UC14   Técnicas de Produção Animal
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UC14 Técnicas de Produção Animal


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atividade que exige maior conhecimento por parte do produtor como é a ovinocultura, já que 
é uma atividade inovadora e complexa, onde os riscos podem ser maiores devido à carência 
de conhecimentos e assistência técnica.
1. Importância socioeconômica
Certamente, os ovinos foram os primeiros animais a serem domesticados na história humana. 
Embora as vacas tenham substituído as ovelhas como animais leiteiros devido à sua maior 
produção de leite e carne, a ovinocultura ainda é considerada um empreendimento viável nos 
dias atuais.
De acordo com Embrapa (2010), a pastagem que suporta uma unidade animal, que equivale 
a uma vaca de 450 kg, tem a capacidade de suporte de cinco ovelhas, ou seja, cada ovelha 
equivale a 0,2 unidades animal.
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Fonte: Shutterstock
Existem propriedades com suporte de quatro unidades animais, o que significa dizer que é 
possível a criação de 20 ovelhas por hectare, desde que sejam seguidos critérios técnicos de 
criação baseados na produção racional e intensiva à base de pasto.
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Atenção
Na ovinocultura de corte, consegue-se animais com peso vivo entre 28 e 30 kg, 
considerado ideal para abate, com idade inferior a 120 dias. Na ovinocultura de 
leite, a ovelha pode produzir 300 litros em uma lactação de 180 dias.
Porém, a ovinocultura ainda tem muitos gargalos. Confira a seguir alguns deles
\u2022 pouca capacitação dos produtores;
\u2022 desconhecimento dos custos de produção;
\u2022 não padronização das carcaças;
\u2022 pouca oferta do produto de qualidade;
\u2022 pouca interação com outras atividades agrícolas;
\u2022 sazonalidade da produção de carne;
\u2022 muita informalidade na comercialização. 
Abaixo segue a identificação dos pontos fortes e fracos, além das oportunidades e ameaças 
da ovinocultura.
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72 Pontos fortes
\u2022 Genética de qualidade 
disponível.
\u2022 Possibilidade de integração com 
outras espécies.
\u2022 Tradição de pecuária.
\u2022 Animal de ciclo rápido.
\u2022 Ociosidade dos frigorí\ufb01cos.
\u2022 Utilização de pequenas áreas 
para criação.
Pontos fracos
\u2022 Abate informal.
\u2022 Falta de qualidade e 
padronização.
\u2022 Pouca integração entre 
produtores. Di\ufb01culdade com os 
canais de distribuição.
\u2022 Ausência de marketing.
\u2022 Assistência técnica especializada 
de\ufb01citária.
\u2022 Sazonalidade na oferta dos 
produtos.
\u2022 Falta de informação do per\ufb01l do 
consumido.
\u2022 Pouca união entre os elos da 
cadeia.
Oportunidades
\u2022 Maior aceitabilidade do produto.
\u2022 Aumento mundial do consumo 
de carnes.
\u2022 Aumento da renda da 
população. Busca de produtos 
saudáveis e nutritivos.
\u2022 Mercado nacional e internacional 
em expansão.
\u2022 Investimento de empresas no 
setor.
Ameaças
\u2022 Existência de cadeias produtivas 
mais desenvolvidas.
\u2022 Hábito alimentar.
\u2022 Custo de produção mais 
competitivo em outros países 
produtores, como o Uruguai.
\u2022 Importação.
Fonte: Ramon, 2009.
Um ponto negativo da criação de ovinos é o grande número de mortes de animais por 
predadores, principalmente cães, por isso, a necessidade de fechar os animais à noite em 
galpões.
2. Produção de carne, leite, lã e pele
Antes de dar início à criação de ovelhas, é necessário fazer um bom planejamento, especialmente 
para defi nir qual será a fi nalidade da produção e qual será o mercado consumidor para saber 
quais produtos são demandados. 
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Acompanhe no quadro abaixo as principais raças produtoras de carne, leite, lã e pele.
Carne
Para a produção de carne ovina podem ser utilizadas raças 
especializadas, como a raça Hampshire Down, Suffolk e Texel.
Os animais destas raças chegam a atingir 27 kg de peso vivo aos 70 
dias de idade.
Leite
Na produção de leite de ovelha, os destaques são as raças 
Lacaune, Bergamácia e East Friesian. Elas também são aptas para a 
produção de carne, porém, o leite ovino é o que representa maior 
rentabilidade, pois cada ovelha chega a produzir 1,5 litros de leite 
por dia, cerca de 250 litros em uma lactação.
Lã
Na produção de lã ovina, pode ser utilizada a raça Merino 
Australiana, a Ideal ou as de dupla aptidão, carne e lã, como a 
Corridale, Romney Marsh e Ile de France.
Pele
Já na produção de pele ovina, recomenda-se as raças Karakul e a 
Crioula, além da Santa Inês, que também tem aptidão para carne.
Fonte das imagens: Shutterstock
Carne ovina
Cada dia mais, o mercado exige uma carne de excelente qualidade e padronização, que só 
poderá ser obtida com animais jovens, até 5 meses de idade e peso adequado entre 35 e 40 
kg de peso vivo, produzido em condições ótimas de criação.
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Consumo de carne ovina nos principais países
País Consumo por habitante/ano em kg
Nova Zelândia 49,6
Austrália 18,4
Emirados Árabes 11,1
Reino Unido 5,9
Espanha 5,6
França 4,2
Brasil 0,7
Fonte: Embrapa, 2010.
A carne de ovino tem, em média, 274 cal/100 gramas ou o mesmo que a carne bovina, mas 
é mais digestível que a carne bovina e suína. Os ovinos destinados ao corte são divididos em 
classes  de acordo com a idade e o sexo, bem como em tipos, de acordo com a conformação 
e qualidade da carne, conforme segue:
\u2022 Cordeiro: até 7 meses de idade, de ambos os sexos, com peso vivo 15 a 25 kg, possui carne 
rosada e lisa.
\u2022 Borrego: entre 7 e 15 meses de idade, com peso vivo 30 a 45 kg, carne mais vermelha que 
a do cordeiro.
\u2022 Capão: macho com mais de 15 meses, castrado ainda quando cordeiro, coloração da carne 
vermelha intensa.
\u2022 Ovelha: fêmea adulta com idade acima de 15 meses, com peso vivo de mais de 35 kg, 
carne vermelha escura.
\u2022 Carneiro: macho adulto, não castrado, com idade superior a 2 anos, carne pouco atraente 
pelo aspecto, consistência e sabor.
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Dica
A carne de ovelhas e carneiros mais velhos deve ser mais utilizada para o 
preparo de embutidos.
Leite ovino
No Brasil, a intensificação da ovinocultura de corte, com mudanças no sistema de criação 
de extensivo para intensivo, despertou o interesse na pesquisa sobre a produção do leite de 
ovelha. Além de ser a principal fonte de nutrientes para os cordeiros durante as primeiras 
semanas de vida, o leite de ovelha e, principalmente, seus derivados encontram ampla 
oportunidade de mercado.
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Fonte: Shutterstock
O leite de ovelha é um produto rico em gordura e proteína e é basicamente utilizado para 
a produção de queijos e iogurtes artesanais ou comerciais que são bem valorizados em 
alguns mercados consumidores. Ele pode representar uma boa alternativa de diversificação 
à produção ovina e também à bovinocultura, principalmente para o consumo de leite por 
pessoas com intolerância ao leite de vaca.
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Informações extras
Esse leite contém quase o dobro de sólidos totais que o de vaca: maior teor de 
proteína, principalmente a fração de caseína, e gordura. O rendimento industrial 
chega a 18-25%, ou seja, são necessários apenas 4-5 kg de leite de ovelha para a 
produção de 1 kg de queijo, enquanto se requer 8 a 12 kg de leite de vaca para 
fazer 1 kg de queijo.
A produção do leite de ovelha pode ser uma alternativa viável para os produtores brasileiros 
que pretendem ampliar suas fontes de retorno econômico. As pesquisas sobre a produção e a 
composição do leite ovino visam tanto o mercado da carne com maior rendimento na criação 
de cordeiros para abate quanto a manufatura de produtos derivados do leite, principalmente o 
queijo e o iogurte, devido às características únicas deste leite que permitem maior rendimento 
industrial e lucratividade para o produtor.
Lã ovina
As raças para lã e as raças mistas concentram grande parte do rebanho, o que torna a lã um 
dos principais produtos derivados da ovinocultura. A lã pode ser classificada de acordo com 
as características das fibras e a qualidade do velo. Um ovino passa a dar boa lã a