UC12   Apostila Cooperativismo e Associativismo
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UC12 Apostila Cooperativismo e Associativismo


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A cooperativa promove a defesa e a melhoria econômica dos cooperados, a partir de 
custos mais baixos dos bens e serviços prestados, e coloca no mercado, a preços justos, 
bens e prestações por eles produzidos, visto que a organização econômica, estruturada 
em empresa cooperativa, não tem existência estanque, pois está ao lado e em contato 
direto com as demais organizações econômicas que, no mundo liberal e democrático, 
nascem e atuam à sombra do regime da liberdade de indústria, comércio e serviços. 
(SCHNEIDER, 2006)
Fonte: Schneider, Edson Pedro Cooperativismo de crédito: organização sistêmica : ênfase 
no Sistema SICREDI / Edson Pedro Schneider. \u2013 Porto Alegre, 2006. 228 f. : il. 
O produtor rural é um dos profissionais que necessitam do mais amplo conhecimento para o 
desenvolvimento de suas atividades. 
Ele, para ser eficiente, deve ter conhecimentos e habilidades de agronomia, veterinária, 
contabilidade, ambientalismo, direito e administração, e ainda ser um bom comerciante. 
Mesmo o pequeno produtor se defronta, no dia a dia, com situações que exigem a tomada 
das mais diversas decisões. 
Quando busca a participação em uma cooperativa, o produtor espera minimizar muitas das 
dificuldades encontradas no seu cotidiano por meio da orientação e da prestação de serviços 
especializados por parte das cooperativas.
Com isso, o seu foco poderá ser mais direcionado para a produção, deixando a \u201cpreocupação\u201d 
das outras atividades com a cooperativa, que, quando atua de forma eficiente, oferece 
assistência técnica, financiamentos, informações tecnológicas e comerciais, facilita o acesso 
à compra ou ao aluguel de máquinas e equipamentos, orientação jurídica, entre outros, de 
acordo com as características das atividades dos cooperados.
Associativismo, Cooperativismo e Sindicalismo
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Fonte: Shutterstock
A confiança desse apoio pela cooperativa é decisiva para que o produtor tenha sucesso na sua 
atividade considerando os riscos que existem.
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Comentário do autor
Podemos, então, considerar que a defesa econômica do produtor pela 
cooperativa está em todo o processo com o apoio constante, oferecendo 
infraestrutura necessária para suas atividades. 
Outra forma fundamental de defesa econômica dos cooperados é a escala de negociação 
detida pela cooperativa, mas não pelo cooperado individualmente. Isso é chamado de \u201cganho 
de escala\u201d e permite que a cooperativa negocie de igual para igual com as grandes empresas 
fornecedoras e compradoras, podendo influenciar decisões de governo com mais força. 
A escala ou o tamanho das cooperativas permite que elas sejam mais fortes em qualquer 
negociação do que seria o produtor individual, o que garante ao cooperado as melhores 
condições possíveis nos resultados dos negócios.
Fonte: Shutterstock
Curso Técnico em Agronegócio
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O sucesso é, na verdade, aumento dos resultados com a melhoria da qualidade de vida do 
cooperado e de seus familiares, sendo também importante esse apoio nas atividades sociais.
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Dica
Verifique sempre se sua cooperativa possui condições de escala para 
negociações favoráveis aos cooperados!
3. Particularidades e cuidados
As cooperativas proporcionam, ainda, para seus cooperados uma coisa que se convencionou 
chamar de \u201cdupla qualidade\u201d, que merece bastante atenção.
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Comentário do autor
A dupla qualidade do cooperado se refere ao fato de ele ser, na cooperativa, 
tanto dono como cliente. As cooperativas de produção e comercialização do 
setor rural geralmente tanto compram a produção de cooperados como vendem 
a eles insumos, máquinas, assistência técnica etc. Assim, os cooperados possuem 
as qualidades de ser, ao mesmo tempo, donos, porque são quotistas associados, 
e clientes, porque tanto compram como vendem para a cooperativa.
Mas é importante perceber que essa dupla qualidade traz também implicações. Acompanhe 
a situação a seguir!
 Estudo de caso
Como disseram que é vantajoso participar de uma cooperativa, um produtor rural vai até lá 
e pede para se associar. É bem recebido pelo gerente, conhece as instalações, toma cafezinho, 
bate um papo com o administrador, dá tapinha nas costas, assina sua ficha de inscrição e 
aguarda a decisão da diretoria. 
Logo é comunicado de que, a partir daquela data, passaria a ser sócio da cooperativa. Ele 
começou a entregar o leite da sua propriedade rural para a cooperativa e passava lá todos os 
meses para receber o dinheiro, ou ver se havia sido depositado no banco, aproveitando para 
fazer umas compras de coisas de que estaria precisando na fazenda. Até aí tudo ia bem, e ele 
estava feliz em ser um cooperado.
Em certo mês, quando foi receber o dinheiro pelo pagamento do leite, observou que a coope-
rativa estava pagando menos e que poderia ter pagado um pouco mais! Observou, também, 
que o preço do adubo da cooperativa estava caro e que poderia comprar mais barato.
Pensando sobre isso, \u201ccaiu a ficha\u201d: como dono da cooperativa, isso era bom para ele, pois os 
resultados do negócio seriam melhores e ele poderia receber distribuição de resultados, mas, 
como consumidor, era ruim, pois o preço do leite estava barato e os insumos mais caros. Ou 
seja, era bom enquanto dono, mas ruim enquanto cliente.
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Vamos pensar um pouco: o dono do negócio procura vender mais barato ou mais caro? O 
cliente quer comprar mais caro ou mais barato?
O cooperado para e pensa: \u201cE agora? Como faço? Sou dono e cliente.\u201d
O
Informações extras
Em alguns casos, além de ser cliente e dono, o cooperado ainda pode ser, 
também, membro do conselho, ou seja, dirigente da cooperativa.
Essa é uma situação que deve ser bastante discutida com os cooperados para que todos 
ganhem mais, sem prejuízo para os outros.
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Atividades para praticar em casa
Você conhece alguma situação semelhante à relatada nos estudos de caso? 
Como devo proceder sendo dono e cliente? É preciso aprender a ser dono de 
uma empresa da qual também seja cliente.
Registre suas impressões e seus pensamentos, e compartilhe com seus colegas 
no AVA!
Para reflexão sobre o tema, veja, a seguir, um trecho do artigo de enfoque jurídico \u201cAs falsas 
cooperativas não podem burlar a relação de emprego\u201d, publicado por Waldir de Pinho Veloso 
na Revista da OAB-GO.
 Estudo de caso
Segundo Iara Alves Cordeiro Pacheco, quem começou a lecionar que o cooperativismo exige o 
Princípio da Dupla Qualidade foi Walmor Franke. Pelo Princípio da Dupla Qualidade, o coope-
rado é considerado, ao mesmo tempo, cliente e associado-cooperado. O próprio artigo 7º da 
Lei nº 5.764, tornando mais extensa uma parte do artigo 4º da mesma lei, traz explícito que 
\u201cas cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados\u201d. 
Pelo Princípio da Dupla Qualidade, um cooperado deve receber da sua entidade alguns be-
nefícios diretos, alguns serviços especiais. A cooperativa não pode, destarte, prestar serviços 
exclusivamente a terceiros, sem que seus próprios cooperados também tenham benefícios 
diretos pelos seus serviços. Tem, assim, a Dupla Qualidade o cooperado que, além de sócio da 
cooperativa, e desta sociedade fazendo parte como real sócio que participa das assembleias, 
vota e pode ser votado, também recebe serviços da sociedade da qual é parte. Exemplos há 
com excesso de cooperativas das quais seus cooperados recebem serviços especiais. Aqui, 
estamos falando das falsas cooperativas. Não das verdadeiras sociedades que têm o coope-
rativismo como lema.
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(...) transcreveremos um trecho da sentença trabalhista do processo 1090/96, da mesma JCJ 
de Belo Horizonte, e tendo como presidente e relator o multicitado, porque multicapaz, Mau-
rício Godinho Delgado: \u201cNo caso em exame, o princípio da dupla qualidade não é atendido, já 
que não se encontra, nos autos, qualquer