UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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precoce ocorre, principalmente, em decorrência de temperaturas mais altas, 
podendo acarretar diminuição na altura da planta. Esse problema pode se agravar se, 
paralelamente, houver insuficiência hídrica e/ou fotoperiódica durante a fase de crescimento. 
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As diferenças de datas de floração entre cultivares, em uma mesma época de semeadura, 
também ocorrem como resposta aos diferentes comprimentos do dia e, consequentemente, 
ao tempo de exposição à luz \u2013 fotoperíodo. A sensibilidade ao fotoperíodo é característica 
variável entre cultivares, ou seja, cada cultivar possui seu fotoperíodo crítico, acima do qual o 
florescimento é atrasado. 
A soja é considerada planta de dia curto. Em função dessa característica, a faixa de 
adaptabilidade de cada cultivar varia à medida que se desloca em direção ao norte ou ao sul. 
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d
Comentário do autor
Entretanto, cultivares que apresentam a característica \u201cperíodo juvenil longo\u201d 
possuem adaptabilidade mais ampla, possibilitando sua utilização em faixas mais 
abrangentes de latitudes (locais) e de épocas de semeadura.
3. Planejamento do plantio 
O sistema de produção de soja na região central do Brasil, algumas vezes, ainda tem como 
forma de preparo do solo o uso continuado de grades de discos, com várias operações 
anuais. Como resultado, ocorre degradação da estrutura do solo, com formação de camadas 
compactadas, encrostamento superficial e perdas por erosão.
O sistema de plantio direto pode ser a melhor opção para diminuir 
problemas no solo, pois seu uso contínuo proporciona efeitos 
significativos na conservação e na melhoria do solo e da água, no 
aproveitamento dos recursos e dos insumos, como os fertilizantes, 
na redução dos custos de produção, na estabilidade de produção 
e nas condições de vida do produtor rural e da sociedade.
Para que garantir os benefícios desse sistema, tanto os agricultores como a assistência técnica 
devem estar abertos a mudança, conscientes de que o plantio direto é importante para alcan-
çar êxito e sustentabilidade na atividade agrícola. Além disso, o conhecimento detalhado da 
propriedade agrícola é essencial. 
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O sistema de plantio direto pressupõe a cobertura permanente do solo, que, preferencialmente, 
deve ser de culturas comerciais ou, quando não for possível, culturas de cobertura do solo. Tal 
cobertura deverá resultar do cultivo de espécies que disponham de certos atributos, como: 
\u2022 produzir grande quantidade de massa seca;
\u2022 possuir elevada taxa de crescimento;
\u2022 ter certa resistência à seca e ao frio;
\u2022 não infestar áreas e ser de fácil manejo;
\u2022 ter sistema radicular vigoroso e profundo;
\u2022 ter elevada capacidade de reciclar nutrientes;
\u2022 ser de fácil produção de sementes;
\u2022 apresentar elevada relação C/N \u2013 proporção de carbono contida no material em relação 
ao nitrogênio. 
 As indicações das espécies a serem cultivadas para cobertura e produção de palha devem ser regionalizadas o máximo possível.
Na colheita, o picador deve ser regulado de modo a promover a trituração mínima dos resíduos. 
No entanto, é preciso garantir a perfeita distribuição da palha por meio da regulagem do 
espalhador de palha para facilitar as operações de semeadura e o controle de invasoras pelo 
uso de herbicidas. 
O manejo das culturas destinadas à proteção, à recuperação do solo e à adubação verde 
deve ser realizado por meio do uso da roçadora, da segadeira, do rolo faca ou de herbicidas, 
durante a fase de florescimento. Embora o rolo faca seja usado e indicado, deve-se ter em 
mente que é um implemento que pode causar compactação, devendo ser utilizado quando a 
umidade do solo for baixa.
`
Atenção
Qualquer que seja o sistema adotado para a implantação da cultura principal, 
a queima dos restos culturais ou das vegetações de cobertura do solo deve 
ser evitada. Além de reduzir a infiltração de água e aumentar a suscetibilidade 
à erosão, contribui para a diminuição do teor de matéria orgânica do solo e, 
consequentemente, da capacidade da retenção de cátions trocáveis.
O manejo da cobertura do solo, mecânico ou químico, é a operação que visa matar as plantas 
de cobertura, mantendo os restos culturais (palha) sobre a superfície do solo, formando a 
camada de palha que o protege e permite aumentar a eficiência do SPD. As espécies indicadas 
para este fim apresentam particularidades de manejo, que devem ser conhecidas e utilizadas 
de modo a se obterem os melhores resultados quanto à cobertura do solo, ao controle de 
ervas, à reciclagem de nutrientes e à facilidade de semeadura da soja. 
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Por exemplo, a cultura da aveia preta, normalmente, pode ser manejada no final da floração 
e no início da formação das primeiras sementes. Se o manejo da aveia for mecânico, 
principalmente nos anos de maior precipitação, poderá ocorrer rebrota e maturação de 
muitas plantas, fazendo com que ela seja infestante no ano seguinte. Já o nabo forrageiro 
deve ser manejado na fase final de floração e quando apresentar a formação das primeiras 
sementes. Essa cultura apresenta elevada taxa de decomposição (relação C/N baixa), assim, 
as formas de manejo que fragmentam mais intensamente a massa verde e proporcionam 
maior contato com o solo resultarão na decomposição mais rápida. Nesse caso, a cobertura 
do solo será menos duradoura, porém a disponibilização dos nutrientes reciclados se dará 
antecipadamente. O manejo químico deverá ser efetuado com os herbicidas específicos.
4. Preparo do solo
No preparo do solo, considere que o sistema de plantio direto é o mais adequado. Caso não 
possa adotá-lo, lembre-se de que o preparo do solo compreende um conjunto de práticas que, 
quando usadas racionalmente, podem permitir a preservação do solo e boas produtividades 
das culturas a baixo custo. Entretanto, quando usadas de maneira incorreta, podem rapidamen-
te levar o solo às degradações física, química e biológica, diminuindo o seu potencial produtivo.
O solo deve ser preparado com o mínimo de movimentação e operações possível, sem 
diminuir a profundidade de trabalho, deixando rugosa a sua superfície e mantendo o máximo 
de resíduos culturais sobre ela.
Essa prática é indicada, pois, em áreas onde o solo foi sempre preparado superficialmente, o 
manejo profundo poderá trazer para a superfície a camada de solo não corrigida, contendo 
alumínio, manganês e ferro em níveis tóxicos e com baixa disponibilidade de fósforo, 
prejudicando o desenvolvimento das plantas. Nesse caso, é necessário conhecer a distribuição 
dos nutrientes e o pH no perfil do solo.
Preparo primário 
do solo
O preparo primário do solo (aração, escarificação ou gradagem pesada) 
deve atingir uma profundidade adequada ao próprio equipamento. Em 
substituição à gradagem pesada, deve-se utilizar aração ou escarificação. 
Preparo 
secundário do solo
O preparo secundário do solo (gradagens niveladoras), se necessário, deve 
ser feito com o mínimo de operações e próximo à época de semeadura.
 Escarificação
Técnica que rompe a camada superficial do solo com hastes, movimentando o solo sem a 
inversão da leiva. Substitui, com vantagem, a aração e a gradagem pesada, desde que se reduza 
o número de gradagens niveladoras. Além disso, possibilita a permanência, do máximo possível, 
de resíduos culturais na superfície, o que é desejável.
O preparo do solo, portanto, deve ser realizado considerando-se o implemento, a profundida-
de de trabalho, a umidade adequada e as condições de fertilidade.
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Quando forem usados o arado e a grade para preparar o solo, considere como umidade 
ideal a faixa variável de 60% a 70% da capacidade de campo para solos argilosos, e de 60% a 
80% para solos arenosos \u2013 conhecida como