UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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de solo e da época de aplicação. Quando se utiliza a água, devem-se levar em consideração 
apenas os últimos fatores.
Técnicas de Produção Vegetal
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Tópico 7: Plantas Daninhas, Doenças e Pragas
1. Plantas daninhas em cana-de-açúcar
As plantas daninhas se adaptam facilmente aos ambientes que apresentam estresse hídrico, 
alta umidade, temperatura e fertilidade desfavoráveis, elevada salinidade e excessiva acidez 
ou alcalinidade. Essa alta resistência às adversidades externas é o principal fator para a 
propagação dessas plantas, que causam: redução da produção agrícola, manifestação de 
alergia e intoxicação do homem e de animais, infestação de áreas não agrícolas, infestação de 
canais de irrigação e danos a implementos agrícolas.
As plantas daninhas podem ser eliminadas por três grandes grupos de controle: mecânico, 
químico e cultural. Esses controles apresentam vantagens e limitações, e demandam o uso 
simultâneo de, no mínimo, duas dessas práticas.
 
As principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar: tiriri-
ca (Cyperus spp.), grama-seda (Cynodon dactylon), capim-brachiaria 
(Brachiaria decumbens), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), 
capim-colonião (Panicum maximum), capim-colchão (Digitaria horizon-
talis), capim-camalote (Rottboelia exaltata), capim-pé-de-galinha (Eleu-
sine indica), corda-de-viola (Ipomoea spp.), caruru (Amaranthus spp).
Uma das formas de lidar com elas é o manejo integrado de plantas daninhas. Trata-se 
da combinação de diferentes práticas agrícolas que possam colaborar, simultaneamente, 
com o controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Na cana-de-açúcar, o manejo 
integrado é a combinação de diferentes controles de plantas daninhas que objetivam 
maior eficácia e, ao mesmo tempo, diminuição dos custos e dos prejuízos ao solo, à água, 
aos homens, aos animais etc. Por exemplo, o controle químico seguido de um controle 
cultural, o controle mecânico seguido do controle químico, e assim por diante, dependendo 
das necessidades de controle.
2. Doenças da cana-de-açúcar
Mais de cem doenças podem afetar a cana-de-açúcar, porém, apenas dez delas causam prejuízo 
direto ou constituem ameaças futuras. A maioria das doenças é controlada via resistência 
genética, isto é, os programas de melhoramento incorporam a resistência às principais 
doenças nas novas cultivares. No entanto, a resistência não é absoluta, e sim gradual.
Muitas cultivares podem apresentar predisposição a algumas doenças. Sendo assim, apesar 
do bom nível de sanidade dos canaviais, em geral, quando comparados com outros cultivos, 
podem ser necessárias algumas práticas de controle e manejo para que os prejuízos causados 
pelas doenças sejam minimizados. 
 
Vale ressaltar que, na cultura de cana-de-açúcar, não se pulveriza, 
absolutamente, nenhum produto químico fungicida ou bactericida na 
lavoura, ao contrário do que acontece na maioria dos outros cultivos.
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As dez principais doenças que atualmente requerem controle podem ser classificadas segundo 
o agente causal:
\u2022 doenças causadas por vírus: mosaico;
\u2022 doenças causadas por bactérias: escaldadura das folhas, estrias vermelhas, raquitismo 
da soqueira;
\u2022 doenças causadas por fungos: carvão, ferrugem, mancha parda, podridão abacaxi, 
podridão de fusarium, podridão vermelha.
A medida mais eficaz para a maioria das doenças em cana é a resistência varietal \u2013 melhoramento 
genético.
3. Pragas da cana-de-açúcar
Os danos causados por insetos à cana são variados e podem ser observados em todos 
os órgãos vegetais. Devido ao ataque de pragas, a cultura de cana-de-açúcar contabiliza 
anualmente perdas muito altas. 
Para o controle eficiente das pragas, são necessárias as corretas identificação e quantificação, 
e, consequentemente, uma associação de métodos de controles cultural, comportamental, 
físico, biológico, químico, entre outros.
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Atenção
O uso incorreto dos defensivos agrícolas pode colaborar para o aumento 
das pragas, forçando uma evolução e o surgimento de espécies resistentes a 
determinados inseticidas, causando redução da produtividade pela dificuldade 
de controle.
No manejo integrado de pragas, um conjunto de medidas visa manter os prejuízos das pra-
gas abaixo do nível de dano econômico, possibilitando a diminuição do uso de defensivos 
agrícolas e contribuindo para a sobrevivência dos inimigos naturais. As principais pragas são 
divididas em grupos:
\u2022 pragas de solo e raiz: cigarrinha da raiz (Mahanarva fimbriolata), migdolus (Migdolus fryanus), 
Sphenophorus levis, broca peluda (Hyponeuma taltula), cupins e lagarta-elasmo (Elasmopalpus 
lignosellus); 
\u2022 pragas da parte aérea: broca-da-cana (Diatraea saccharalis), broca gigante (Telchin licus) e 
formigas\u2013cortadeiras;
\u2022 parasitas: nematoides.
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Fonte: Wikimedia Commons.
Controle: além do controle químico, podem-
se utilizar os controles biológico e de 
feromônios, e medidas culturais de controle 
de pragas de cana-de-açúcar, que são táticas 
viáveis, comprovadas cientificamente e 
acessíveis aos produtores. Além de excelente 
retorno econômico, a utilização dessas táticas 
auxilia no equilíbrio do ambiente, na obtenção 
de produtos saudáveis e na saúde dos 
trabalhadores rurais.
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Leitura complementar
Para mais informações sobre pragas e doenças da cana-de-açúcar, consulte a 
Caderneta de Pragas do Centro de Tecnologia Canavieira disponível na biblioteca 
do AVA.
Tópico 8: Colheita e Parâmetros de Qualidade
A época de colheita da cana no Brasil varia de acordo com a região. Nas regiões Sudeste, 
Centro-Oeste e Sul, a colheita inicia-se entre abril e maio, prolongando-se até novembro \u2013 
período em que a cana atinge a maturação plena. Na Região Nordeste, a colheita inicia-se 
de julho a agosto e se prolonga até março do ano seguinte em alguns casos. O sistema de 
colheita pode ser: 
\u2022 manual: o corte e o carregamento são feitos manualmente;
\u2022 semimecanizado: o corte é feito de forma manual e o carregamento, por carregadoras 
mecânicas, em unidades de transporte;
\u2022 mecanizado: o corte utiliza cortadoras de cana inteira com carregamento mecânico ou 
colhedoras de cana picada, que são comumente mais usadas.
Dois tipos de fatores afetam a qualidade da ca-
na-de-açúcar: os que são relacionados à com-
posição da cana e os que são relacionados a 
materiais estranhos ao colmo. Os principais 
fatores relacionados à qualidade da cana-de-
-açúcar são a POL (sacarose aparente), a pure-
za, os açúcares redutores totais \u2013 ATR na cana, 
o teor de açúcares redutores, a percentagem 
de fibra e os tempos de queima e corte. 
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Encerramento do tema
Você chegou ao fim de mais um tema desta unidade curricular. A cana-de-açúcar é muito 
expressiva no agronegócio brasileiro e se destaca, principalmente, em função das produções 
de açúcar e álcool, o que exige qualidade da matéria-prima. Por isso, é essencial conhecer a 
morfologia da planta, seus ciclos, a implantação da cultura, a adubação, as plantas daninhas, 
as pragas e as doenças. Neste tema, você viu, ainda, detalhes sobre a colheita, épocas de 
plantio e formas de manejo. A seguir, estudaremos a cultura da soja.
Atividade de aprendizagem 
1. A cultura de cana-de-açúcar é matéria-prima do álcool e do açúcar, além de outras 
atividades que também são de grande importância socioeconômica, gerando empregos 
direta e indiretamente. Quais atividades podem ser citadas como exemplos?
a) Produção de vinho, cachaça e energia.
b) Produção de cerveja, forragem e energia.
c) Produção de vinho, forragem e energia.
d) Produção de cachaça, forragem e energia.
Cultura da Soja
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Tema 6: Cultura da Soja
A safra brasileira de soja deve ficar em torno de 91 milhões