UC8   Economia Rural
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UC8 Economia Rural


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maiores para cada trabalhador inserido no sistema 
produtivo da propriedade rural, mostrando, portanto, um produto marginal crescente. 
A partir do quinto trabalhador, a produção aumenta a taxas decrescentes. Os aumentos na 
produção total tornam-se menores para cada trabalhador novo inserido no sistema produtivo 
da propriedade rural porque o espaço de terra que cada trabalhador tem para trabalhar é 
cada vez menor. 
Essa redução relativa da proporção do fator fixo atinge seu ápice quando é introduzido o 
décimo primeiro trabalhador, que passa a atrapalhar os outros ao invés de ajudar devido à 
limitação do espaço. Em decorrência, a produção diminui em vez de se elevar, o que faz o 
produto marginal do décimo primeiro trabalhador ser negativo (-1).
d
Comentário do autor
Essa mudança na produtividade do trabalhador é relacionada com o conceito 
de produto marginal \u2013 que é atribuído à mudança da produção total provocada 
pelo acréscimo do fator de produção variável no sistema produtivo, que, no 
caso, é o trabalho. 
Na terceira coluna da tabela anterior, percebe-se que, no início, o produto marginal é crescente 
(até o quarto trabalhador), depois de certo tempo (após o quinto trabalhador) ele passa a ser 
decrescente, até que passa a ser negativo depois de certo ponto (a partir do décimo primeiro 
trabalhador). Esse comportamento da produtividade ou do produto marginal dos fatores de 
produção variáveis é denominado Lei dos Rendimentos Decrescentes.
Para Sandroni (1999), a Lei dos Rendimentos Decrescentes pode ser definida da seguinte 
maneira:
 
Se forem adicionadas quantidades de um fator de produção 
variável (trabalho, por exemplo) a uma quantidade fixa de outro 
fator de produção (terra, por exemplo), o acréscimo na produção 
total será inicialmente crescente, porém, com acréscimos adicionais 
do fator de produção variável, a produtividade desse fator será 
decrescente, podendo, inclusive, assumir valores negativos. 
Produto marginal do fator de produção trabalho
PMg
Produto 
Marginal (PMg)
Fator Trabalho
Veja na figura que, no início, o comporta-
mento do produto marginal \u2013 PMg de um 
fator de produção variável (o fator traba-
lho do exemplo anterior) é crescente e, de-
pois de certo nível, passa a ser decrescen-
te até se tornar negativo.
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Outro importante conceito é o de produtividade média, ou produto médio \u2013 PMe, do fator 
de produção. Esse valor é obtido a partir da divisão do produto total \u2013 PT pela quantidade de 
fator de produção usado (trabalhadores, no nosso exemplo). 
Ele apresenta um comportamento semelhante ao produto marginal \u2013 PMg, que, no início, é 
crescente e, depois de certo ponto, torna-se decrescente. Vale atentar que ele nunca assumirá 
um valor negativo uma vez que sempre haverá produção. 
Observe o comportamento do produto médio \u2013 PMe do fator trabalho:
Produto médio do fator de produção trabalho
PMe
Produto 
Médio (PMe)
Fator Trabalho
Agora, considere o seguinte exemplo: 
Em uma propriedade rural, o agricultor deseja cultivar trigo. Ele possui dois fatores de 
produção básicos: a terra (fator fixo) e a mão de obra (fator variável). 
Produção de trigo em uma propriedade rural
Quantidade de 
mão de obra
Produto total \u2013 PT
Produto médio da mão 
de obra \u2013 PMe
Produto marginal da mão 
de obra \u2013 PMg
0 0 - -
1 10 10 10
2 22 11 12
3 39 13 17
4 52 13 13
5 60 12 8
6 60 10 0
7 56 8 -4
8 48 6 -8
Fonte: PASSOS e NOGAMI (2003).
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No exemplo em questão, à medida que se empregam unidades sucessivas de mão de obra, 
o nível de produção da propriedade rural cresce até atingir o máximo quando é contratado o 
quinto trabalhador (com produção total de 60 sacas). A partir do sexto trabalhador, começa a 
ocorrer uma redução da produção total da fazenda. 
Esse mesmo comportamento pode ser observado para o PMe e o PMg da mão de obra (insumo 
variável), que inicialmente assume um comportamento de crescimento até que atinge um 
ponto máximo e, depois, começa a diminuir. Vale lembrar que, em determinado ponto, o PMg 
pode assumir valores negativos.
5. Custos médio e marginal
Pela Lei dos Rendimentos Decrescentes, o comportamento do produto marginal \u2013 PMg do 
fator de produção variável é inicialmente crescente e, depois de certo tempo, é decrescente.
Na etapa em que o produto marginal \u2013 PMg 
é crescente, tem-se uma queda no custo 
médio de uma nova unidade de fator de 
produção variável adicionada ao sistema 
produtivo. 
Mas, quando o produto marginal \u2013 PMg
passa a ser decrescente, tem-se um 
aumento no custo médio de cada nova
unidade de fator de produção variável 
adicionada. Isso ocorre porque é preciso 
adicionar cada vez mais recursos produtivos 
variáveis ao sistema produtivo para obter
o mesmo aumento da produção total \u2013 PT.
Dessa forma, o custo de produção apresenta comportamento contrário ao do produto total. 
Vale destacar que os comportamentos do custo marginal \u2013 CMg e do custo médio \u2013 CMe na 
empresa rural são inicialmente decrescentes e, depois de certo nível de produção, crescentes. 
Observe as figuras a seguir que mostram os comportamentos do custo marginal \u2013 CMg e do custo 
médio \u2013 CMe do fator trabalho (considerado, aqui, como insumo variável), respectivamente.
CMg
Custo 
Marginal (CMg)
Fator Trabalho
CMe
Custo 
Médio (CMe)
Fator Trabalho
Custo marginal do fator trabalho
 (insumo variável)
Custo médio do fator trabalho
 (insumo variável)
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A parte em que o CMg e o CMe são decrescentes é quando o nível de produtividade do trabalho 
(insumo variável) é crescente e positivo. Então, para se obter uma unidade de produto final, é 
necessário utilizar uma quantidade menor de insumo, por isso, os custos tendem a diminuir 
nessa etapa inicial.
No entanto, a partir de determinado ponto, o nível de produtividade do fator trabalho começa a 
ser decrescente, e, nessa situação, para se obter uma nova unidade de produto final, é necessária 
uma quantidade maior de insumo (mão de obra). Por isso, os custos tendem a crescer à medida 
que se aumenta a quantidade de mão de obra utilizada no processo produtivo.
O custo marginal \u2013 CMg é definido como o acréscimo do custo total quando se fabrica 
uma unidade adicional do produto. Por sua vez, o custo médio \u2013 CMe é alcançado a partir da 
divisão do custo total pela quantidade produzida do bem na empresa. Veja um exemplo:
Informações de custo de uma empresa rural qualquer
Produto Custo total \u2013 CT Custo marginal \u2013 CMg Custo médio \u2013 CMe
(1) (2) (3) (4) = (2) / (1)
0 10,00
1 14,00 4,00 14,00
2 17,50 3,50 8,75
3 20,75 3,25 6,92
4 23,80 3,05 5,95
5 26,70 2,90 5,34
6 29,50 2,80 4,92
7 32,25 2,75 4,61
8 35,10 2,85 4,39
9 38,30 3,20 4,26
10 42,30 4,00 4,23
11 48,30 6,00 4,39
12 57,30 9,00 4,78
13 70,30 13,00 5,41
14 88,30 18,00 6,31
15 112,30 24,00 7,49
Fonte: Elaborado pelo autor.
Observe que a primeira coluna é relacionada à quantidade de produção da empresa, e, à 
medida que se aumenta a produção, o custo total se eleva. 
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Na terceira coluna, é apresentado o custo marginal \u2013 CMg da empresa para cada unidade 
adicional de bem que é produzida. Quando se produz o primeiro produto, o custo marginal \u2013 
CMg é 4,00, que é obtido a partir da diferença do custo total do produto 1 menos o custo total 
do produto 0 (14,00 - 10,00). 
Por sua vez, o custo marginal do produto 2 é 3,50 \u2013 é obtido a partir da diferença do custo 
total do produto 2 menos o custo total do produto 1 (17,50 - 14,00) e assim sucessivamente. 
Já o custo médio \u2013 CMe é obtido a partir da divisão do custo total pela quantidade do bens 
produzida na empresa. Quando se produz 1 unidade, o custo médio \u2013 CMe é 14,00 (14/1). 
Já quando se produzem duas unidades,