UC11   Legislação Agrária e Ambiental
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UC11 Legislação Agrária e Ambiental


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sendo assim, é uma unidade de medida, expressa em hectares, que busca exprimir a 
interdependência entre a dimensão, a situação geográfica dos imóveis rurais e a forma e as 
condições do seu aproveitamento econômico.\u201d
Em relação ao módulo fiscal, o Estatuto da Terra refere-se a essa unidade de medida para 
fins tributários (cobrança do Imposto Territorial Rural \u2013 ITR). De acordo com o art. 50, § 2º 
do Estatuto da Terra:
§ 2º O módulo fiscal de cada Município, expresso em hectares, será determinado 
levando-se em conta os seguintes fatores: a) o tipo de exploração predominante no 
Município:
I - hortifrutigranjeira;
Il - cultura permanente;
III - cultura temporária;
IV - pecuária;
V - florestal;
b) a renda obtida no tipo de exploração predominante;
c) outras explorações existentes no Município que, embora não predominantes, sejam 
expressivas em função da renda ou da área utilizada;
d) o conceito de \u201cpropriedade familiar\u201d.
A Instrução Especial/INCRA/nº 20, de 28 de maio de 1980, estabelece o módulo fiscal de 
cada município. A Lei nº 8.629/93 estabelece o módulo fiscal como unidade de medida para 
classificar os imóveis rurais em pequenas, médias e grandes propriedades. 
O
Informações extras
A fim de evitar a proliferação de minifúndios e de preservar a finalidade 
econômica e a destinação social da terra, o legislador fez constar, no art. 65 do 
Estatuto da Terra, a proibição de se dividir o imóvel rural em áreas de dimensão 
inferior à constitutiva do módulo de propriedade rural.
Tópico 2: A Pequena, a Média e a Grande Propriedade Rural 
e a Possibilidade de Desapropriação
A Lei nº 8.629/93, em seu art. 4º, incisos II e III, conceitua, respectivamente, a pequena e a 
média propriedade. A pequena propriedade \u201cé o imóvel rural de área compreendida entre 1 
(um) e 4 (quatro) módulos fiscais\u201d, e a \u201cmédia propriedade é o imóvel rural de área superior a 
4 (quatro) e até 15 (quinze) módulos fiscais.\u201d
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Atenção
A referida lei não conceitua a grande propriedade de forma direta, mas é possível 
chegar ao entendimento de que a grande propriedade é o imóvel com área superior 
a 15 módulos fiscais.
Quanto à possibilidade de desapropriação por interesse social para fins de reforma 
agrária, o art. 185 da Constituição Federal, em seus incisos I e II, aponta, respectivamente, 
que são insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária a pequena e a 
média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra. 
Assim, no que se refere à pequena e à média propriedade, o legislador constituinte criou 
uma presunção absoluta de que essas áreas são produtivas. 
Exemplo
Pedro é proprietário de dois imóveis rurais, um de 
pequeno e outro de médio porte. Recentemente, o 
governo determinou a desapropriação da propriedade 
de pequeno porte para fins de reforma agrária em razão 
de o agricultor nada produzir nele.
Nesse caso, não há qualquer objeção para a 
desapropriação de uma das propriedades, mesmo 
sendo a de pequeno porte, pois, conforme o art. 
185, I, da Constituição Federal, a pequena e a 
média propriedade rural só são insuscetíveis de 
desapropriação caso o proprietário não possua outro 
imóvel, o que não é o caso do nosso exemplo.
Em relação à grande propriedade, são importantes o conhecimento e o entendimento do art. 
186 da CF/88, que estabelece:
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, 
segundo graus e critérios estabelecidos em Lei, os seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio 
ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Ao interpretar o referido dispositivo, não restam dúvidas de que a mensagem do legislador 
constitucional é no sentindo de que a função social do imóvel rural somente é cumprida 
quando ocorre o atendimento simultâneo dos requisitos previstos nos incisos I a IV, do art. 
186, da CF/88, segundo graus e critérios estabelecidos em lei. 
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O artigo em questão é regulamentado pelos artigos 6º, 8º e, em especial, pelo 9º, todos da Lei 
nº 8.629/93. O art. 9º estabelece que:
Art. 9º A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, 
segundo graus e critérios estabelecidos nesta Lei, os seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio 
ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
§ 1º Considera-se racional e adequado o aproveitamento que atinja os graus de utilização 
da terra e de eficiência na exploração especificados nos §§ 1º a 7º do art. 6º desta Lei.
§ 2º Considera-se adequada a utilização dos recursos naturais disponíveis quando a 
exploração se faz respeitando a vocação natural da terra, de modo a manter o potencial 
produtivo da propriedade.
§ 3º Considera-se preservação do meio ambiente a manutenção das características 
próprias do meio natural e da qualidade dos recursos ambientais, na medida adequada 
à manutenção do equilíbrio ecológico da propriedade e da saúde e qualidade de vida 
das comunidades vizinhas.
§ 4º A observância das disposições que regulam as relações de trabalho implica tanto o 
respeito às leis trabalhistas e aos contratos coletivos de trabalho, como às disposições 
que disciplinam os contratos de arrendamento e parceria rurais.
§ 5º A exploração que favorece o bem-estar dos proprietários e trabalhadores rurais é a 
que objetiva o atendimento das necessidades básicas dos que trabalham a terra, observa 
as normas de segurança do trabalho e não provoca conflitos e tensões sociais no imóvel.
O art. 9º, caput e incisos, ratifica o conteúdo do art. 186 e incisos da CF/88, e estabelece os 
graus e os critérios a serem atendidos simultaneamente, conforme os §§ 1º ao 5º.
O § 1º deve ser analisado em conjunto do art. 6º da mesma lei, que estabelece que o uso 
racional e adequado do imóvel será atingido quando, simultaneamente, o grau de utilização 
da terra \u2013 GUT for igual ou superior a 80%, e o grau de eficiência na exploração da terra 
\u2013 GEE deverá ser igual ou superior a 100%. Segue a transcrição do art. 6º da Lei nº 8.629/93:
Art. 6º Considera-se propriedade produtiva aquela que, explorada econômica e 
racionalmente, atinge, simultaneamente, graus de utilização da terra e de eficiência na 
exploração, segundo índices fixados pelo órgão federal competente.
§ 1º O grau de utilização da terra, para efeito do caput deste artigo, deverá ser igual 
ou superior a 80% (oitenta por cento), calculado pela relação percentual entre a área 
efetivamente utilizada e a área aproveitável total do imóvel.
§ 2º O grau de eficiência na exploração da terra deverá ser igual ou superior a 100% 
(cem por cento), e será obtido de acordo com a seguinte sistemática:
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I - para os produtos vegetais, divide-se a quantidade colhida de cada produto pelos 
respectivos índices de rendimento estabelecidos pelo órgão competente do Poder 
Executivo, para cada Microrregião Homogênea;
II - para a exploração pecuária, divide-se o número total de Unidades Animais \u2013 UA do 
rebanho pelo índice de lotação estabelecido pelo órgão competente do Poder Executivo, 
para cada Microrregião Homogênea;
III - a soma dos resultados obtidos na forma dos incisos I e II deste artigo, dividida pela 
área efetivamente utilizada e multiplicada por 100 (cem), determina o grau de eficiência 
na exploração.
§ 3º Considera-se efetivamente utilizadas:
I - as áreas plantadas