UC7   Técnicas de Produção Vegetal
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UC7 Técnicas de Produção Vegetal


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pela água em uma célula, de dentro para 
fora, contra a parede celular de uma planta, sendo responsável pelo crescimento vegetal.
Assim como os animais, algumas culturas demandam grande quantidade de água nos 
seus processos fisiológicos. O arroz e a soja, por exemplo, necessitam de cerca de duas mil 
toneladas de água por tonelada de grãos. Já o trigo e o milho consomem mil toneladas de 
água por tonelada de grão. 
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Atenção
O uso de água, nesse caso, é considerado não consuntivo. Isso significa que a 
água utilizada retorna à fonte de suprimento quase que em sua totalidade. Ou 
seja, o consumo para o cultivo é apenas uma etapa no ciclo da água, servindo 
a agricultura, muitas vezes, como um filtro natural, que elimina muitos de seus 
contaminantes. Não é por menos que a agricultura irrigada se torna um possível 
destino de águas residuárias de várias origens.
A qualidade dos resíduos é o grande diferencial da água utilizada na agricultura. Diferente-
mente dos usos humano e industrial, que geram água de baixíssima qualidade, na agricultura 
bem feita, ela volta limpa. Além disso, o uso da irrigação na agricultura favorece a terceira 
safra no país, contribuindo para a produção de alimentos durante todo o ano.
As técnicas de irrigação nas culturas com maior volume de produção, como o milho e a soja, 
permitiram que a produção agrícola tivesse crescimento significativo nos últimos anos. A 
produtividade da agricultura irrigada brasileira chega a ser três vezes maior que a obtida 
com a agricultura tradicional. Em termos econômicos, o ganho com a irrigação é ainda mais 
expressivo: a produtividade na venda dos produtos irrigados é cerca de sete vezes maior.
Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Águas \u2013 ANA, são 5,5 milhões de hectares 
irrigados no país. Observe, na figura a seguir, as culturas e os estados com mais áreas irrigadas.
INFOGRÁFICO
1,7 milhão de hectares
Cana-de-açúcar
1,1 milhão de hectares
Arroz em casca
624 mil hectares
Soja
559 mil hectares
Milho em grão
195 mil hectares
Feijão de cor
984 mil hectares
Rio Grande do Sul
770 mil hectares
São Paulo
525 mil hectares
Minas Gerais
299 mil hectares
Bahia
270 mil hectares
Goiás
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Se considerarmos toda a água captada no país, 72% vão para a agricultura \u2013 o que condiz com a 
média mundial, de 70%. Mesmo considerando que essa água retorna, de certa forma, limpa para 
o ambiente, evitar o desperdício é preocupação constante. Nesse sentido, o governo, a Agência 
Nacional de Águas \u2013 ANA e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária \u2013 Embrapa têm 
desenvolvido ações e projetos para regulamentar e incentivar o consumo consciente de água.
Apesar de ainda apresentar altos índices de desperdício, o Brasil está à frente de muitos 
países considerados desenvolvidos quando se trata de ações para gerenciar o uso racional da 
água. A Agência Nacional de Águas, criada como desdobramento da Lei nº 9.443/97 (Lei das 
Águas), possui características institucionais e operacionais um pouco diferentes das demais 
agências reguladoras. A legislação atribuiu ao Poder Executivo federal a tarefa de implementar 
o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos \u2013 Singreh e a Política Nacional 
de Recursos Hídricos. A ANA vem regulamentando os usos atuais e futuros de água e dos 
barramentos, e fomentando a instalação de comitês de manejo de bacias hidrográficas, que 
têm a participação de toda a sociedade civil no processo decisório. 
O governo federal também tem investido no aperfeiçoamento e na ampliação da área irrigada 
no Brasil por meio de projetos que beneficiam agricultores familiares e aumentam a oferta de 
produtos. Entre as iniciativas desenvolvidas está o Programa Mais Irrigação, com investimentos 
de R$ 10 bilhões, em recursos federais e parcerias com a iniciativa privada, para aumentar a 
eficiência das áreas irrigáveis e incentivar a criação de polos de desenvolvimento.
Fonte: Shutterstock
Em outra frente, há o incentivo para que cada estado elabore planos diretores de irrigação, 
com indicadores, metas e prioridades para a agricultura irrigada. Esse é um instrumento estra-
tégico para a política pública voltada para o setor. Com a Política Nacional de Irrigação, estra-
tégias para o desenvolvimento da agricultura irrigada são estabelecidas, visando o aumento 
da produtividade de forma sustentável e a redução de riscos climáticos para a agropecuária.
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 Mesmo sendo responsável por 72% da captação de água, a agricultura pode reduzir o uso em 20% com boas práticas (EMBRAPA, 2015). 
Dois exemplos do benefício da irrigação são a fruticultura irrigada, no Nordeste, que permite 
o desenvolvimento de polos regionais de produção e exportação, e as lavouras de arroz, no 
Rio Grande do Sul. Para isso, conta-se com uma técnica chamada de \u201creservação\u201d, que prevê 
a distribuição adequada de água ao longo do ano.
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Comentário do autor
A regulamentação no uso da água e o licenciamento ambiental, embora sejam 
imprescindíveis para a sustentabilidade, ainda encontram resistência em 
serem adotados por grande parte dos usuários. Entre os motivos está a forma 
impositiva da regulação, a burocracia e o trabalho que o produtor rural tem 
para regularizar a sua situação. Você vivenciou ou conhece alguém que buscou 
essa adequação? Como você acha que podemos melhorar a conscientização 
dos produtores?
2. Solo
O solo é a camada mais externa e agricultável da superfície terrestre. Origina-se de rochas 
por ação de processos físicos, químicos e biológicos de desintegração, decomposição e 
recombinação, que podem levar milhões de anos. Existem cinco fatores na formação do solo: 
material de origem (rocha), tempo (idade), clima, topografia e organismos vivos. 
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No AVA, você encontra um vídeo sobre as características do solo e suas formação 
e importância. Acesse e confira!
Moreira e outros autores (2013), no livro O ecossistema solo, dizem que o solo é um material 
solto, macio, que cobre a superfície da Terra como a casca cobre a laranja. No entanto, ao 
contrário da casca da laranja, que apresenta superfície relativamente uniforme, os solos se 
diferenciam muito na superfície da Terra, tanto em relação à espessura, quanto em relação 
às suas características, como: cor, quantidade e organização de partículas (argila, silte e 
areia), fertilidade (capacidade em suprir nutrientes e água, e favorecer o crescimento das 
plantas), porosidade (quantidade e arranjamento dos poros), entre outras características. São 
constituídos por água, ar e materiais minerais e orgânicos, contendo ainda organismos vivos.
Existem diferentes classes de solos na natureza de acordo com suas características e perfis. 
No Brasil, temos o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, publicado originalmente pela 
Embrapa em 1999 e que está em constante atualização. Os solos mais comuns no Brasil são 
os latossolos e os argissolos, que ocupam aproximadamente 60% das terras brasileiras.
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Latossolos
São de textura variável, de média a muito argilosa, geralmente bastante 
profundos, porosos, macios e permeáveis, apresentando pequena diferença 
no teor de argila entre os horizontes superficiais e subsuperficiais do solo, 
sendo, comumente, de baixa fertilidade natural. Geralmente, não apresentam 
variação da cor e de textura à medida que aprofundamos no perfil do solo. 
Argissolos
Formam um grupo de solos bastante heterogêneos, os quais, em geral, têm 
em comum um aumento substancial no teor de argila em profundidade. 
São bem-estruturados, apresentam profundidade variável e cores 
predominantemente avermelhadas ou amareladas no horizonte B, com 
textura variando de arenosa a argilosa nos horizontes superficiais e de média 
a muito argilosa