UC12   Apostila Cooperativismo e Associativismo
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UC12 Apostila Cooperativismo e Associativismo


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Tópico 4: Cooperativismo e as Regras do Mercado
Neste tópico, vamos conceituar primeiramente as ideias de mercado e o papel do liberalismo 
na economia. 
 
O liberalismo pode ser resumido na liberdade dos cidadãos e das 
empresas para praticar negócios de qualquer natureza, com as 
regras sendo ditadas mais pelo mercado do que pelos governos.
A história do liberalismo abrange a maior parte dos últimos quatro séculos. O liberalismo 
começou como uma doutrina principal e esforço intelectual em resposta às guerras religiosas 
na Europa durante os séculos XVI e XVII, embora o contexto histórico para a ascensão do 
liberalismo remonte à Idade Média.
A primeira encarnação notável da agitação liberal veio com a Revolução Americana, mas o 
liberalismo efetivamente cresceu como um movimento global contra a velha ordem feudal e 
aristocrática durante a Revolução Francesa, que marcou o ritmo para o futuro desenvolvimento 
da história humana. 
O criador da teoria mais aceita da economia liberal moderna foi, sem dúvida, Adam Smith, 
economista escocês que desenvolveu a teoria do liberalismo apontando como as nações iriam 
prosperar. Nela, ele confrontou as ideias de Quesnay e Gournay, afirmando que a desejada 
prosperidade econômica e a acumulação de riquezas não são concebidas pela atividade rural 
e nem pela comercial.
Legenda: Adam Smith é considerado o pai da teoria do livre mercado.
Fonte: Shutterstock
Curso Técnico em Agronegócio
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Para Smith, o elemento de geração de riqueza está no potencial de trabalho, sendo este livre, 
sem ter o Estado como regulador e interventor. 
Hoje, o liberalismo econômico é também geralmente considerado contrário aos regimes 
que se pretendem não capitalistas, como o socialismo, o capitalismo de Estado (China) e o 
comunismo.
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Atividade prática
A partir desses conceitos sobre a liberdade de mercado, faça uma análise da 
situação do mercado atual. Você já consegue imaginar como o cooperativismo 
pode contribuir para a liberdade de mercado? Discuta esse assunto com os seus 
colegas no AVA!
1. O preço de custo e o de mercado
Imagine a seguinte situação: 
 Estudo de caso
Um viajante dirige por uma estrada quando acontece 
algum imprevisto e o veículo para. Na região faz bas-
tante calor. Ela, então, sai em busca de auxílio, mas terá 
que percorrer a pé vários quilômetros, por várias ho-
ras, até conseguir socorro. A região é quase deserta. Ao 
se preparar para a caminhada, percebe que está sem 
água de reserva para beber, mas decide ir assim mes-
mo. Após algumas horas de caminhada, exausto e com 
bastante sede, encontra um pequeno comércio à beira 
da estrada e logo pede água para beber. A pessoa que 
o atende diz: 
\u2014 Temos somente esta água que é de uma cisterna e 
que utilizamos para beber. Só que você tem de pagar R$ 
100,00 \u2013 isso mesmo, cem reais por um copo de água.
O viajante tem, então, duas opções: ou comprar e beber 
aquela água sobre a qual ele nem sabe as condições, ou 
seguir em frente sem saber se irá encontrar outra água, 
correndo o risco de morrer de sede.
O que você acha? Alguém pode até preferir morrer de sede a pagar esse valor, mas a lógica é 
que se pagariam os extorsivos R$ 100,00.
Fonte: Shutterstock
Associativismo, Cooperativismo e Sindicalismo
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Que situação, hein? Imagine, agora, um cidadão em uma estância hidromineral, em que a 
água que sai da torneira é própria para o consumo e de graça. No restaurante do hotel, uma 
garrafinha de água mineral industrializada custa R$ 1,00. Será que esse consumidor pagaria? 
Poderia até pagar, mas ele saberia que poderia recusar a compra e beber sua água mineral 
direto da torneira.
Fonte: Shutterstock
Nesses dois exemplos, o que podemos analisar sobre o preço da água? Está caro ou está 
barato? 
Alguns dos fatores que determinam o preço são a necessidade e a oportunidade, que 
determinam o chamado preço de mercado. O preço de mercado é determinado pela livre 
oferta e procura, ou seja, quando não há interferências externas, como a do governo definindo 
o preço da conta de água, de energia etc. 
 O preço de mercado é o preço que as pessoas estão dispostas a pagar dada uma oferta do produto desejado.
O preço de custo, por outro lado, é determinado a partir de soma de todos os custos de 
produção de um produto (matérias-primas, armazenagem, transporte, conservação, impostos, 
despesas com pessoal etc.), ou seja, todos os custos fixos e variáveis, acrescentando o lucro 
ou a margem de lucro pretendida. Observe que, nesse caso, pode ser que o preço assim 
calculado não interesse a nenhum comprador. Então, ao invés de preço, ele se torna somente 
custo, porque não houve venda!
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Conclui-se que o que define o preço de venda é o mercado por meio do preço de 
mercado. Um valor só se torna preço quando encontra compradores e vendedores àquele 
valor, resultando em transações que transformam o valor em preço de mercado.
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Comentário do autor
O produtor rural, trabalhando de forma individual, dificilmente tem condições de 
interferir no mercado porque sua margem de lucro é muito estreita. Por outro 
lado, se o produtor rural reunir forças em cooperativismo, terá mais condições 
para competir. Reunidos, produtores podem diminuir custos, buscar novas 
tecnologias e novos mercados, negociar, reduzir preços de compras, aumentar 
preços de vendas, ter maior margem de lucro e transformar o seu custo em valor 
de fato.
Por isso, podemos dizer que o cooperativismo tem uma \u201cfunção corretiva\u201d, porque corrige 
distorções do mercado e dá condições a atores pequenos de competirem.
2. Diferença entre empresas mercantis e sociedades cooperativas
De acordo com o Código Civil, art. 982, uma sociedade simples explora a atividade de prestação 
de serviços decorrentes de atividades intelectuais e de cooperativa, independentemente 
de seu objeto. Já as sociedades empresárias (mercantis) são aquelas que têm por objeto o 
exercício de atividade própria de empresário.
A Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, esta-
belece que existem dois tipos de sociedades anônimas: a companhia aberta, que capta recur-
sos do público por meio de negociações em bolsas de valores e é fiscalizada pela Comissão de 
Valores Mobiliários \u2013 CVM, e a companhia fechada (também chamada de \u201cempresa de capital 
fechado\u201d), que obtém seus recursos dos próprios acionistas. Estas são as grandes empresas, 
como indústrias, redes de lojas etc.
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Link
Não deixe de checar o site da CVM: www.cvm.gov.br
Já nas sociedades simples, dentre elas as cooperativas, o seu capital é representado por 
quotas, e não por ações. No caso da cooperativa, o associado poderá subscrever até um terço 
do total das quotas-partes, mas só terá direito a um voto. Isto é, para cada sócio, um voto. 
Nas sociedades por ações, o voto de sócio será conforme o seu capital. Se um ou mais sócios 
detiverem juntos mais de 50% do capital, eles terão o poder de decisão.
Em todas as sociedades, as pessoas reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou 
serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.
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Comentário do autor
Isso quer dizer que as pessoas se associam para ganhar mais do que se 
trabalhassem sozinhas, podendo esse ganho ser social, econômico ou ambos.
Qual das sociedades é a melhor? Quais são as vantagens e as limitações de cada 
uma? 
Essas são dúvidas que existem e devem ser analisadas antes da decisão. Assim, o interessado 
deve entender as diferenças entre os empreendimentos cooperativos e as empresas mercantis.
O quadro a seguir mostra as principais diferenças entre essas duas