José Afonso da Silva   Curso de Direito Constitucional Positivo   25ª Edição 2005
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José Afonso da Silva Curso de Direito Constitucional Positivo 25ª Edição 2005


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ao territorio, apopulacao, ao governo
e as finalidades do Estado e suas relacoes reciprocas. Diante disso,
perde substancia a doutrina que pretende diferencar constituicao
material e constituicao formal e, pois, direito constitucional material
e direito constitucional formal."
10. Cf. Pinto Ferreira, Principios gerais do direiio consiitucional moderno, p. 12.
11. Cf. Georges Burdeau, Droit constitutionnel et institutions poliiiques, p. 67, re-
ferindo-se as disposicoes sociais (legislacao do trabalho notadamente) e as econorni-
cas das constituicoes atuais, diz que: "On les considere souvent comme etrangere au
contenu Iogique d'une constitution, mais c'est a tort, car la constitution n'a pas
44 CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL POSITIVO
5. Elementos das constituiciies
--Em decorrencia do que acaba de ser dito, as constituicoes con-
ternporaneas apresentam-se recheadas de norrrias que incidern sobre
materias de natureza e finalidades as mais diversas, sistematizadas
nurn todo unitario e organizadascoerentemente pela acao do poder
constituinte que as teve como fundamentals para a coletividade es-
tatal. Essas normas, geralmente agrupadas ern titulos, capitulos e
secoes, em Iuncao da conexao do conteudo especifico que as vincula,
dao carater polifacetico as constituicoes, de que se originou 0 tema
denominado elementos das constituitiies.
A doutrina diverge quanto ao ruimero e acaracterizacao desses
'elementos. De nossa parte, entendemos que a generalidade das cons-
tituicoes revela, em sua estrutura normativa, cinco categorias de ele-
mentos." que assim.s.e definem:
(1) elementos orgiinicos, q,ue se contem nas norrnas q:ue regularn a
estrutura do Estado e do poder, e, na atual Constituicao, concentram-
se, predominantemente, nos Titulos III (Da Organizafiio do Estado), IV
(Da Orgal1iza~iio dos Poderes e do Sistema de Governo), Capitulos II e III
do Titulo V (Das Forcas Armadas e da SegurancaPllblica) e VI (Da Tribu-
tarii,o e do Orcamenio, que constituem aspectos da organizacao e fun-
cionarnento do Estado);
(2) elementos limitaiioos, qtle se manifestam nas normas que con-
substanciam 0 elenco dos direitos e garantias fundamentais: direitos
individuais e suas garantias, direitos de nacionalidade e direitos po-
liticos e democraticos: sao denorninados limitatioos porque limitam a
acao dos poderes estatais e dao a tonica do Estado de Direito; acham-
'se eles inscritos no Titulo II de nossa Constituicao, sob a rubrica Dos
Direitos e Ga1;]z.n.tias Fundameniais, excetuando-se os Direitos Sociais
(Capitulo II), que entram na categoria seguinte;
(3) elementos socio-ideologicos, consubstanciados nas normas so-
cio-ideologicas, que revelam 0 carater de compromisso das consti-
tuicoes modernas entre 0 Estado individualista e 0 Estado Social,
intervencionista, como as do Capitulo II do Titulo II, sobre as Direitos
~ seulernent a definir le statut organique de l/Etat, mais encore a exprimer lidee de
droit directrice de l'activite etatique. Or, si elle ressort irnplicitement du choix des
organes, elle sera plus nette encore si l'on indique, par quelques exemples concrets,
les prescriptions qu'elle commande". Cf. nosso Aplicabilidade das normas constitucio-
nais, p. 33.
12. Cf. nosso Apiicabilidade das normas constiiucionais, pp. 164 e S5., onde m05-
tramos que esses elementos foram integrando-se nas constituicoes no decorrer da
evolucao hist6rica e amedida que 0 Estado ia absorvendo novas finalidades. Con-
fonne tambern J. H. Meirelles Teixeira, ob. cit., pp. 82 e ss.
DA CONSTITUI~AO 4S
Sociais, e as dos Titulo"s VII (Oa Ordeni Econinnica e Financeirai e VIII
(Oa Ordem Social); .
(4) elementos de estabiiizaciio consiitucional, consagrados nas nor-.
mas destinadas a assegurar a solucao de conflitos constitucionais, a
defesa da constituicao, do Estado e das instituicoes democraticas,
premunindo os. meios e tecnicas contra sua alteracao e infringencia.
e sao encontrados no art. 102, I,·a (afQO de inconstitucionalidadei, nos
arts. 34 a 36 (Da lnieroenciio 1105 Estados e Mflllicipios), 59} L e 60 (Pro-
cesso de emendas aConstituicitov, 102 e 103 (Jllrisdifiio constitucionati e
Titulo V (Da Dejesa do Estado e das lnstiiuicies Democraticas, especial-
mente 0 Capitulo I, porque as Capitulos II e III, como vimos, inte-
gram os elementos organicos):
(5) elementos [ormais de aplicabilidade, sao os que se acham
consubstanciados nas normas que estatuern regras de aplicacao das
constituicoes, assim, 0 preambulo, 0 dispositivo que contem as clau-
sulas de promulgacao e as disposicoes constitucionais transitorias,
assim tambem a do § 19 do art. 59, segundo 0 qualas normasdefinidoras
dos direitos e gara niias[undameniais lenl aplica~iio imediata.
II..SllPREMACIA DA CONSTITUlf;AO
6. Rigidez e supremacia consiitucional
, A rigidez constiiucional decorre da maior dificuldade para sua
modificacao do que para a alteracao das dernais normas juridicas da
ordenacao estatal. Da rigidez emana, como ,p rimord ial consequen-
cia, 0 principia da supremacia da constituiciio que, no dizer de Pinto
Ferreira, "e reputado como uma pedra angular, em que assenta 0
edificio do moderno direito politico"." Significa que a constituicao
se coloca no vertice do sistema juridico do pais} a que confere valida-
de', e que todos os poderes estatais sao legitimos na medida em que
ela as reconheca e na proporcao por ela distribuidos.E, enfirn, a lei
suprema do Estado. pois enela que se encontram a propria estrutu-
racao deste e a organizacao de seus orgaos: e nela que se acham as
norntas[undamentais de Estado, e 56 nisso se notara sua superiorida-
de em relacao as dernais norrnas juridicas.
7. Supremacia material e supremacia [ormal
A doutrina distingue supremacia material e supremacia formal da
constituicao,
13. Ob. cii., p. 90.
46 CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL POSITIVO
Reconhece a primeira ate nas constituicoes costumeiras e nas
flexiveis." Isso ecerto do ponto de vista sociologico, tal como tam-
bern se lhes admite rigidez socio-politica. Mas, do ponto de vista ju-
ridico, so econcebivel a supremacia formal, que se apoia na regra da
rigidez, de que e0 primeiro e principal corolario.
a proprio Burdeau, que fala na supremacia material, realca que
e somente no caso da rigidez constitucional que se pode falar em
supremacia formal da constituicao, acrescentando que a previsao de
urn modo especial de revisao constitucional danascimento adistin-
c;ao de duas categorias de leis: as leis ordiruirias e as leis constitucio-
nais.15
8. Supremacia da Constituiciio Federal
Nossa Constituicao erigida. Em consequencia, ea lei fundamen-
tal e suprema do Estado brasileiro. Toda autoridade 56 nela encontra
fundarnento e 56 ela confere poderes e competencias governamen-
tais. Nem 0 governo federal, nem os governos dos Estados, nero os
dos Municipios ou do Distrito Federal sao soberanos, porque todos
sao limitados, expressa ou irnplicitarnente, pelas normas positivas
daquela lei fundamental. Exercem suas atribuicoes nos termos nela
es tabelecidos."
Por outro lade, todas as normas que integram a ordenacao juri-
dica nacional 56 serao validas se se conformarem com as normas da
Constituicao Federal.
III. ·CONTROLE DE CONSTITIICIONALIDADE
9. Inconsti tucionalidades
a principio da suprernacia requ.er que todas as situacoes juridi-
cas se conforrnem com os principios e preceitos da Constituicao, Essa
conformidade com os ditames constitucionais, agora, nao se satisfaz
apenas com a atuacao positiva de acordo com a constituicao. Exige
rnais, pois omitir a aplicacao de normas constitucionais, quando a
Constituicao assim a determina, tambem constitui conduta inconsti-
tucional.
14. Cf. Georges Burdeau, ob. cii., p. 75.
15. Idem, p. 76. Agora, tarnbem, as leis complementares, cf. nosso Aplicabilida-
de das normae constilucionais, P: 32.
16. Igualmente para a Federacao mexicana, cf. Miguel Lanz