UC14   Técnicas de Produção Animal
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UC14 Técnicas de Produção Animal


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de extensão e 
pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, 
curtumes, indústria calçadista e de vestuário.
No meio de tudo isso, está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas é 
também o segmento menos organizado, que menos tem evoluído e se modernizado e, em 
consequência disso, acaba sendo pouco explorado pelos demais elos da cadeia.
A partir do momento que o produtor de caprinos se conscientizar de que desenvolve um 
agronegócio, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada. Além de 
perceber que, ao se reunir em associações e cooperativas, ele beneficia não somente o seu 
vizinho, mas também a si mesmo. 
Dessa forma, o produtor vai visualizar com maior clareza que o sucesso de seus fornecedores 
depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o 
qual fornece seu produto. 
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d
Comentário do autor
Um dado preocupante na caprinocultura é o mercado consumidor, pois o 
consumo de carne é rigorosamente o mesmo dos últimos 40 anos.
Mas se avaliarmos o mercado potencial, algumas simulações indicam que, para 
alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho 
brasileiro deveria se multiplicar 40 vezes.
Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países 
árabes, evidencia-se um mercado potencial muito promissor e que pode ser 
explorado.
6. Principais doenças e parasitas de pequenos ruminantes
A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início de 
atividade, a preocupação deve ser com os cuidados a serem tomados, para começar com o 
rebanho limpo. Este é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes 
problemas sanitários no rebanho. O objetivo é minimizar o risco de entrada de novas doenças 
no rebanho.
Principais doenças 
Clostridioses: bactérias anaeróbicas que penetram nos animais através de cortes, injeções, 
respiração, comendo ou bebendo. Pode ocorrer no intestino quando houver mudança súbita 
na alimentação, sendo as principais clostridioses:
Carbúnculo sintomático 
(manqueira)
Destruição intensa da área muscular em 1 ou 2 dias, ocorre 
claudicação, inchaço e alteração na cor dos músculos que ficam 
vermelho escuro ou preto.
Edema maligno (gangrena 
gasosa)
No local afetado, ocorre uma infecção gasosa, e a morte ocorre 
entre 12 e 48 horas.
Clostridium sordeli
A pele fica enegrecida no peito e na garganta, e a morte súbita 
ocorre devido a uma potente toxina.
Hepatite necrótica
Morte súbita, líquido no abdômen, fígado necrosado e pele 
enegrecida no abdômen.
Intestino purpúreo
Cólicas, diarreia fétida com sangue e convulsões, com a parte 
afetada do intestino ficando azul escura.
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Doença da 
superalimentação
Mudanças bruscas na alimentação, altos níveis de carboidratos 
que liberam os clostrídios para o sangue, que mata em poucas 
horas. O tratamento para estas clostridioses são altas doses 
de penicilina se for detectado a tempo. Mas o melhor é a 
vacinação para a prevenção, que deve ser feita nas ovelhas 
antes do parto, que passam a imunidade para seus filhotes 
pelo colostro e aos 3 meses vaciná-los e repetir aos 6 meses ou 
de ano em ano.
Tétano
Bactéria aeróbia que se encontra na terra ou no esterco, 
principalmente de cavalo, aparece mais no parto, castração, 
descola e na tosquia. Qualquer ferida com casca pode ser o 
ambiente ideal para esse clostrídios.
Os sintomas são espasmos musculares e enrijecimento 
progressivo dos membros, da boca e das orelhas. No início, 
o tratamento com penicilina e limpeza das feridas resolve. A 
prevenção pode ser feita com vacinas e com o cuidado das 
feridas, e evitar a criação de cavalos no mesmo piquete das 
ovelhas.
Pasteurelose: normalmente acontece nas vias aéreas. O estresse do desmame, o transporte, 
a castração, a mistura com outros animais e os locais mal arejados facilitam o contágio. Os 
sintomas são febre, respiração com dificuldade e pulmões hepatizados. O tratamento é feito 
com antibiótico de largo espectro e a prevenção pode ser feita com vacinação.
Fonte: Shutterstock
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Diarreia dos cordeiros: ocorre principalmente quando a mãe fica junto do cordeiro e o local 
não é bem arejado e seco. A mãe deita com o úbere em cima das fezes e o cordeiro, ao 
mamar, contamina-se e apresenta diarreia cor amarelo brilhante, cólicas, sem apetite, 
chegando à morte por desidratação. O tratamento pode ser feito com antibióticos de amplo 
espectro.
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Dica
A prevenção é criar os animais em local limpo, seco e passar o lança- chamas 
uma vez por semana nas instalações.
Podridão do casco (foot rot): associação de duas bacté-
rias anaeróbias, que atacam o epitélio interdigital que pe-
netra na muralha do casco e facilita a entrada de outras 
contaminações. A lama e o esterco facilitam o foot rot, 
pois amolece o casco. As bactérias sobrevivem por três 
semanas, devendo-se isolar os animais afetados para não 
manter a contaminação no ambiente.
Os animais não se alimentam bem devido à dor nos 
membros. Para prevenir, deve-se casquear os animais a 
cada seis meses, isolar os afetados, desinfetar os mate-
riais e queimar os resíduos. O uso de pedilúvio pode ser 
feito, primeiro com os animais sadios por cinco minutos 
e depois com os enfermos por 20 minutos, repetindo o 
tratamento por três semanas.
Os animais sadios devem ser levados a uma pastagem com descanso de 30 dias e os doentes 
devem ficar no ripado. Tem-se observado que raças Santa Inês e Morada Nova são mais re-
sistentes ao foot rot. Nos casos graves, pode-se aplicar três doses de tetraciclina com intervalo 
de 48 horas entre as aplicações.
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Dica
\u2022 Sulfato de Zinco (10%) + 2ml/litro de detergente comum.
\u2022 Sulfato de Cobre (10%), pode intoxicar os animais.
\u2022 Formol (2,5%), pode ocasionar contaminação ambiental.
Queratoconjuntivite: causada por bactéria altamente contagiosa que pode levar os animais 
à cegueira permanente. Os sintomas são lacrimejamento, vermelhidão e inchaço nos olhos. É 
transmitida por moscas, poeira, pastagens altas e pela alimentação em cochos coletivos.
Legenda: Casqueamento com tesoura de 
casco (corneta), que previne a podridão dos 
cascos.
Fonte: Ramon, 2012.
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Atenção
O tratamento é feito com colírios a base de cloranfenicol ou tetracilcinas junto 
com anti-inflamatórios.
A prevenção deve ser feita com quarentena de animais e os infectados devem receber uma 
desinfecção no rosto com iodo a 5%. Animais reincidentes devem ser eliminados. Além disso, 
aa poeira predispõe as ovelhas à conjuntivite. O controle de moscas deve ser feito com iscas 
distantes 10 metros da instalação.
Ectima contagioso (boqueira): causada por vírus que podem se alojar no nariz, nos tetos e na 
boca, o que dificulta a alimentação. O tratamento pode ser feito com um chumaço de algodão 
embebido em iodo ou pomada cloranfenicol e violeta genciana. A prevenção é feita por meio 
da quarentena dos animais, podendo-se vaciná-los.
Mastite: as piores são causadas por Staphilococcus aureos e Pasteurela hemolytica, e nos casos 
severos podem levar o animal à morte ou perda do teto afetado. Também há as mastites 
subclínicas ou aquelas que intumescem e empedram os tetos. O tratamento para os casos 
leves é a infusão de pomada com antibiótico nos tetos, mas na mastite aguda, junto com a 
pomada, usar também um antibiótico de amplo espectro. A prevenção é manter o local limpo 
e seco e isolar animais contaminados.
Hipocalcemia ou tetania da lactação: diminuição do cálcio no sangue, que causam os 
seguintes sintomas: tremores musculares, espasmos e isolamento do rebanho. O tratamento 
deve ser feito com aplicação lenta de soluções à base