UC7   Técnicas de Produção Vegetal
151 pág.

UC7 Técnicas de Produção Vegetal


DisciplinaAgroindústria e Agronegócio80 materiais1.346 seguidores
Pré-visualização35 páginas
naqueles mais profundos. Sua fertilidade é variada, no 
entanto, predominam aqueles de baixa fertilidade natural.
Os solos apresentam quatro funções básicas no ambiente de produção vegetal:
1. Suporte: o solo sustenta o crescimento das plantas, fornecendo suporte mecânico, água 
e nutrientes para as raízes, que, posteriormente, distribuem para a planta inteira e são 
essenciais à sua existência. O solo, por meio de suas características, pode determinar os 
tipos de vegetação e sua produtividade.
2. Controle da água: as características do solo determinam o destino da água na superfície da 
terra. A perda de água, a sua utilização, a contaminação e a purificação são afetadas pelo solo.
3. Reciclagem: o solo desempenha papel essencial na reciclagem de nutrientes e na produção 
de matéria orgânica ou húmus.
4. Habitat: um punhado de solo pode conter milhões de organismos vivos e mortos, que 
influenciam nas suas características, como a porosidade, que é responsável pelo movimento 
e pela manutenção da água e do ar no solo. 
Define-se a qualidade do solo pela sua capacidade em sustentar a produtividade biológica, 
manter a qualidade ambiental e promover a saúde vegetal e animal. Para isso, conta-se com 
indicadores físicos, químicos e biológicos.
Indicadores da 
qualidade física
Textura, estrutura, agregação, densidade, profundidade e porosidade 
(relacionada com a aeração, a infiltração e a disponibilidade de água).
Indicadores da 
qualidade química
Capacidade de Troca de Cátions \u2013 CTC, pH, teor de matéria orgânica, 
disponibilidade de nutrientes e elementos tóxicos do solo \u2013 por serem 
relativamente fáceis de avaliar.
Indicadores 
de qualidade 
biológica
Podem ser observados pela biomassa, pela respiração microbiana e 
pela atividade de determinadas enzimas relacionadas a elementos 
importantes (carbono, fósforo, nitrogênio e enxofre).
Técnicas de Produção Vegetal
31
Todos os componentes químicos, físicos e biológicos do solo estão diretamente relacionados, 
de modo que a alteração de qualquer um deles pelos diversos tipos de manejo, assim como 
pelo clima, pode levar a alterações em menor ou maior grau nos demais, com reflexo na 
qualidade do solo e na produção vegetal.
Aproximadamente, a metade do volume do solo consiste de espaços vazios (poros) de tama-
nhos variados, que podem ser preenchidos com água ou ar. A água do solo contém centenas 
de substâncias orgânicas ou inorgânicas, por isso é denominada de solução do solo. É por 
meio dessa solução que as plantas absorvem a maioria dos nutrientes. 
A figura a seguir mostra o volume que cada um dos componentes (ar, água, partículas orgânicas 
e minerais) deveria ocupar para o bom crescimento das plantas. 
Partículas orgânicas (5%)
Ar (25%)
Água (25%)
Partículas Minerais (45%)
Distribuição ideal dos quatro constituintes do solo para o bom crescimento das plantas
Esses quatro componentes interagem entre si, determinando a natureza do solo: solos bons 
são aqueles que contêm conteúdos similares de água e ar, ocupando aproximadamente 
metade de seu volume. A quantidade de água que entra no solo, por meio das chuvas, 
irá controlar a quantidade de ar, expulsando-o para a atmosfera. A água no solo é atraída 
pelas partículas minerais (principalmente argilas), o que determina seu movimento e sua 
disponibilidade para as raízes das plantas. As partículas orgânicas, por atuarem como uma 
cola que une as partículas minerais do solo em agregados, influenciam o tamanho dos poros 
e a quantidade de água e de ar presentes em um determinado solo.
Para estabelecer a aptidão agrícola e o potencial produtivo de uma região ou área para 
determinada cultura, faz-se um levantamento de informações relativas ao tipo, à característica 
e à distribuição dos solos nas paisagens, com estudos de clima e relevo regionais. Assim, 
pode-se decidir o que plantar e estimar a produtividade de uma cultura para cada tipo de solo 
sob determinadas condições climáticas (temperatura, chuva etc.). 
Curso Técnico em Agronegócio
32
c
Leitura complementar
Para saber mais sobre esse assunto, você pode consultar os boletins da Embrapa 
\u2013 eles contêm informações relevantes quanto à aptidão agrícola dos solos no 
Brasil. Confira como acessá-los no AVA.
Fonte: Shutterstock
3. Planta
O desenvolvimento dos vegetais ocorre na atmosfera próxima ao solo, sendo este o seu 
apoio, a sua base. Para o seu desenvolvimento, o sistema radicular absorve água e nutrientes 
(presentes no solo ou aqueles que foram disponibilizados via adubação), subdivididos em:
Macronutrientes
Nitrogênio \u2013 N (NO3
- e NH4
+)
Potássio \u2013 K (K+) 
Magnésio \u2013 Mg (Mg2+)
Fósforo \u2013 P (H2PO4
- e HPO)
Cálcio \u2013 Ca (Ca+)
Enxofre \u2013 S (SO4
-)
Esses elementos são essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas \u2013 sem eles, a 
planta não completa seu ciclo de vida. São denominados macronutrientes não por serem os mais 
importantes, mas sim por serem absorvidos em maior quantidade.
Técnicas de Produção Vegetal
33
Micronutrientes
Zinco \u2013 Zn (Zn2+)
Manganês \u2013 Mn (Mn2+)
Boro \u2013 B (H3BO3) 
Cloro \u2013 Cl (Cl) 
Cobre \u2013 Cu (Cu2+)
Ferro \u2013 Fe (Fe2+)
Molibdênio \u2013 Mo (MoO4
1-)
Níquel \u2013 (Ni2+)
Os micronutrientes também são elementos essenciais, porém absorvidos e necessitados em 
quantidades muito baixas. 
São essenciais ainda o carbono (C), o oxigênio (O) e o hidrogênio (H). Além disso, o cobalto 
\u2013 Co (Co2+) é importante para as leguminosas; o silício \u2013 Si (SiO3
-) e o níquel \u2013 Ni (Ni2+) são 
encontrados nos tecidos vegetais.
O carbono, o oxigênio e o hidrogênio não são fornecidos via adubação. Você sabe como a 
planta os absorve? A parte aérea da planta, composta pelas folhas, é que faz esse papel, 
especificamente por meio dos estômatos (estruturas celulares presentes na parte inferior 
das folhas), que têm a função de realizar trocas gasosas entre a planta e o meio ambiente. No 
processo, entra o gás carbônico (CO2), que participa da fotossíntese \u2013 a síntese de açúcares 
realizada a partir da energia solar, processo por meio do qual as plantas verdes transformam 
energia radiante do sol (eletromagnética) em energia química. 
A energia química resultante é utilizada pelas células vegetais em vários processos metabólicos. 
A matéria orgânica produzida é o carboidrato, e os agentes de absorção da luz solar são 
os pigmentos (clorofila) que ocorrem nos cloroplastos das plantas superiores. Observe essa 
dinâmica na figura a seguir.
Curso Técnico em Agronegócio
34
FOTOSSÍNTESE
Síntese da GLICOSE
(açúcar)
MACRONUTRIENTES PRIMÁRIOS
Nitrogênio / Fósforo / Potássio
MACRONUTRIENTES SECUNDÁRIOS
Cálcio / Magnésio / Enxofre
MICRONUTRIENTES
Cloro / Cobre / Boro
Manganês / Ferro / Molibdênio / Zinco
FLOEMA
Desce a seiva elaborada
CAULE
SA
IS
 M
IN
ER
A
IS
ÁGUA
O2 CO2
RESPIRAÇÃO
Oxidação da GLICOSE
(açúcar)
O2CO2
CASCA
1
1
1
N P K
Ca Mg S
Cl Cu B
ZnMn Fe Mo
XILEMA
Sobe a seiva bruta2
2
2
O principal ciclo fotossintético de produção de carboidratos é o Calvin, com a formação do 
ácido fosfoglicérico \u2013 PGA, um açúcar com três carbonos. Por isso, plantas que seguem esse 
ciclo são denominadas plantas C3. Outro grupo de plantas, entre as quais algumas gramíneas 
tropicais, tais como cana-de-açúcar, milho e sorgo, e outras espécies de plantas adaptadas ao 
clima árido seguem uma variação do ciclo de Calvin e produzem o oxalacetato, ou malato ou 
aspartato (depende da espécie), um carboidrato com quatro carbonos, e são denominadas 
plantas C4. Existe, ainda, o metabolismo ácido das crassuláceas \u2013 CAM, cujo nome se deve ao 
fato de ser primeiro encontrado nas crassuláceas. Essa rota de fixação do CO2 é muito comum 
nas famílias Agavaceae, Bromeliaceae, Cactaceae, Euphorbiaceae, Liliaceae e Orchidaceae.
Técnicas