UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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\u201cfaixa de umidade friável\u201d. Quando for usado o 
escarificador visando à quebra de camadas compactadas, a faixa ideal de umidade será de 
30% a 40% da capacidade de campo para solos argilosos.
'
Dica
Para detectar a condição ideal de umidade no campo, aperte, entre o polegar e 
o indicador, um torrão de solo coletado na profundidade média de trabalho do 
implemento \u2013 ele deve desagregar-se sem oferecer resistência.
Dentre os nutrientes, o mais crítico na produção agrícola é o nitrogênio, pois é necessário em 
elevados volumes e custa caro, devido à grande quantidade de energia gasta para produzi-
lo. Entretanto, os produtores de soja brasileiros não aplicam nenhum adubo nitrogenado 
nos cultivos de soja. Isso é possível por meio do tratamento das sementes com bactérias 
capazes de captar o nitrogênio presente no ar (Fixação Biológica de Nitrogênio \u2013 FBN), 
dispensando a adição de N por adubos.
É indispensável o fornecimento de 2 a 3 g/ha de cobalto (Co) e de 12 a 30 g/ha de molibdênio 
(Mo), que são nutrientes essenciais para a FBN. O molibdênio também é essencial para a 
redução de nitrato para nitrito e de nitrogênio atmosférico para amônio na planta. A 
aplicação desses micronutrientes pode ser realizada via semente ou via foliar, nos estágios de 
desenvolvimento V3 a V5, apresentados mais adiante.
A
Link
Acesse o AVA e assista ao vídeo sobre os conceitos e os benefícios da Fixação 
Biológica de Nitrogênio \u2013 FBN.
Em relação à aplicação de doses de micronutrientes no solo, esses elementos, de fontes 
solúveis ou insolúveis em água, são aplicados a lanço, desde que o produto satisfaça a dose 
indicada. O efeito residual dessa indicação atinge, pelo menos, um período de cinco anos. 
Indicação da aplicação de doses de micronutrientes no solo para a cultura da soja
Teor
B 
(Boro)
Cu 
(Cobre)
Mn 
(Manganês)
Zn 
(Zinco)
--------------------kg/ha--------------------
Baixo 1,5 2,5 6,0 6,0
Médio 1,0 1,5 4,0 5,0
Alto 0,5 0,5 2,0 4,0
Muito alto 0,0 0,0 0,0 0,0
Fonte: SFREDO et al. (2008), adaptado de SFREDO, LANTMANN e BORKERT (1999).
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Para a reaplicação de qualquer micronutriente, indica-se a análise de folhas para diagnosticar 
possíveis deficiências ou toxicidade de micronutrientes. Na soja, esse é um instrumento 
efetivo para a indicação da correção, via adubação, de algum desequilíbrio nutricional. Porém, 
as correções só se viabilizam na próxima safra, considerando-se que, para as análises, a 
amostragem de folhas é indicada no período da floração, a partir do qual não é mais eficiente 
realizar qualquer correção de ordem nutricional.
Quando o teor de determinado micronutriente estiver acima do nível \u201cAlto\u201d, não se deve 
aplicá-lo a fim de prevenir possível toxicidade.
Tópico 3: Morfologia e Fenologia
1. Morfologia
A planta de soja é uma dicotiledônea cuja estrutura é formada pelo conjunto de raízes e pela 
parte aérea. O desenvolvimento pode ser dividido em dois períodos, o vegetativo, desde a 
semeadura até o florescimento, e o reprodutivo, do florescimento à colheita.
Os primórdios das raízes e da parte aérea já se encontram presentes na semente. Durante 
a germinação, e logo após a emergência da plântula, ocorre o desenvolvimento do sistema 
radicular seminal, o desenrolamento das folhas primárias (seminais) e o desenvolvimento 
do meristema apical (tecidos embrionários responsáveis pelo crescimento primário da 
planta \u2013 crescimento vertical), que dará origem à parte aérea. Esse conjunto faz com que 
a plântula passe a absorver nutrientes do solo e a produzir fotoassimilados para seus 
crescimento e desenvolvimento.
A emergência ocorre de sete a dez dias após a semeadura, dependendo do vigor da semente, 
da profundidade de semeadura, da umidade, da textura e da temperatura do solo. As reservas 
e os nutrientes dos cotilédones suprem as necessidades metabólicas da plântula por até dez 
dias após a emergência.
O crescimento vegetativo da planta se dá com base na emissão de folhas ao longo do caule, 
que possui de 16 a 20 nós, cada qual com folhas trifolioladas, sob condições edafoclimáticas 
adequadas de crescimento. O número de ramos laterais (as ramificações) é variável de acordo 
com o cultivar, a nutrição mineral, o espaçamento entre plantas, a disponibilidade de água, a 
temperatura e a radiação solar. Geralmente, o maior ramo se desenvolve a partir de uma gema 
localizada na parte inferior do caule. Desse ramo, podem surgir outros ramos secundários 
menores. Cada ramo lateral tem estrutura similar à do caule principal e pode gerar outros 
ramos e flores, além das folhas.
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NÓDULOS
RAÍZES
LATERAIS
COTILÉDONES
PECÍOLO
FOLHA
UNIFOLIADA
FOLHA
TRIFOLIADA
(FOLÍOLO)
RAIZ PIVOTANTE RAMIFICADA
HIPÓCITO
GEMAS
AUXILIARES
PONTO DE
CRESCIMENTO
O
Informações extras
A planta de soja possui grande capacidade de regeneração. Se o ápice do caule 
for danificado ou quebrado, as gemas axilares remanescentes produzirão ramos, 
pois não terão mais o efeito inibitório da dominância apical. A gema apical do 
caule apresenta dominância sobre as gemas axilares durante a fase vegetativa de 
crescimento.
2. Estágios fenológicos
Você viu no início deste tópico que o desenvolvimento da planta pode ser dividido em 
duas fases: vegetativa (V) e reprodutiva (R). Subdivisões da fase vegetativa são designadas 
numericamente como V1, V2, V3, até Vn \u2013 menos os dois primeiros estágios, que são 
designados como VE (emergência) e VC (estágio de cotilédone). O último estágio vegetativo 
é designado como Vn, onde n representa o número do último nó vegetativo formado por 
um cultivar específico. O valor de n varia em função das diferenças varietais e ambientais. 
A fase reprodutiva apresenta nove subdivisões ou estágios, iniciando-se com a floração. 
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Observe, nas imagens a seguir, como se dá a evolução da planta de soja.
VE
Emergência
1 \u2013 radícula
VC
Da emergência aos cotilédones
2 \u2013 hipocótilo
3 \u2013 cotilédone
4 \u2013 primeiras folhas unifoliadas
5 \u2013 folhas unifoliadas desdobradas
V1
Primeiro nó. Folhas unifoliadas abertas
6 \u2013 nó cotiledonar
7 \u2013 nó unifoliado
8 \u2013 primeira folha unifoliada
V4
Quarto nó. Terceiro trifólio aberto
6 \u2013 nó cotiledonar
7 \u2013 nó unifoliado
9 \u2013 quarto nó
10 \u2013 terceiro trifólio
R1
Início da floração: até 50% das plantas com uma flor
11 \u2013 gemas florais fechadas
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R7.1-R7.3
Início de amarelecimento até quando tiver mais de 75% das folhas 
amarelas
19 \u2013 vagens amadurecendo
R8-R9
Início da desfolha à maturação de colheita
20 \u2013 grãos prontos para colheita
3. Cultivares
Uma das mais significativas contribuições à eficiência do setor produtivo de soja são os 
cultivares melhorados, portadores de genes capazes de gerar alta produtividade, ampla 
adaptação e boa resistência/tolerância a fatores bióticos ou abióticos adversos. O ganho 
genético proporcionado pelos novos cultivares ao setor produtivo tem sido muito significativo. 
d
Comentário do autor
Para informações detalhadas sobre as características dos cultivares de soja e 
suas exigências de manejo, consulte instituições como a Embrapa e a Fundação 
Pró-sementes \u2013 elas dispõem de diversas publicações que poderão orientá-lo.
4. Semente
A qualidade final do produto está diretamente relacionada à qualidade da semente, por isso, 
durante o processo de compra, o agricultor deve investigar o produto que está adquirindo. 
Existem laboratórios oficiais e particulares de análise de sementes que podem auxiliar nesse 
tipo de serviço, informando a germinação, as purezas física e varietal, e a qualidade sanitária 
da semente. Além disso, o produtor pode consultar documentos publicados que atestam a 
qualidade das sementes.
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