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biome has been well-studied in biological 
and agricultural terms (oliveira & Marquis, 2002). This 
24 | Livro vermelho da flora do Brasil \u2013 Plantas raras do Cerrado
difficulty in turning knowledge into action seems to 
stem from society\u2019s hesitation to change the archetype 
of economic development for a model that has its 
basis in reconciling the conservation of nature with 
social welfare. Brazil needs to seize the opportunity to 
become the first green superpower on the planet more 
decisively. A good start would be to demonstrate that 
the Cerrado can continue to be a granary for the world, 
without further deforestation but by simply increasing 
productivity of the land already under agriculture - as 
science has already shown is possible (Strassbourg et al., 
2014). Making Brazilian agricultural practices more 
sustainable can be both a pretext and the consequence 
of an improved conservation management of the 
Cerrado: the urgency of this transformation leaves no 
room for hesitation. 
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Livro vermelho da flora do Brasil \u2013 Plantas raras do Cerrado | 25 
Capítulo 3 
Avaliações de risco de extinção das plantas raras do 
Cerrado: resultados, desafios e perspectivas
Assessments of Extinction Risk for the Rare Plants of the Cerrado: Results, 
Challenges and Prospects
G u stavo M art i ne l l i , L ucas M ora e s , L ucas M oulton, L u i z Santo s F i l h o, 
R aque l N e g r ã o, R i cardo Avanc i n i , Rodr i g o A maro & Ta i nan M e s s i na
Introdução
Recentemente, o desenvolvimento de uma Es-tratégia para Conservação de Plantas \u2013 GSPC foi o melhor plano estabelecido para conter a 
crise da extinção de espécies e enfrentar a perda poten-
cial da diversidade de plantas em escala mundial (Wyse 
Jackson & Kennedy, 2009). Como marco, representa 
uma orientação para ações prioritárias de conservação 
de plantas com o estabelecimento de metas para alcance 
de resultados globais acordados entre os países signa-
tários em prazos definidos (Wyse Jackson & Kennedy, 
2009), sendo a avaliação do estado de conservação de 
toda a flora conhecida, a meta dois dessa estratégia. As-
sim, as avaliações de risco de extinção têm sido impor-
tantes para o progresso em direção às metas de conser-
vação (Pimm et al., 2014). Entretanto, são de grandes 
proporções os desafios para a conservação de espécies 
em um país megadiverso e em desenvolvimento como 
o Brasil. Um dos maiores desafios enfrentados pelo país 
como signatário da Convenção da Diversidade Biológi-
ca \u2013 CDB para o cumprimento das metas da GSPC é a 
necessidade de avaliação do risco de extinção, até o ano 
de 2020, de todas as espécies conhecidas da flora brasi-
leira, que atualmente alcança 45.811 (Lista de espécies 
da flora do Brasil, 2014).
Considerando os compromissos assumidos pelo Bra-
sil junto à CDB, a criação, em 2008, do Centro Na-
cional de Conservação da Flora \u2013 CNCFlora, no âm-
bito da Diretoria de Pesquisas \u2013 Dipeq do Instituto de 
Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Decreto 
nº 6.645/08), permitiu a centralização da análise sobre 
o estado de conservação da flora brasileira (Scarano, 
2014). o lançamento da Lista de espécies da flora do Brasil 
(http://floradobrasil.jbrj.gov.br) em 2010, juntamente 
com o Catálogo de plantas e fungos do Brasil (Forzza et al., 
2010) e o Livro vermelho da flora do Brasil (Martinelli & 
Moraes, 2013) incluindo a avaliação do risco de extin-
ção de 4.617 espécies da flora nacional, representaram 
os primeiros passos para o alcance das metas conser-
vacionistas (Scarano, 2014). Nesse contexto, o Projeto 
Lista Vermelha do CNCFlora é responsável por realizar 
a avaliação do risco de extinção de toda a flora brasileira 
dentro do prazo acordado junto à GSPC. Desde 2012, o 
coordenador do CNCFlora foi reconhecido como Red 
List Authority pela IUCN, o que significa que todas as 
avaliações de risco de extinção de espécies de plantas 
brasileiras no âmbito nacional e internacional devem ser 
encaminhadas e revisadas pela coordenação.
Listas vermelhas constituem uma ferramenta impor-
tante para a priorização de investimentos na conserva-
ção de espécies e também demandam muitos recursos 
para sua construção e atualização (Rodinini et al., 2014). 
Devido ao intenso processo