UC10 Apostila Políticas Públicas Para o Agronegócio
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UC10 Apostila Políticas Públicas Para o Agronegócio


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Referências Complementares \u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u20136 6
Gabarito \u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u20136 8
Tema 1 \u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u20136 8
Tema 2 \u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u20136 9
Tema 3 \u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u20137 0
Introdução à Unidade 
Curricular
Contabilidade Rural
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Introdução à Unidade Curricular
Seja bem-vindo(a) à Unidade Curricular Políticas Públicas para o Agronegócio do curso 
Técnico em Agronegócio da Rede e-Tec Brasil no SENAR!
Este material foi desenvolvido para você compreender os instrumentos de políticas públicas 
relacionados ao setor agropecuário que podem ajudar na busca por maior eficiência do 
mercado do agronegócio. Você irá se capacitar sobre os conceitos centrais e conhecerá as 
principais políticas públicas atuais que influenciam o dia a dia no campo.
Esta unidade curricular tem carga horária de 30 horas e está organizada em três temas: 
Agronegócio, Políticas Públicas e Políticas Agrícolas. Inicialmente, você estudará a transição 
do conceito da agricultura para o agronegócio, em um processo que passou pelas revoluções 
agrícola (tecnologia mecânica) e verde (tecnologia química), e que, a partir das políticas de Estado 
orientadas à produção, colocou o Brasil entre os maiores produtores de alimentos do mundo.
Em seguida, você terá oportunidade de entender o que são e como são desenvolvidas essas 
políticas públicas para o agronegócio e para o comércio internacional, bem como as principais 
instituições que as formulam e negociam. Por fim, e em maior destaque, você conhecerá as 
principais políticas públicas da atualidade para o meio rural: programas, instrumentos e ações 
de governo para o desenvolvimento e a proteção do setor agropecuário nacional.
a
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
\u2022 contextualizar o agronegócio;
\u2022 reconhecer as interfaces das políticas públicas relacionadas ao agronegócio;
\u2022 analisar o cenário internacional do agronegócio;
\u2022 identificar as instituições que elaboram e participam das políticas públicas do 
agronegócio;
\u2022 conhecer as linhas de crédito rural e outros instrumentos de políticas públicas.
Bons Estudos!
01
 Agronegócio
Políticas Públicas para o Agronegócio
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Tema 1: Agronegócio
Neste primeiro tema, vamos entender o agronegócio e sua relação com as cadeias produtivas 
(supplychain) e com o desenvolvimento rural no Brasil. O objetivo é que você consolide seu 
conhecimento sobre o tema e desenvolva as seguintes competências:
\u2022 compreender os conceitos do agronegócio e fazer uso deles;
\u2022 apontar as relações das políticas públicas do agronegócio pelo contexto histórico.
Primeiramente você verá os conceitos de agronegócio em uma visão mais ampla e sistêmica, 
e depois analisará o desenvolvimento do agronegócio brasileiro em seu contexto histórico. 
Conhecer esse contexto facilita o entendimento das políticas públicas que hoje regem e 
norteiam as relações econômicas dos setores rural e agroindustrial.
Fonte: Shutterstock
Curso Técnico em Agronegócio
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Tópico 1: Contextualização do Agronegócio
Você sabia que, até meados do século XX, o termo \u201cagricultura\u201d no Brasil abrangia mais atividades 
do que hoje? Podemos afirmar isso porque, naquela época, a agricultura compreendia não 
só as atividades de produção agropecuária propriamente ditas, mas também as de insumos 
(sementes, adubos, implementos) e as de processamento, transporte e comercialização. Neves 
(1995) aponta que, naquele tempo, todos os processos de produção de alimentos estavam, de 
alguma forma, incorporados às atividades desenvolvidas nas fazendas.
Com o processo de modernização e a busca por maiores lucros, muitas atividades se 
desconcentraram da propriedade rural: a produção de fertilizantes, defensivos, máquinas e 
implementos, rações e vacinas passou a ser responsabilidade de empresas especializadas. 
O mesmo aconteceu com as atividades de processamento, comercialização, distribuição e 
transporte, tornando-se mais eficientes. Essa especialização levou ao conceito de atividades 
realizadas \u201cantes da porteira\u201d e \u201cdepois da porteira\u201d.
Ou seja, as fazendas deixaram de ser unidades diversificadas, autossuficientes e se 
especializaram na busca de uma economia de escala nas produções vegetal e animal. O 
objetivo principal era reduzir custos e ganhar em competitividade. 
Assim, o termo \u201cagricultura\u201d perdeu abrangência e ficou restrito às atividades de plantio, 
colheita e criação de animais, ou seja, àquelas que acontecem apenas \u201cdentro da porteira\u201d, 
conforme a figura a seguir. Repare, também, nas atividades \u201cantes\u201d e \u201cdepois da porteira\u201d. 
Antes da 
porteira
\u2022 Seguro
\u2022 Financiamento
\u2022 Insumos
\u2022 Máquinas
\u2022 Capacitação
\u2022 Administração
\u2022 Assistência técnica
\u2022 Produção
\u2022 Capacitação
\u2022 Armazenamento
\u2022 Transporte
\u2022 Indústria
\u2022 Comercialização
\u2022 Capacitação
Dentro da 
porteira
Depois da 
porteira
$
Políticas Públicas para o Agronegócio
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Essa redução do papel da agricultura no processo produtivo de alimentos refletiu-se em menor 
rentabilidade para o agricultor, pois parte da renda antes gerada pela própria unidade agrícola 
(elaboração de insumos e processamento da produção) passou a ser captada pelos segmentos 
que vêm \u201cantes\u201d e \u201cdepois da porteira\u201d, constituindo o que se denomina apropriacionismo. 
 Apropriacionismo
Movimento de apropriação industrial de frações do processo de produção agrícola (GOODMAN 
et. al, 1990).
Legenda: Atividades de processamento e distribuição, por exemplo, foram dissociadas da atividade de produção \u2013 ficando sob 
a responsabilidade de empresas especializadas na fase \u201cdepois da porteira\u201d.
Fonte: Shutterstock 
1. Da agricultura para o agronegócio
Foi aí que o conceito de \u201cagricultura\u201d começou a ceder espaço para a ideia de \u201cagronegócio\u201d. 
Na década de 1960, Davis & Goldberg (1957) deram para o agronegócio uma definição que se 
aplica até hoje. Acompanhe!
 
\u201cAgronegócio é um sistema que engloba todos os atores envolvidos 
com a produção, processamento e distribuição de um produto. Tal 
sistema inclui o mercado de insumos agrícolas, a produção agríco-
la, operações de estocagem, processamento, atacado e varejo, de-
marcando um fluxo que vai dos insumos até o consumidor final. O 
conceito engloba todas as instituições que afetam a coordenação 
dos estágios sucessivos do fluxo de produtos, tais como instituições 
governamentais, mercados futuros e associações de comércio.\u201d
Curso Técnico em Agronegócio
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Nesse contexto, o conceito de agronegócio e sua visão sistêmica ganharam espaço no Brasil, 
recuperando a importância da agricultura (setor \u201cdentro da porteira\u201d). Agora, ela é vista de 
forma profundamente interligada com as atividades que a precedem (setor \u201cantes da porteira\u201d) 
e a sucedem (setor \u201cpós-porteira\u201d). Isso serve para a atividade-fim da produção de alimentos, 
mas também inclui na definição de agronegócio as instituições de apoio em segmentos 
como educação, pesquisa, assistência técnica, financiamento, armazenamento, marketing e 
comercialização \u2013 sejam públicas ou privadas.
Segundo Farina & Zylbersztajn (1994), existem na literatura várias metodologias para tratar 
do agronegócio, sendo que duas têm obtido maior destaque internacional: a dos