UC7   Técnicas de Produção Vegetal
151 pág.

UC7 Técnicas de Produção Vegetal


DisciplinaAgroindústria e Agronegócio80 materiais1.346 seguidores
Pré-visualização35 páginas
do solo
A conservação do solo visa melhorar sua capacidade em desempenhar funções produtivas e 
ecológicas nos agroecossistemas a partir de práticas de caráter vegetativo, edáfico e mecânico.
Prática vegetativa Manutenção do mato na entrelinha.
Prática edáfica
Controle da erosão.
Manutenção e melhoria da fertilidade.
Prática mecânica
Disposição adequada de porções de terra.
Quebra da velocidade de escoamento da enxurrada.
Facilitação da infiltração da água no solo.
Aração, gradagens e sulcamento \u2013 em nível.
Terraceamento: anteparo do fluxo superficial da água (em áreas 
com declive > 3%).
Criação de bacias de contenção \u2013 conservação da água dentro da 
propriedade.
2. Plantio
Para o plantio, devemos considerar:
\u2022 tecnologias disponíveis ao produtor;
\u2022 características do cultivar;
\u2022 área disponível;
\u2022 possibilidade de mecanização;
\u2022 disponibilidade de mão de obra;
\u2022 utilização da irrigação;
\u2022 cortes transversal e longitudinal;
\u2022 plantio raso \u2013 tombamento das mudas;
\u2022 plantio profundo \u2013 afogamento;
\u2022 irrigação \u2013 falta de chuva;
\u2022 replantio \u2013 reserva de 5% a 10% do total de mudas plantadas.
Curso Técnico em Agronegócio
72
Tópico 4: Clima e Solo
1. A geada e a cafeicultura
Geada é uma condição de ocorrência provisória de estados de baixa energia com baixas 
temperaturas. Esse evento provoca alterações físicas nos componentes celulares dos tecidos 
vegetais, incompatíveis com suas funções fisiológicas. Dependendo da umidade do ar, as 
geadas podem ser:
\u2022 geadas brancas: com gelo superficial (menos severas);
\u2022 geadas negras: sem gelo superficial (mais severas). 
Uma das consequências das geadas é a forte desidratação do tecido associada à formação 
dos cristais de gelo intercelular. Observe, no infográfico a seguir, outras consequências fisio-
lógicas das baixas temperaturas sobre o cafeeiro.
15ºC
No café arábica, quedas de 
24 °C para 15 °C causam redução 
de 15% na assimilação 
fotossintética do carbono após o 
primeiro dia de frio, e 40% após o 
sexto dia. No conilon, esses 
números podem ser ainda piores.
6ºC
Sucessivas noites a 6 °C 
prejudicam as plantas por vários 
dias até recuperarem a 
fotossíntese e a translocação de 
fotoassimilados.
4ºC
Uma noite a 4 °C é suficiente para 
reduzir a taxa fotossintética do 
próximo dia à metade por distúrbios 
das atividades fotoquímica e 
bioquímica dos cloroplastos, e pela 
resistência estomática.
-2ºC
Cafeeiros ficam severamente 
danificados a temperaturas 
abaixo de -2 °C.
13ºC
Quando abaixo de 13 °C, a planta para 
o crescimento da parte aérea por 
várias desordens fisiológicas, como 
drástica redução da translocação de 
fotoassimilados, da fotossíntese e da 
assimilação do nitrogênio pelas folhas.
0ºC a 5ºC
Distúrbio letal pela defasagem de água 
entre transpiração e reposição pela 
absorção radicular e pela translocação via 
xilema (alta viscosidade da água) quando a 
temperatura fica entre 0 °C e 5 °C por várias 
horas. Leva à superbrotação, com brotos 
novos distorcidos, murchos e negros.
0ºC
Estrangulamento da \u201ccasca\u201d na base do 
ortotrópico, denominada \u201ccanela de 
geada\u201d, quando a temperatura do ar 
próximo à superfície do solo é inferior a 
0 °C, causando grande desordem 
fisiológica do floema.
-3,5ºC
Morte a temperaturas próximas a -3,5 
°C, independentemente da velocidade 
do descongelamento.
Técnicas de Produção Vegetal
73
 Altitudes maiores e ventos frios também podem ser prejudiciais, promovendo a descoloração 
branco-amarelada, inicialmente na margem e, depois, em todo o limbo das folhas em 
crescimento, pela destruição da estrutura dos cloroplastos, ou sítios fotossintéticos.
Para lidar com essas características de clima, primeiramente, deve-se escolher o local 
adequado para o plantio das culturas. Como o ar frio é mais pesado que o ar quente, ele se 
concentra nas partes mais baixas. Por isso, é importante promover a abertura de corredores 
com largura aproximada de 100 metros (fazendo a derrubada de árvores em faixas dentro 
das metas permitidas), o que possibilita a saída do ar frio, canalizando-o para as baixadas. 
As coberturas mortas funcionam como camada isolante do calor liberado pelo solo durante 
a noite. Assim, sempre que possível, a vegetação sem interesse para o lavrador deve ser 
removida. O solo nu absorve o calor do sol durante o dia e devolve-o durante a noite, reduzindo, 
dessa forma, o resfriamento e as possibilidades de geadas.
Tópico 5: Nutrição do Cafeeiro
No tema anterior, você viu que a adubação começa com a análise do solo, continua com a 
correção da acidez e termina com a aplicação do adubo. Para isso, é preciso um planejamento 
anual das adubações considerando os seguintes passos:
\u2022 análise das últimas produções gleba por gleba;
\u2022 análise do sistema radicular (pragas de solo);
\u2022 análise da física do solo (adensamento);
\u2022 análise química do solo (macro e micronutrientes / de maio a julho);
\u2022 análise de folha (dezembro/fevereiro);
\u2022 eliminação de lavouras de baixa produtividade.
Observe, na figura a seguir, a profundidade das raízes absorventes.
PROFUNDIDADE
(cm)
RAÍZES 
ABSORVENTES
(%)
90
7
1
2
30
60
90
120
150
180
210
Curso Técnico em Agronegócio
74
De acordo com a análise de solo, podemos fazer as seguintes adubações:
Adubação verde
A adubação verde é uma das práticas mais recomendadas, pois aproveita outras espécies 
consideradas como adubo verde (mucuna anã \u2013 Stizolobium sp., labe labe \u2013 Dolichos lablab, 
Crotalaria spectabilis, entre outras). Elas fornecem matéria seca que enriquece o solo com 
matéria orgânica, auxiliando na retenção da umidade do solo e no controle de invasoras. É 
preciso, apenas, tomar cuidado para não gerar competição dessas plantas com o cafeeiro. São 
cultivadas entre as linhas da lavoura de café, atuando no suprimento de nitrogênio e outros 
nutrientes, e na melhoria da fertilidade do solo.
Adubação orgânica
A adubação orgânica é indispensável em solos em processo de degradação ou, mesmo, nos 
degradados (depauperados) com menos de 2% de matéria orgânica. A forma mais racional do 
uso de adubação orgânica é procurar usar adubos disponíveis na propriedade, respeitando 
o período de 30 a 60 dias entre o enchimento da cova e o plantio. A adubação orgânica bem-
equilibrada pode dispensar a adubação química.
Adubação química foliar
Para definir a necessidade de adubação foliar, é preciso fazer uma análise. Para isso, coleta-se 
uma amostra do terceiro ou do quarto par de folhas, dos quatro lados, enviando-a para um 
laboratório especializado. A adubação foliar pode ser preventiva ou complementar, ou ainda 
corretiva, quando visa corrigir uma ou mais deficiências nutricionais em determinado estágio de 
desenvolvimento da planta.
1. Aspectos práticos da nutrição
Calagem
Em lavouras novas ou com espaçamentos mais largos, o calcário deve ser aplicado na área 
de projeção da copa \u2013 a parte do solo que fica coberta pelos ramos. Essa área concentra 
quase todas as raízes (sistema radicular) e possui grau de acidificação maior em função 
da aplicação localizada de fertilizantes. Em lavouras adensadas, a aplicação deve ser feita, 
também, sobre toda a superfície do terreno.
Gesso
Para definir os requisitos para a gessagem, faz-se a análise de 20 cm a 40 cm do solo. Ela é 
indicada quando o teor de cálcio no subsolo é inferior ou igual a 0,4 cmolc/dm
3 de Ca2+, ou 
ainda se teor de alumínio for alto \u2013 superior a 0,5 cmolc/dm
3 de Al3+ ou com saturação por Al3+ 
maior que 30%. 
Técnicas de Produção Vegetal
75
Fósforo
Sugere-se o uso de 200 g a 400 g de fosfato natural por cova ou metro de sulco. Para isso, 
deve-se calcular a quantidade de P2O5 disponível no fosfato natural, completando a dose com 
uma fonte mais solúvel