, é interessante observar a necessidade da implantação de quebra-ventos para 
evitar ventos fortes e geadas. 
O número de plantas por hectare determina o sistema de plantio adotado:
Plantas/hectar Sistema de plantio
Até 3.000 Tradicional
De 3.000 a 5.000 Semiadensado
De 5.000 a 10.000 Adensado
De 10.000 a 20.000 Superadensado
Acima de 20.000 Hiperadensado
Vantagens do adensamento: maiores produtividade por área, aproveitamento de área, 
proteção do solo e aproveitamento da adubação, menores custo por saca produzida, incidência 
de plantas daninhas, bienalidade e ataque do bicho mineiro (praga comum nas lavouras de 
café), e retorno rápido do capital.
Desvantagens do adensamento: maiores investimento inicial e incidência de broca e 
ferrugem, menor possibilidade de mecanização, fechamento mais rápido das estrelinhas, 
tratos/adubações/colheitas dificultados, atraso e desuniformidade na maturação e perda da 
qualidade dos frutos. O superadensamento também aumenta o consumo de água.
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Comentário do autor
Você já ouviu falar de bienalidade ou ciclo bienal do café? São safras de altas 
produtividades alternadas com safras de baixa produtividade. Para compreender 
melhor, assista ao vídeo disponível no AVA.
1. Conservação