Edith Fiore   Já Vivemos Antes
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Edith Fiore Já Vivemos Antes


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observar a sua morte, no écran dos seus espíritos, como se assistissem à 
experiência de outrem. Então, gradualmente, vão-se permitindo a si próprios uma maior participação, 
quando voltamos ao acontecimento. Finalmente, experimentam tudo, completa e integralmente. 
Tudo o que lhes irei mostrar corrobora as descobertas de Raymond A. Moody Jr., M. D. O seu livro 
Life after Life (Covington, Jórgia, Mockinbird Books, 1975) é baseado em entrevistas com mais de cem 
pessoas que «morreram» durante operações, doenças ou acidentes. As descrições das suas experiências 
antes da ressurreição são virtualmente idênticas às dos meus pacientes sob hipnose \u2014 excepto no facto de 
muitos dos meus doentes lembrarem acontecimentos no intervalo intervidas, enquanto os de Moody não. E 
por razões óbvias. Os seus doentes nunca fizeram a transição completa. Os seus doentes escolheram não
morrer ou foram forçados a voltar. É interessante saber que o antigo Livro dos Mortos Tibetano também 
relata muitos dos mesmos acontecimentos que os meus doentes e sujeitos hipnóticos descreveram. 
Um dos aspectos notáveis dos relatos das experiências de morte é que a consciência se mantém, 
sem interrupção. Além disso, todos os pacientes e sujeitos hipnóticos descreveram uma libertação da dor 
física e/ou emocional, no momento da morte \u2014 por vezes até antes. Se uma pessoa está a morrer de fome, 
por exemplo, deixa de sentir fome. Se o problema é congestão pulmonar, muitas vezes, a primeira 
exclamação é: «Consigo respirar!» 
Um homem, já na casa dos trinta, retrocedeu a uma vida em que assassinava a sua mulher adúltera. 
Foi morto, pelo seu crime, na câmara de gás. 
L. [A sua cara cobriu-se de gotas de suor.] \u2014Não posso dar-lhe a entender que estou perturbado. 
Dr.ª F. \u2014 Diga-me como se sente. Eu não lhes conto nada. 
L. \u2014 Estão a amarrar-me. [O seu corpo treme, assim como a sua voz.] 
Dr.ª F. \u2014 Vá até ao momento da sua morte após a contagem até três. Um ... dois ... três. 
L. \u2014 Tudo terminou com ... paz. 
O mesmo doente, em outra vida, encontrou-se numa trincheira, durante a segunda guerra mundial. 
L. [O seu corpo salta. Agarra-se ao pescoço.] \u2014 ... Morri outra vez ... atingido no pescoço. 
Dr.ª F. \u2014 Como sentiu a morte? 
L. \u2014 Dei apenas um salto.
Dr.ª F. \u2014 Sente alguma coisa?
L. \u2014 Não tenho dores. 
Dr.ª F. \u2014 Tomou a forma de espírito? 
L. \u2014 Hum-humm. 
Dr.ª F. \u2014 Como se sente? 
L. \u2014 Oh, melhor! 
Numa vida passada, uma jovem viu a sua caravana atacada por índios, que eventualmente a 
escalparam e violaram, deixando-a à morte. Depois de um longo silêncio, disse: 
C. \u2014 Vejo-me ali deitada. 
Dr.ª F. \u2014 Como se sente? 
C. \u2014 Acabou. [A sua voz e expressão, denotavam alívio.] 
Dr.ª F. \u2014 Ainda sente dores? 
C. \u2014 Não. 
Dr.ª F. \u2014 Como se sente? 
C. [Sorrindo.] \u2014 Óptima ... e é tudo. 
Uma mulher descreve o momento da sua morte. Acabou de ser esmagada por uma parelha de 
cavalos e uma carruagem. 
Dr.ª F. \u2014 Agora vou pedir-lhe para ir até ao exacto momento da sua morte, após a contagem até três. 
Um ... dois ... três. Conte-me o que está a sentir. 
B. \u2014 Deixo-me ir. 
Dr.ª F. \u2014 E qual é a sensação? 
Dr.ª F. \u2014 Diga-me mais coisas. 
B. \u2014 Sinto-me mais leve ... já não me sinto pesada. 
Dr.ª F. \u2014 Que sensações tem, além dessa? 
B. \u2014 Sinto-me livre. 
Dr.ª F. \u2014 Onde está o seu corpo? 
B. \u2014 No chão. 
Dr.ª F. \u2014 Onde está você? 
B. \u2014 A olhar para ele. 
Dr.ª F. \u2014 Onde? 
B. \u2014 Mesmo por cima dele.
Dr.ª F. \u2014 Como vê o seu corpo? 
B. \u2014 Parece enrugado. 
Dr.ª F. \u2014 De que emoções tem consciência?
B. \u2014 Sentimento de alívio. 
Uma mulher de vinte anos, com um problema de excesso de peso, morreu de fome numa vida 
anterior, com a idade de cinquenta e sete anos. Durante essa vida foi doente e muito pobre. 
Dr.ª F. \u2014 Há quanto tempo tem esse problema de alimentação, por falta de dinheiro? 
S. \u2014 Oh ... há alguns anos. Não sei há quanto tempo ... [Lágrimas caíam-lhe pela cara.] Não me sinto 
bem. 
Dr.ª F. \u2014 Gostaria que avançasse um dia. Vou contar até cinco. Um ... dois ... três ... quatro ... cinco. 
Conte-me o que se passa consigo. 
S. [Murmurando.] \u2014 Estou a morrer. 
Dr.ª F. \u2014 Vá até ao momento da sua morte. Um ... dois ... três ... quatro ... cinco. 
S. [Silencio.] 
Dr.ª F. \u2014 Margaret, que lhe está a acontecer agora? 
S. [Voz mais forte.] \u2014 Estou morta ... e já não tenho fome. 
Dr.ª F. \u2014 Como se sente, agora que está morta? 
S. \u2014 Sinto-me bem. 
Uma das mais comoventes experiências de morte a que assisti foi provocada por uma série de 
acontecimentos perturbantes. Uma mulher, com pouco mais de trinta anos, sob hipnose, explorava a origem 
do pânico que a assaltava nas numerosas ocasiões em que sentia determinado cheiro, especialmente se se 
encontrava numa sala ou recinto pequeno. 
Começou a nossa sessão descrevendo um grau de pânico tão intenso que quase desmaiou e que a 
fez sentir-se nauseada e doente, durante vários dias. Entrara inocentemente num elevador que acabara de 
ser limpo. O cheiro do desinfectante era ainda muito intenso. 
A busca da causa para a sua reacção, levou-nos à Alemanha nazi, no princípio dos anos 40. Depois 
de descrever uma vida cheia de acontecimentos aterradores, viu-se enfiada num vagão para gado, onde, no 
meio da escuridão que a rodeava, quase foi esmagada por muitos outros judeus aterrorizados. O cheiro a 
excrementos era sufocante. Não havia janelas por onde entrasse ar ou luz. Depois do que lhe pareceu uma 
eternidade, mas que na realidade tinham sido apenas três dias, o comboio parou. Saiu para a ofuscante luz 
do dia e os guardas conduziram-na para um lugar onde lhes foi dito, a ela e aos outros, que se despissem, 
a fim de se prepararem para um banho. Havia rumores! Havia medo! Enquanto se despia encontrava-se 
extremamente assustada. Colocou os seus sapatos num grande monte de sapatos de todos os tipos, a sua 
aliança em outro monte, o seu vestido noutro monte ainda. Tremendo, seguiu os outros para uma grande 
sala. 
Dr.ª F. \u2014 Que está a acontecer? 
A. \u2014 Eles fecham a porta. 
Dr.ª F. \u2014 Estão todos na mesma sala?
A. [Baixinho.] \u2014 Sim. 
Dr.ª F. \u2014 Quem fechou a porta? 
A. \u2014 Julgo que foram os guardas. 
Dr.ª F. \u2014Diz que estão muito apertados para tomarem banho. Que quer dizer com isso? 
A. \u2014 Muito juntos. 
Dr.ª F. \u2014 Está a tocar em alguém? Está mesmo muito apertada ou pode abrir os braços? 
A. \u2014 Posso andar de um lado para o outro. Mas isto está cheio de gente! 
Dr.ª F. \u2014 Descreva-me o que vê nessa sala. 
A. \u2014Não há janelas ... o chão é de cimento. Sinto-o nos meus pés ... é frio ... 
Dr.ª F. \u2014 Há alguma luz? 
A. \u2014 Não, está muito escuro. Havia uma luz, mas não está acesa.
Dr.ª \u2014 F. \u2014 Estão, então, na escuridão total? 
A. \u2014Sim. 
Dr.ª F. \u2014E agora, em que pensa, ou que sente? Continue muito relaxada, cada vez mais relaxada a 
cada inspiração ... 
A. [Respirando com força. A pulsação no seu pescoço galopa.] 
Dr.ª F. \u2014 Que fazem as pessoas? 
A. \u2014 Não sei. Já não vejo com muita clareza. 
Dr.ª F. \u2014 Vou pedir-lhe apenas que se relaxe; respire sob a luz do sol, durante um minuto, 
aproximadamente; concentre-se na respiração sob a luz dourada. Vou contar novamente até dez. Enquanto 
o faço, o seu subconsciente duplicará a descontracção. Concentre-se apenas na respiração sob a luz 
dourada, bonita e relaxante; quando chegar a dez, encontrar-se-á profundamente relaxada. Entretanto, 
descontraia-se apenas, cada vez mais profundamente. Um ... dois ... três ... quatro ... cinco ... seis ... sete, 
relaxe-se cada vez mais após cada número ... oito ... nove ... dez. E agora, Leah, Fale-me mais dessa sala 
onde se encontra. Que fazem as pessoas? 
A. \u2014 Sinto outra vez um cheiro. 
Dr.ª F. \u2014 Que tipo de cheiro? 
A. \u2014 Desinfectante. Há respiradouros e é daí que ele vem. 
Dr.ª F. \u2014 Que disse? 
A. \u2014 Respiradouros. [O seu corpo treme.] As pessoas começam a afastar-se deles