UC12   Apostila Cooperativismo e Associativismo
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UC12 Apostila Cooperativismo e Associativismo


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mínima evidência de que a cooperativa reclamada 
trate a autora como sua beneficiária, sua cliente, a razão de ser de sua existência. Não. Ao 
contrário, o que se percebe, simplesmente, é a oferta de trabalho a terceiros. (...) Excetuado 
o pagamento pelos serviços, não há qualquer retribuição material ou de outra natureza que 
demonstre que a trabalhadora seja destinatária dos serviços da cooperativa. Já o princípio 
da retribuição diferenciada também claramente não é atendido pela cooperativa em análise. 
A cooperativa reclamada não potencia o trabalho da reclamante: apenas defere-lhe um lu-
gar-padrão de prestação de serviços. Não se enxerga qualquer traço, nestes autos, de que a 
cooperativa permita que o cooperado obtenha uma retribuição pessoal em virtude de seu tra-
balho potencialmente superior àquilo que obteria caso não estivesse associado. (...) Ao revés, 
emerge claro um aritmético rebaixamento do preço da força de trabalho, se comparado com 
o padrão mínimo autorizado pelo direito brasileiro (há confissão no sentido de que o salário 
obreiro é levemente superior ao mínimo da categoria equivalente, sabendo-se que nenhum 
direito laboral clássico é assegurado à trabalhadora...).\u201d 
Vê-se, pois, que em havendo uma real subordinação e uma comprovada continuidade de um 
trabalho oneroso, e desde que a sociedade não ofereça ao seu associado os princípios básicos 
do cooperativismo, há o reconhecimento do vínculo empregatício, a declaração da relação de 
emprego, e o \u201cfalso\u201d cooperado veste-se de empregado e recebe todos os direitos trabalhistas 
que um empregado tem. Ao contrário, as verdadeiras cooperativas não têm vínculos emprega-
tícios com seus associados, bem como os tomadores dos serviços da correta cooperativa não 
é empregadora dos associados daquela. 
Vivenciamos, por diversas vezes, situações em que somos convidados para orientar grupos 
sobre a constituição de cooperativas e verificamos o que se relata nesse artigo. Pessoas que 
buscam a criação de cooperativa, mas, na verdade, querem \u201clegalizar\u201d o serviço que outras 
pessoas prestam para ela, como o caso, em uma região que produz frutas e verduras, dos 
produtores que querem criar uma cooperativa de trabalho para legalizar os serviços dos 
embaladores, ou seja, transformar os seus \u201cempregados sem carteira\u201d em \u201cempregados 
cooperados\u201d.
 
Essas atividades são ilegais e foram apelidadas de \u201ccoopergatos\u201d, 
porque denigrem o sentido maior do cooperativismo. O Ministério do 
Trabalho tem se esforçado no sentido de coibir essas irregularidades.
Outro exemplo refere-se aos catadores de lixo. Com a lei que determina o fim dos lixões 
nas cidades, são constantes as denúncias sobre as \u201ccooperativas de catadores de materiais 
recicláveis\u201d, previstas na lei como forma de organização dos catadores. 
Pessoas se apresentam para auxiliar na criação da cooperativa, mas transformam os catadores 
em seus \u201cempregados\u201d. A imprensa tem feito várias denúncias sobre o assunto.
Associativismo, Cooperativismo e Sindicalismo
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4. Dinâmica da sociedade cooperativa de produção agropecuária
Por definição, a sociedade cooperativa de produção agropecuária reúne produtores rurais 
para a prestação de serviços, que podem ser a compra em comum de insumos, a venda em 
comum da produção dos cooperados, a prestação de assistência técnica, armazenagem, 
beneficiamento da produção, entre outros.
No Brasil, as cooperativas agropecuárias são de grande importância para o dinamismo e o 
bom desempenho do agronegócio. Enquanto a maioria dos setores da economia brasileira 
apresenta resultados negativos nas exportações, o agronegócio continua mantendo resultados 
positivos na balança comercial brasileira. Em junho de 2015, o setor exportou US$ 9,13 bilhões 
e importou somente US$ 1,06 bilhão, o que resultou um saldo positivo de US$ 8,07 bilhões na 
balança comercial do Brasil, segundo dados divulgados em julho de 2015. 
Fonte: Shutterstock
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assuntos tratados na unidade curricular!
Historicamente, as primeiras iniciativas cooperativistas no Brasil surgiram pouco tempo depois 
que o movimento despertou no mundo. Passados menos de 50 anos da criação da primeira 
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cooperativa na Inglaterra, em 1844, os brasileiros registraram formalmente a sua pioneira. 
Em Minas Gerais, foi formalizada a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários 
Públicos de Ouro Preto no ano de 1889. Assim como os tecelões de Rochdale, os precursores 
brasileiros eram cooperados de consumo, mas a Sociedade Cooperativa oferecia produtos 
diversificados, desde gêneros alimentícios até residências e crédito. A partir da organização 
mineira, outras rapidamente surgiram pelo país. 
No início do movimento, muitas cooperativas eram formadas por funcionários públicos, 
militares, profissionais liberais e operários, que juntos buscavam atender melhor às suas 
necessidades. Outras estavam vinculadas a empresas, as quais estimulavam a cooperação 
entre os funcionários, principalmente no Estado de São Paulo. 
Ainda no século XIX, nasciam as organizações que se tornariam destaques do cooperativismo 
brasileiro: as agropecuárias. A primeira registrada foi a Società Cooperativa delle Convenzioni 
Agricoli, fundada no Rio Grande do Sul, na região de Veranópolis, em 1892. 
Fonte: Shutterstock
A partir daí, esse segmento se desenvolveu com vigor no Sul do país, estimulado por imigrantes 
europeus e asiáticos, que traziam dos seus países o conhecimento da doutrina e buscavam a 
união para a garantia da subsistência. Conforme dados da Organização das Cooperativas do 
Brasil, o país tem atualmente 13 ramos do cooperativismo, com 6.835 cooperativas.
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Ramos 
Nº de 
cooperativas
Nº de cooperados
Nº de empregos 
diretos
Agropecuário 1.597 100.767 161.701
Consumo 122 2.923.221 13.880
Crédito 1.042 5.487.098 38.132
Educacional 300 52.371 4.079
Especial 6 247 7
Habitacional 220 120.520 1.035
Infraestrutura 130 934.892 6.496 
Mineral 86 87.152 180
Produção 253 11.527 3.386
Saúde 849 249.906 92.198
Trabalho 977 228.613 1.929
Transporte 1.228 137.543 11.685
Turismo e lazer 25 1.696 18
Total 6.835 10.335.553 334.726
Fonte: OCB, setembro de 2015.
Podemos comparar o número de cooperados com o número de habitantes da Cidade de São 
Paulo, que é de 12 milhões. É como se 86% da população de São Paulo fosse de cooperados. 
O número de associados a cooperativas representa hoje 5,7% da 
população brasileira, e, se somadas as famílias dos cooperados, 
estima-se que o movimento cooperativista agregue 22,8% da 
população nacional.
No mundo atual, o cooperativismo também cresce a passos largos em seu propósito de 
atenuar as contradições do capitalismo internacional. Nos Estados Unidos, 60% da população 
participa de algum tipo de cooperativa, que reúne mais de 150 milhões de pessoas; no Canadá, 
45% da população (12 milhões de pessoas); na Alemanha, 20% da população (20 milhões 
de pessoas, sendo que 80% dos agricultores e 75% dos comerciantes); na França, 20% da 
população (10,5 milhões). 
A Associação Cooperativa Internacional reúne nada menos do que 230 organizações de mais 
de 100 países e representa cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Somente nas 
Américas, em 2010, eram 74 organizações filiadas de diferentes países, com cerca de 50 mil 
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cooperativas e mais de 300 milhões de cooperados em todo o continente, o que demonstra o 
poder do cooperativismo em seu papel como organização social. 
Tópico 6: Atos Cooperativos
Denominam-se atos cooperativos aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, e 
vice-versa, e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos 
sociais,