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DisciplinaBotânica Geral329 materiais12.945 seguidores
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com 120 espécies distribuídas da região central do México até o sul da 
América do Sul; Luzuriaga Ruiz. et Pav., com quatro espécies de distribuição disjunta na Nova Zelândia e no 
Chile; e Drymophila R. Br., com uma espécie na Austrália e uma na Tasmânia. No Brasil, estão representados 
os gêneros Alstroemeria e Bomarea. Alstroemeria, com 44 espécies, tem distribuição periamazônica concentrada 
basicamente na porção leste do país. Ocorre em quase todos os tipos de hábitats: florestas, Cerrados, Campos 
de Altitude, Brejos, afloramentos rochosos e Caatingas, em altitudes que variam de 300 m, na Amazônia, a 
2.300 m, na Serra do Itatiaia, sendo que a maioria das espécies tem distribuição relativamente restrita. Esse 
padrão geográfico restrito contribui para que muitas delas sejam consideradas ameaçadas de extinção segundo 
os critérios da IUCN (2014), incluídas nas categorias \u201cVulnerável\u201d (VU) e \u201cEm perigo de extinção\u201d (EN), 
devido à vulnerabilidade de suas populações, particularmente em face da ação antrópica. Bomarea, represen-
tado por apenas uma espécie, B. edulis (Tussac.) Herb., é amplamente distribuído em Florestas Estacionais do 
Brasil. No Cerrado, a família está representada por 13 espécies de Alstroemeria e uma de Bomarea.
Alstroemeria chapadensis Hoehne
Risco de extinção: EN B1ab(i,ii,iii) \uf0fc
Avaliador(a): Lucas Moraes
Data: 13-02-2014
Bioma: Cerrado
Justificativa: Espécie endêmica do estado do Mato Grosso 
(Assis, 2013), sendo restrita à região da Chapada dos Gui-
marães (Assis, 2009). Apresenta EOO estimada em 525,9 
km² e está sujeita a duas situações de ameaça consideran-
do a presença/ausência da espécie em Unidade de Con-
servação. Apesar de protegida pelo Parque Nacional da 
Chapada dos Guimarães, a área de distribuição da espécie 
está sujeita ao aumento da frequência de incêndios, de-
vido ao manuseio do solo para implementação de ativi-
dades agrícolas e de pecuária (sobretudo pecuária exten-
siva e plantações de soja) (MMA/ICMBio, 2009), o que 
acarreta um declínio contínuo da EOO, AOO e da qua-
lidade do hábitat. Dados de 1997 indicam que cerca de 
15% da vegetação natural do município de Chapada dos 
Guimarães deram lugar a atividades agropastoris (MMA/
ICMBio, 2009). A contenção das ameaças incidentes é 
necessária para que a espécie não configure em um grau 
de ameaça mais severo em um futuro próximo. Investi-
mentos em pesquisas e esforços de coleta são essenciais 
para uma possível descoberta de novas subpopulações.
Referências
Assis, M.C. 2013. Alstroemeriaceae. In: Forzza, R.C. et 
al. (orgs.). Lista de espécies da flora do Brasil. Rio de Ja-
neiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponí-
vel em: <http://reflora.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/
FB26314>. Acesso em 20/08/2013.
Assis, M.C. 2009. Alstroemeriaceae. In: Giulietti, A.M.; 
Rapini, A.; Andrade, M.J.G.; Queiroz, L.P. & Silva, 
J.M.C.D. (eds.). Plantas raras do Brasil. Belo Horizonte: 
Conservação Internacional-Universidade Estadual de 
Feira de Santana, 496 p.
IUCN. 2014. Disponível em: <http://www.iucnredlist. 
org/documents/Dec_2012_Guidance_Threats_Classifi-
ca- tion_Scheme.pdf>. Acesso em 11/02/2014. MMA/
ICMBio. 2009. Plano de Manejo Parque Nacional da Chapa-
da dos Guimarães. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 
234 p.
AMARANTHACEAE
Maria Salete Marchioretto, Luiz Santos Filho, Thiago Serrano
A família Amaranthaceae é formada principalmente por ervas, menos frequentemente por lianas e arbustos, 
de distribuição cosmopolita, exceto pelas regiões mais frias do hemisfério norte (Souza & Lorenzi, 2008), 
predominando nas regiões tropical e subtropical (Marchioretto et al., 2010). A família inclui cerca de 170 
gêneros e aproximadamente 2.360 espécies (Marchioretto et al., 2010), com 147 espécies distribuídas em 21 
gêneros no Brasil (Marchioretto et al., 2014). Apresenta uma grande riqueza nas regiões de Campos Rupes-
tres e Cerrados (Marchioretto et al., 2014), com 98 espécies presentes no Cerrado, sendo 73 endêmicas e 20 
exclusivas a esse domínio (Frank-de-Carvalho et al., 2012). Dessas, apenas três espécies foram consideradas 
raras, todas do gênero Gomphrena (Senna & Siqueira, 2009). 
Gomphrena hermogenesii J.C.Siqueira
Risco de extinção: VU B1ab(iii);D2 \uf0fc
Avaliador(a): Luiz Santos Filho
Data: 18-03-2014
Bioma: Cerrado
Justificativa: Espécie de porte herbáceo ou subarbustivo 
(Siqueira, 1991), endêmica da flora brasileira (Marchio-
retto, 2014), ocorre nos estados de Goiás, no município 
de Alto Paraíso de Goiás (Chapada dos Veadeiros) (Sen-
na & Siqueira, 2009; Marchioretto et al., 2014), e Bahia, 
no município de Morro do Chapéu (CNCFlora, 2013). 
Apresenta EOO de 8.307 km² e está sujeita a três si-
tuações de ameaça, considerando sua ocorrência no Par-
que Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) (Siqueira, 
1991), na RPPN Cara Preta (GO) (CNCFlora, 2013) e 
em Morro do Chapéu (BA). É geralmente encontrada em 
estado vegetativo, sob as folhas de gramíneas e ciperáceas 
que predominam em antigas áreas de pastagens (Frank-
-de-Carvalho et al., 2010; 2012); desenvolve-se também 
em Campos Rupestres (Senna & Siqueira, 2009), Cam-
pos Limpos Úmidos, Campos Sujos, campos arenosos e 
áreas inundadas, em solo pedregoso-arenoso, entre apro-
ximadamente 840 m e 1.500 m de altitude (CNCFlora, 
2013). Apesar de ocorrer em Unidades de Conservação, 
está sob ameaça do aumento da frequência dos incên-
dios de origem antrópica, utilizados principalmente no 
manuseio do solo para implementação da agricultura e 
pecuária (Fiedler et al., 2006; Souza & Felfili, 2006). As 
ameaças que incidem sobre a região de ocorrência do 
táxon corroboram a perda da qualidade e extensão de 
seu hábitat. Medidas de controle e monitoramento das 
ameaças incidentes são necessárias a fim de garantir sua 
manutenção e viabilidade na natureza.
Gomphrena hillii Suess
Risco de extinção: EN B2ab(i,ii,iii,iv) \uf0fc
Avaliador(a): Luiz Santos Filho
Data: 18-03-2014
Bioma: Cerrado
 
Justificativa: Espécie de porte subarbustivo (Siqueira, 
1991), endêmica da flora brasileira (Marchioretto et al., 
2014). Ocorre nos estados de Tocantins (Marchioretto et 
al., 2014), Goiás e Bahia (CNCFlora, 2013). Apresenta 
AOO estimada em 24 km² e está sujeita a cinco situa-
ções de ameaça, considerando seus municípios de ocor-
rência: Paraíso do Norte de Goiás, Alto Paraíso de Goiás, 
Caetité (BA), Arraias (TO) e Gurupi (TO) (CNCFlora, 
2013). Desenvolve-se em formações rupestres, cerra-
dão de solo raso e afloramentos graníticos expostos ao 
sol, entre aproximadamente 280 m e 600 m de altitude 
(CNCFlora, 2013). A área de distribuição da espécie so-
fre com a intensa expansão da indústria e o consequente 
crescimento urbano, além da implementação de extensas 
áreas de monocultura destinadas à produção de biodie-
sel (IBGE, 2013), o que acarreta em um declínio contí-
nuo da EOO, AOO e qualidade do hábitat. Medidas de 
48 | Livro vermelho da flora do Brasil \u2013 Plantas raras do Cerrado
contenção e monitoramento das ameaças incidentes são 
emergenciais a fim de evitar que o táxon figure em um 
grau de ameaça mais alarmante em um futuro próximo. 
 
 
 
 
Gomphrena marginata Seub.
Risco de extinção: EN B1ab(i,iii,iv)+2ab(ii,iii,iv) 
\uf0fc
Avaliador(a): Luiz Santos Filho
Data: 18-03-2014
Bioma: Cerrado
Justificativa: Espécie subarbustiva endêmica dos Campos 
Rupestres, preferencialmente em ambientes mais úmidos, 
do Planalto da Diamantina, estado de Minas Gerais (Si-
queira, 1991; Senna & Siqueira, 2009; 2013), é encon-
trada nos municípios de Couto Magalhães, Diamantina 
(Siqueira, 1991; Senna & Siqueira, 2009; 2013), Datas, 
Gouveia e Itacambira (CNCFlora, 2013). Apresenta 
EOO de 2.715 km² e AOO estimada em 24 km² e está 
sujeita a cinco situações de ameaça, considerando seus 
municípios de ocorrência. A região de distribuição da 
espécie sofre com a intensa atividade mineradora,