José Afonso da Silva   Curso de Direito Constitucional Positivo   25ª Edição 2005
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José Afonso da Silva Curso de Direito Constitucional Positivo 25ª Edição 2005


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publico y constiiucional, p. 2.
DO DIREITO CONSTITUCIONAL 35
cacia, 0 que envolve criterios estimativos de interpretacao, sempre
correlacioriartdo os esquemas normativos escritos, ou costumeiros, com
a dinamica socio-cultural que os informa.
3. Conteudo cientifico
o conteudo cientifico do Direito Constitucional abrange tres as-
pectos, que dao lugar as seguintes disciplinas: (a) Direito Constitucio-
nal Posiiiuo ou Particular; (b) Direito Constitucional Comparado; (c) Di-
reito Constitucional Geral. .
I Direito Constiiucional Positiooou Particular eo que tern por objeto
o estudo dos principios e normas de uma constituicao concreta, de
urn Estado determinado; compreende a interpretacao, sistematiza-
cao e critica das normas juridico-constitucionais desse Estado, tal
como configuradas na Constituicao vigente, nos seus legados his to-
ricos e sua conexao com a realidade socio-cultural existente (ex.: Di-
reito Constitucional brasileiro, frances, Ingles, mexicano etc., de acor-
do com as respeetivas constituicoes).
Direiio Constitucional Comparado, IIcuja missao e 0 estudo te6rico
das normas juridico-constitucionais positivas (mas nao necessariamente
vigentes) de varies Estados, preocupando-se em destacar as singulari-
dades e os contrastes entre eles ou entre grupos deles" ,5 eurn metoda,
mais que uma ciencia especial, que consiste em /I cotejar instituicoes
politicas e juridicas para, atraves do cotejo, extrair a evidencia de se-
melhancas entre elas. Mas essa evidencia, por si 56, nao e,ainda, uma
conclusao cientifica. A conclusao esta urn passo mais alern. Esta na
relacao que se estabelece em funcao da cornparacao: na afirrnacao de
urn tipo generico de orgao ou de funcao, cuja existencia pode ser asse-
gurada pela observacao de varias sernelhancas nos sistemas compara-
dos, e assim por diante. Na rnedida em que 0 metodo comparativo
permite a formulacao de leis ou relacoes gerais e a verificacao de es-
truturas governamentais semelhantes, ele concorre para as conclus6es
do chamado Direito Constitucional Geral e, indubitavelmente, para 0
aprimorarnento do Direito Constitucional interno, ou particular'I.s
5. Cf. Manuel Garcia-Pelayo, Derec1ro consiitucionalcomparado, p. 20; Jorge Xifras
Heras, ob. cit., t. 1/99. Ainda sobre 0 Direito Constitucional Comparado, cf. Giuseppe
de Vergottini, Diritto costituzionale comparato, 3i.! ed., Padova, CEDAM, 1991; Paolo
Biscaretti di Ruffia, lniroduzione al diritio cosiituzionale comparato, '2~ ed., Milano,
Giuffre, 1970; Luis Sanchez Agesta, Curso de derecho constiiucional comparado, 5~ ed.,
2~ reimpressao, Madrid, Universidad de Madrid, Facultad de Derecho, Secci6n de
Publicaciones, 1974.
6. Cf. Afonso Arinos de Melo Franco, Curso de direito constitucional brasileiro, II
35 e 36.
36 CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL POSITIVO
DireitoConstitucional Ceral':« aquela disciplina que delineia uma
serie de principios, de conceitos e de instituicoes que se acham em
varies direitos positivos ou em grupos deles para .classifica-los e
sisternatiza-los numa visao unitaria".' "Se a Direito Constitucional
Cornparado [diz'Afonso Arinos] earenas urn metodo de trabalho, ja
o Direito Constitucional Geral euma ciencia, que visa generalizar os
principios te6ticos do Direito Constitucional particular e, ao mesrno
tempo, constatar pontos de contato e interdependencia do Direito
Constitucional Positivo dos varies Estados que adotam formas se-
melhantes de governo"."
Constituem objeto do Direito Constitucional Ceral: 0 proprio con-
.ceito de Direito Constitucional, seu objeto generico, seu conteudo,
suas relacoes com outras disciplinas, suas fontes, a evolucao do cons-
titucionalismo, as categorias gerais do Direito Constitucional, a teo-
ria da constituicao (conceito, classificacao, tipos, formacao, mudan-
cas, extincao, defesa, natureza de suas normas, estrutura normativa
etc.), hermeneutica, interpretacao e aplicacao das normas constitucio-
nais, a teoria do poder constituinte etc.
7. Cf. Garcia-Pelayo, ob, cit., P: 21. i- :
8. Cf. ob. cit., v. 1/36. Obra classica de Direito Constitucional Geral e a .de Carl
Schmitt, Teoria da Constiiuuiio (VerjassungsleJzre, Munchen, 1928, de que existe tradu-
<;a.o espanhola, Teoria de Ia constitucion, Madrid, Editorial Revista de Derecho Priva-
do, s.d.); igualmente Iarnosa ea obra de Santi Romano, Principiidi dirittocostituzionale
generale, 2~ ed., Milano, Giuffre, 1947 (traducao brasileira de Maria Helena Diniz,
Principios de direito constitutional geral, Sao Paulo, Ed. RT, 1977); no mesmo sentido,
Karl Loewenstein, Teoria de laconstitucion, Barcelona, ed. Ariel, 1965, trad. espanhola
deAlfredo Gallego Anabitarte (original alernao, Verfassungslellre, Tiibingen,J. C. Mohr,
1959); Pinto Ferreira, Principios gerais do direiio constitutional ntoderno, 6!! ed., Sao
Paulo, Saraiva, 1983/ 2 vols.; Jorge Reinaldo A. Vanossi, Teoria constitucional, Buenos
Aires, Depalma, 1975, 2 vols.; Ernesto Saa Velasco, Teoria consiiiucional geral,
Barraquilla, Ediciones Universidades Simon Bolivar, Libre de Pereira y Medellin,
1977. Podemos ainda acrescentar 0 famoso livro de Benjamin Constant, Cours de
politique constitutionnelle, Paris, Guillaume, 1872 (edicao espanhola, Curso de politica
consiiiucional, Madrid, Taurus; 1968, trad. de F. L. de Yturbe); tambem, Alexander
Hamilton, James Madison e John Ja.YI 0 Federalista, Brasilia, Ed. UnB, 1984, trad. de
Heitor Almeida Herrera (original, The Federalist, New York, Modern Library, s.d.);
~. tarnbem Geoffrey Marshall, Constitutional theory, Oxford, Oxford University Press,
1971 (traducao espanhola, Teoria consiiiucional, Madrid.Editorial Espasa-Calpe, 1982,
trad. de Ramon Garcia Cotarelo), e Carl J. Friedrich, La Democratic constitutionnelle,
Paris, PUP, 1958, trad. francesa de d'Andree Martinerie e outros.
Capitulo II
DA CONSTlTUI(AO
I. CONCE/TO, OB/ETO E ELEMENTOS: 1.Conceiio de constituiciio. 2. Con-
cepciics sobre as consiiiuiciies. 3. Cla$sifica~iio dasconstituiiiies. 4. Objeto e con-
teudo das constituicoes. 5. Elementos das constituicoes. II. 5UPREMACIA DA
CONSTITUI<;Ao: 6. Rigidez e supremacia constitucional. 7. Supremacia mate-
riale supreniacia formal. 8. Supremacia da Constituuiio Federal. III. CONTRO-
LE DE CONSTITUCIONALIDADE: 9. Inconstitucionniidadee. 10. lnconsiitu-
cionalidade poraciio. 11. lnconstitucionalidade poromissiio. 12. Sistemasde C011-
trolede constitucionalidade. 13. Criterios e modos de exercicio do controle juris-
dicional. 14. Sistema brasileiro de conlrole de constitucionulidade. 15. Efeitos da
declaraciio de inconstiiucionalidade. IV: Ac;Ao DECLARATORIA DE C01\15-
TITUCIONALIDADE: 16. A questiio consiitucional. 17. Finalidade e objeto da
aciio dec/aratoria de constitucionalidadc. 18. LegitimapJo e competencia para a
aciio. 19. Efeitos dadecisao daariio dec/aratoria deconstitucionalidade. V EMEN-
DA A CONSTITUIC;A 0: 20. Terminologia e conceito. 21. Sistema brasileiro.
22. Poder conetituinte e poder refornuidor. 23. l.imiuicoee ao poder de reforma
consiitucional. 24. Controle de constitucionalidade da reforma consiitucional.
I. CONCEITO, ·O B/ Et O E ELEMENTOS
1. Conceito de constituiciio ;
A palavra consiiiuictio e ernpregada com varies significados, tais
como: (a) &quot;Conjunto dos elementos essenciais de alguma coisa: aCOl1S-
tituiciio do universe, a consiituiciio dos corpos s61idos&quot;; (b) &quot;Tempera-
rnento, compleicao do corpo humano: uma constituiciio psico16gica
explosiva, uma constituiciio robusta&quot;: (c) &quot;Organizacao, formacao: a
constituiciio de uma assernbleia, a constituiciio de uma comissao&quot;; (d)
&quot;0 ate de estabelecer juridicarnente: a constiiuiciio de dote, de renda,
de uma sociedade anonima&quot;: (e) &quot;Conjunto de normas que regem
uma corporacao, uma instituicao: a consiituiciio da propriedade&quot;; (f)
1/A-lei fundamental de urn Estado&quot;.
Todas essas acepcoes sao ana16gicas. Exprimem, todas, a ideia
de modo de ser de alguma