UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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Tópico 4: Fenologia \u2013 a Vida da Planta em Relação às Condições Am-
bientais
Sendo uma gramínea (Poaceae), a cana-de-açúcar é uma planta C4, ou seja, apresenta maior 
taxa fotossintética e de eficiência na utilização e no resgate de CO2 (gás carbônico) da atmosfera.
A cana-de-açúcar é adaptada às condições de alta intensidade luminosa e altas temperaturas. 
A umidade do solo é importante principalmente durante sua fase de crescimento, já que a 
cultura necessita de grandes quantidades de água para suprir as suas necessidades hídricas 
\u2013 30% de seu peso é matéria seca e 70%, água. Sua capacidade de absorver água pelas 
folhas é maior do que a de qualquer outra planta de sua família. No entanto, são as raízes, 
 através dos seus pelos absorventes, as responsáveis pela maior quantidade de absorção 
de água. O orvalho da madrugada e os chuviscos, que não chegam a atingir o solo, são 
absorvidos por suas folhas.
O conhecimento do ciclo da cultura é importante para melhor manejá-la, pois se sabe que 
qualquer produção vegetal que vise à máxima produtividade econômica fundamenta-se na 
interação de três fatores: a planta, o ambiente de produção e o manejo. 
O processo produtivo canavieiro possui três objetivos básicos: 
\u2022 produtividade \u2013 alta produção de fitomassa por unidade de área, isto é, elevado 
rendimento agrícola de colmos industrializáveis onde a sacarose é armazenada; 
\u2022 qualidade \u2013 riqueza em açúcar dos colmos industrializáveis, caracterizando matéria-prima de 
qualidade. Quando associada à produtividade, reflete-se na produção por unidade de área;
\u2022 longevidade do canavial \u2013 visa aumentar o número de cortes econômicos, refletindo-
se em prazo maior de tempo entre as reformas do canavial, que são os novos plantios, 
resultando em maior economicidade do empreendimento.
1. Cana planta e cana soca
A cana-de-açúcar é plantada comercialmente em grande escala, mas também em pequena 
escala para a produção de forragem para o gado. Ela se propaga assexuadamente, por 
meio da germinação de suas gemas. Normalmente, o plantio se faz enterrando-se os caules 
(colmos) ou as mudas de idade não superior a 12 meses. Uma vez plantada, a cana-de-açúcar 
permanecerá produzindo durante quatro ou cinco anos consecutivos ou até a produtividade 
ser menor que 60 t/ha, quando então é feita a reforma do canavial. 
O ciclo da cana plantada pela primeira vez, isto é, oriunda de muda e que receberá o primeiro 
corte, recebe o nome de ciclo da \u201ccana planta\u201d; a de segundo corte é a \u201ccana soca\u201d e a de 
terceiro corte em diante é a \u201cressoca\u201d. 
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Fonte: Shutterstock
Nas condições de clima predominantes no Centro-Sul do Brasil, efetua-se o plantio em duas 
épocas distintas:
Primeira época \u2013 de setembro a novembro, no início da estação chuvosa e quente. Nessas 
condições, a cana-de-açúcar apresenta ciclo de duração média de 12 meses, denominado 
popularmente de \u201ccana de ano\u201d. A cana de ano tem seu desenvolvimento máximo de 
novembro a abril, diminuindo a partir deste mês devido às condições climáticas adversas, com 
possibilidade de colheita, dependendo da variedade, a partir do mês de julho. Observa-se que, 
após o plantio do tolete, ocorre a brotação, e a cana-de-açúcar vegeta (cresce em tamanho) 
ininterruptamente até abril, para então amadurecer. Tem-se, então, aproximadamente oito 
meses de desenvolvimento vegetativo e quatro meses para ocorrer a maturação.
Segunda época \u2013 o plantio é realizado no período de janeiro a início de abril, no meio da 
estação chuvosa e quente e em direção ao outono. Alguns produtores ou unidades prolongam o 
plantio até maio. A cana-de-açúcar, nessas condições, passa em repouso a primeira estação de 
inverno, sendo cortada na segunda estação de inverno. A cultura apresenta, assim, ciclo variável 
de 14 a 21 meses, conforme a data do plantio e a época de maturação da variedade utilizada, 
recebendo a denominação de \u201ccana de ano e meio\u201d. Assim, a fase de maior desenvolvimento 
da cultura processa-se realmente de outubro a abril, com pico máximo de crescimento de 
dezembro a abril. Nota-se que o desenvolvimento da cana-de-açúcar é favorecido nos três 
meses iniciais, sendo limitado por cinco meses (de abril a agosto). Em seguida, durante sete 
meses (de setembro a abril), a planta de cana volta a vegetar com toda intensidade e, então, 
amadurece nos meses de inverno. Desse modo, tem-se aproximadamente dez meses de 
desenvolvimento vegetativo, o que resulta em maior produção. Após, o corte da cana planta, 
inicia-se um novo ciclo de aproximadamente 12 meses \u2013 é o ciclo das soqueiras, ou cana soca.
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2. Estágios fenológicos da cana-de-açúcar
O ciclo da cana-de-açúcar se inicia quando há a emergência do primeiro broto, mas na 
soca (segundo ciclo de produção), como a touceira já está formada, ocorre o surgimento de 
vários brotos concomitantemente na mesma touceira. Além disso, a brotação da soca se 
dá pelo rizoma da cana que foi colhida. Nessa fase inicial da cultura, ocorrem a brotação, 
o enraizamento e a emergência dos brotos entre 20 e 30 dias após o plantio. Como o broto 
depende das reservas presentes no tolete, a brotação depende muito da qualidade da muda, 
além do ambiente, da época e do manejo de plantio. 
A velocidade com que emerge a brotação do tolete depende do cultivar (emergência rápida 
ou lenta), do estado nutricional e da umidade do tolete, da umidade no solo e no ar, da tem-
peratura (ótima entre 34 °C e 37 °C, e limitante abaixo de 21 °C e acima de 44 °C) e da aeração 
do solo (compactação e drenagem deficientes causam falta de oxigênio para a respiração dos 
tecidos e das raízes).
CRE
SCI
ME
NTO
MATURAÇÃO
CO
RTE
PLANTIO BROTAÇÃO BROTAÇÃO
CO
RTE
CO
RTE
BROTAÇÃO REFORMA
1º Corte 2º Corte 3º Corte
Ciclo Agrícola
Ciclo da Reforma
O início do perfilhamento ocorre entre 20 e 30 dias após o plantio. Depois da emergência 
do perfilho primário na superfície do solo, e simultaneamente ao seu crescimento, observa-
se o desenvolvimento de novas raízes na base do colmo. Das gemas dos colmos primários 
originam-se os colmos secundários e, destes, desenvolvem-se os colmos terciários. À medida 
que esses colmos vão aparecendo, o seu sistema radicular vai aumentando o sistema radicular 
da touceira. O número de perfilhos por unidade de área é uma variável importante porque 
está associado à produtividade dos cultivos. Quando os perfilhos maiores chegam a 50 cm 
de altura do colarinho da folha \u201c+1\u201d, começa a concorrência por luz, água e nutrientes entre 
as plantas. O número de perfilhos se estabiliza e, depois, com o crescimento dos colmos 
dominantes, há a eliminação dos mais fracos, doentes e mal posicionados.
A fase de crescimento dos colmos é caracterizada pelo aumento da altura dos colmos sobre-
viventes da fase de perfilhamento. De 60 a 120 dias após o plantio \u2013 DAP, aproximadamente 
100% do sistema radicular concentra-se nos primeiros 30 cm de solo e as raízes do tolete já 
não existem. Quando a planta atinge o perfilhamento máximo e a competição entre eles se 
intensifica, os mais desenvolvidos continuam crescendo em altura e espessura. Sem a utili-
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zação da energia química produzida na fotossíntese para emitir perfilhos, começa o acúmulo 
de sacarose nos entrenós basais dos colmos mais velhos. Nessa fase, as folhas mais velhas 
secam e há um crescimento intenso do sistema radicular. Essa fase inicia-se no auge do per-
filhamento e vai até o início do acúmulo intenso de sacarose (maturação). No entanto, cabe 
destacar que isso varia com a nutrição da planta, o sistema de irrigação, o sistema de colheita 
(manual ou mecanizado) etc.
Tópico 5: Planejamento e Instalação da Cultura
No planejamento agrícola, é importante o conhecimento do potencial produtivo da região. Os 
principais fatores que