UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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na área. Dessa 
forma, dados de produtividade expressos por mapas são fundamentais, pois, a 
partir deles, pode-se estudar a relação entre causas e efeitos. 
A interpretação e a explicação dos fatos é a tarefa mais complexa, em que devem ser identifica-
dos os fatores que podem estar causando as baixas produtividades onde elas se manifestarem.
Outra grande diferença entre estratégias de aplicação da tecnologia pode ser quanto aos 
objetivos que o usuário pretende estabelecer. Pode-se buscar o aumento da produtividade 
ou a redução do consumo de insumos, por exemplo. Cada uma dessas visões tem muitos 
desdobramentos e compromissos.
Veja os exemplos das lavouras de grãos e de café. Em lavouras de grãos, o plantio direto é 
uma opção devido à economia de insumos, especialmente em anos em que os preços dos 
produtos estão baixos. Já um produtor de café, que trabalha com cultura de valor agregado 
significativamente maior, normalmente não deve focar a redução de consumo de insumos, e sim 
a busca pelo aumento de produtividade e qualidade do produto dentro dos limites econômicos. 
Ambos podem utilizar a agricultura de precisão para auxiliar nas tomadas de decisão.
Em um primeiro momento, as maiores chances de impacto da agricultura de precisão estão 
na economia de calcário e de fertilizantes, com a aplicação dessas substâncias em dose 
variável dentro de cada talhão. Esse tem sido o resultado para a maioria dos usuários que 
se aventuram nessa técnica, indicando que a prática anterior, de aplicação de dose única, 
resultava erro para mais, o que é perfeitamente compreensível quando a tomada de decisão 
pela recomendação de uma dose para toda a lavoura é feita de forma conservadora.
Já a busca por maiores produtividades com o uso da agricultura de precisão implica estraté-
gias mais elaboradas, que normalmente estão associadas àqueles usuários de maior porte, 
em lavouras comerciais que investiram mais em dados e conhecimento, e dispõem de ma-
pas de produtividade.
2. Condutividade elétrica aparente \u2013 CEa
Nem sempre os mapas de colheitas são suficientes para se compreenderem as diversas 
fontes de variabilidade da produção, além disso, podem não dar orientações completas sobre 
a influência da variabilidade do clima, das pragas, das doenças e das propriedades físico-
químicas do solo dentro de uma cultura em um determinado ano. 
Apesar de os mapas serem de grande auxílio, a agricultura de precisão não requer apenas 
a informação espacial para determinar onde e como aplicar uma ação. É preciso considerar, 
também, o momento de fertilizar, de aplicar pesticidas ou de irrigação, ou seja, precisamos 
saber também quando aplicar determinada ação.
O uso da condutividade elétrica aparente \u2013 CEa do solo tem demonstrado ser uma importante 
ferramenta para os trabalhos de agricultura de precisão. Suas facilidade, simplicidade e pra-
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ticidade levam à economia de tempo e custo na realização das tomadas de decisão das áreas 
de manejo e de variabilidade espacial das áreas de estudos. 
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Leitura complementar
A análise do nível de condutividade elétrica auxilia a detalhar as características do 
solo. Na biblioteca do AVA, você encontra um documento com mais informações 
sobre essa tecnologia.
3. Sensoriamento remoto \u2013 SR
As técnicas de sensoriamento remoto \u2013 SR obtêm as informações da lavoura de forma não 
destrutiva, rápida e, por vezes, a distância. As imagens de sensores remotos apresentam 
diferentes características úteis às mais variadas aplicações, desde estudos globais, programas 
de monitoramento contínuo em grandes áreas, até estudos pontuais em escalas detalhadas, 
como o ambiente urbano ou a agricultura de precisão. 
Essas técnicas auxiliam diagnósticos, como: a estimativa da produtividade, a avaliação 
nutricional, a detecção de pragas e doenças, a previsão do tempo e a avaliação da necessidade 
hídrica das plantas obtidas em local específico. Os dados obtidos têm sido utilizados para 
elaborar novas estratégias de gerenciamento que consideram a variabilidade espacial dos 
fatores que interferem na produtividade das culturas. 
Vamos ver um exemplo? Um dos métodos mais simples para identificar a presença de N 
(Nitrogênio) nas plantas consiste na observação do vigor da coloração verde. A indicação 
de clorose ou amarelamento das folhas, por exemplo, aponta falta de N. Com base nesse 
conhecimento, podem-se utilizar dados de sensores remotos em níveis de campo, aéreo e 
orbital para avaliar e estimar o conteúdo de N nas plantas. 
Isso porque a carência em N diminui a concentração dos pigmentos clorofilados, o que 
interfere na capacidade da planta de refletir a energia radiante (refletância espectral). Essa 
diferença pode ser detectada por sensores (satélites e fotos aéreas), e essa análise permite 
aplicar fertilizantes nitrogenados em taxas variáveis em tempo real somente onde necessário 
e na mesma operação, sem necessidade de um mapeamento prévio.
Fonte: Shutterstock
Curso Técnico em Agronegócio
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Informações extras
Na agricultura de precisão, você pode se deparar, ainda, com conceito de 
\u201cgeoestatística\u201d. Trata-se de uma ferramenta que utiliza variáveis regionalizadas na 
avaliação de variabilidade espacial por meio da extração e da organização dos dados 
disponíveis de acordo com a semelhança entre pontos vizinhos georreferenciados. 
4. Mapa de produtividade
Você já viu alguns exemplos de como os mapas podem auxiliar na gestão do sistema agrícola. 
O mapa da colheita é a informação mais completa para se visualizar a variabilidade espacial 
das lavouras. Várias outras ferramentas têm sido propostas para se identificarem as manchas 
existentes em um talhão, como fotografias aéreas, imagens de satélite e videografia. Todas 
têm seu potencial, porém, o mapa de produtividade materializa a resposta da cultura com 
a melhor exatidão possível, considerando as tecnologias existentes para a sua mensuração.
Na figura a seguir, você pode observar um mapa de produtividade gerado a partir dos dados 
obtidos pelo monitor. Trata-se de um conjunto de pontos no qual cada ponto representa 
uma pequena área delimitada pela largura da plataforma da colhedora, com intervalos de 
dois a três segundos.
Milho (ton ha-1)
76 - 1430
1430 - 2341
2341 - 3682
3682 - 5309
5309 - 8035
Fonte: Boletim Técnico \u2013 Agricultura de Precisão (MAPA, 2013).
Além das tecnologias que você viu até aqui, existe ainda uma série de outras aplicações 
para automatizar a coleta de características de solo e de plantas. As mais promissoras são 
aquelas que visam detectar plantas invasoras. Vários princípios têm sido estudados, desde a 
refletância até a textura de imagens para a diferenciação de plântulas na aplicação localizada 
de herbicidas.
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Comentário do autor
Novas tecnologias ainda serão desenvolvidas, mas um dos próximos passos é a 
integração entre as máquinas agrícolas e os sistemas de informação. Os formatos 
de dados de cada fabricante ainda não são compatíveis entre si, dificultando a 
comunicação e o fluxo mais dinâmico da informação. Para saber mais sobre essa 
evolução, informe-se sobre o ISOBUS, que é uma grande promessa!
Encerramento do tema
Uma mesma lavoura apresenta diferenças \u2013 há regiões de maior umidade, maior potencial 
de erosão, outras que apresentam melhor rendimento de fertilizantes, e assim por diante. 
Reconhecer a potencialidade de cada parte da lavoura e respeitar as diferenças pode 
trazer retornos econômicos e ambientais significativos. A agricultura de precisão é um 
sistema de gestão que visa obter maior retorno econômico e causar menor impacto ao 
meio ambiente. Há diversas técnicas e equipamentos sendo utilizados, com destaque para 
o uso de satélite, fotos aéreas e equipamentos informatizados, mas muito ainda há para 
se desenvolver nesse