UC14   Técnicas de Produção Animal
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UC14 Técnicas de Produção Animal


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criada. A alimentação é feita com 
ração comercial e a produtividade é alta e, em muitos casos, há uso 
de aeração e controle da qualidade da água.
Também, dentro das formas de criação, destaca-se o monocultivo e o policultivo que se 
diferenciam conforme o número de espécies criadas.
Monocultivo: uma espécie apenas durante toda a criação.
Policultivo: criação de duas ou mais espécies de peixes para aproveitar melhor o espaço e 
os alimentos disponíveis. Como exemplo, temos a criação de carpas húngara (fundo), capim 
(pasto) e prateada (meio), junto com peixes carnívoros como o jundiá e traíra, dessa forma, 
mantendo a limpeza do viveiro e controlando a desova. Antes de optar pelo policultivo é 
necessário avaliar as espécies e seus hábitos.
2. Alimentação e manejo
A alimentação deve ser feita por meio de ração balanceada, considerando que cada espécie 
de peixe tem um hábito alimentar que deve ser conhecido.
Qualidade da água
A temperatura ótima dá água deve estar entre 24 e 29°C, acima e abaixo disso há estresse 
e diminuição ou cessa a alimentação, podendo causar a morte se ficarem muito tempo sob 
temperaturas muito frias ou muito quentes.
O pH (potencial de hidrogênio) que mostra a acidez ou alcalinidade da água deve ser de 7, 
ou seja, neutro, assim haverá boa produção de plâncton, mas toleram pH entre 6,5 e 8,5, 
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levemente alcalino, daí a importância do uso do calcário, a alcalinidade deve ser maior que 20 
mg/litro de carbonato de cálcio.
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Atenção
Tanto a temperatura quanto o pH da água devem ser avaliados de acordo com a 
espécie cultivada.
O teor de oxigênio dissolvido também é muito importante, sendo o ideal de cerca de 4 ppm, 
mas alguns peixes toleram 2 ppm, só que não se alimentam e ficam suscetíveis a enfermidades.
A dureza da água também pode ser medida e identifica a quantidade de minerais dissolvidos, 
o ideal é de cerca de 20 mg/litro de água. Já os nitritos, nitratos e amônio, compostos 
nitrogenados, são tóxicos em excesso aos peixes, podendo ser tolerados no máximo 0,1 mg/
litro de nitritos e 0,01 mg/litro de amônio.
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Comentário do autor
Lembre-se que a renovação deve ser constante, mas na quantidade adequada, 
cerca de 2,5 % do volume de água do viveiro por dia, em torno de 3 litros 
por segundo e por hectare. É importante ressaltar que deve ser reposta a 
água perdida por evaporação e infiltração, de forma que mantenha-se o nível 
adequado do viveiro.
Outro fator fundamental que demonstra a qualidade da água é a transparência, que mostra a 
capacidade da penetração da luz e indica, principalmente, a densidade de plâncton e matéria 
orgânica. O ideal que a transparência da água fique entre 30 e 40 centímetros, e pode ser 
medida com o braço ou com um disco de 25 cm de diâmetros, dividido em quatro quadrantes 
pintados alternados de preto e branco para melhor visualização, chamado de disco de Secchi.
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Interpretação do disco de Secchi
Leitura no disco Comentários
Menor que 20 cm
Muito turvo, se estiver verde, haverá problema devido à baixa 
concentração de oxigênio e, se for marrom, a produtividade será baixa 
devido ao solo (cortar adubação).
Entre 20 e 30 cm A turbidez está ficando excessiva (diminuir adubação).
Entre 30 e 40 cm Se for verde devido ao fitoplâncton, está em boa condição.
Entre 40 e 60 cm Fitoplâncton se tornando escasso (aumentar adubação).
Maior que 60 cm
Água muito clara, baixa produtividade e pode haver problema com plantas 
aquáticas (fazer adubação).
Fonte: GRAEFF, et al. (2006).
Alimentação
A alimentação varia em função da quantidade de peixes por metro quadrado, que vai depender 
da qualidade e vazão da água e da espécie de peixes que vai criar. A quantidade de plâncton 
do viveiro determina a produtividade do mesmo, por isso temos que estimular sua produção.
Plâncton
Plâncton é um microrganismo de origem vegetal (fitoplâncton) ou animal (zooplâncton) e é a 
fonte de alimento para os alevinos ou para toda a vida dos peixes filtradores.
Antes de encher o viveiro, é fundamental deixar o solo exposto ao sol por cerca de cinco 
dias, depois realizar a calagem com cerca de 500 kg de calcário por hectare, distribuindo 
manualmente e de forma mais homogênea possível. Mas essa quantidade de calcário depende 
do pH do solo. Se estiver entre 5,5 e 6,5, cerca de 1.500 kg por hectare são necessários.
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Dica
Antes de liberar a água para encher, coloque uma tela fina para evitar a entrada 
de predadores no viveiro, libere a água até completar cerca de um metro e feche. 
Somente reponha a água até esse nível no primeiro momento.
Ainda para beneficiar o plâncton, um dia após a calagem e o enchimento de água, deve-se 
fazer a adubação orgânica, que pode ser com esterco bovino cerca de 5.000 kg/ha ou cama 
de aves cerca de 2.000 kg/ha, de forma mais homogênea possível. O uso de adubo químico, 
como a ureia e o superfosfato simples, também são recomendados devido à facilidade de 
aplicação e redução dos resíduos acumulados na água pelos adubos orgânicos. Lembre-se 
que sete dias após a adubação é possível fazer a alevinagem.
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Para definir a alimentação, o ideal é saber a biomassa do viveiro, de forma que se retire uma 
amostra e faça a multiplicação pela quantidade total estimada de peixes.
Ração a fornecer conforme biomassa
Peso médio em gramas % da biomassa em ração
Até 5 10
5 a 20 8
20 a 50 6
50 a 100 4
100 a 200 3,5
200 a 300 3
300 a 500 2,5
Exemplo: se o peso médio dos peixes foi de 30 gramas e colocaram-se 1.000 alevinos, tem-se 
30.000 gramas de biomassa de peixe no viveiro. Portanto, deve-se fornecer 6%, ou seja 1.800 
gramas de ração por dia, dividida em três vezes.
Confira alguns cuidados e recomendações necessárias para a criação de peixes:
\u2022 amostrar (pesar) os peixes no mínimo uma vez ao mês;
\u2022 monitorar o oxigênio dissolvido;
\u2022 nas primeiras horas da manhã, observar se há peixes com dificuldade de respirar, pois 
neste período a quantidade de oxigênio dissolvido é menor;
\u2022 manter as anotações em dia com os controles de cada viveiro, com data de alevinagem, 
espécie, número de peixes, despesca prevista, peso nas amostragens, alimento fornecido 
e quantidade de adubo usado.
Vale lembrar que dois dias antes da captura e abate dos peixes deve ser suspensa a alimentação 
e, 15 dias antes, deve-se parar com a adubação do viveiro.
3. Construção de viveiros
O sucesso da piscicultura depende muito da correta construção dos viveiros. Fatores 
como relevo, disponibilidade de água, mercado e ciclo de produção influenciam muito na 
rentabilidade da venda de peixes, sem contar o clima, insumos, mão de obra e assistência 
técnica que são determinantes para o resultado final.
O maior custo da piscicultura é a construção do viveiro e a movimentação de terra depende 
da topografia local. Por isso, deve ser feito um bom planejamento e projeto para que seja 
aproveitado ao máximo as potencialidades da área.
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O viveiro construído na terra deve começar com uma boa limpeza da área, retirando vegetação 
e restos de raízes, ser, preferencialmente, escavado, com pouca profundidade (1,5 metros) e 
possibilitar o esvaziamento total. O ideal é que esteja próximo das instalações para facilitar a 
alimentação e a vigilância, além de ser construído em um local com insolação direta.
A fonte de água deve chegar, de preferência, por declividade, não ser poluída e em abundância, 
que permita o controle da vazão para dentro do viveiro, por meio de canal ou tubo plástico.
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Atenção
O solo do viveiro também é importante, sendo melhor que contenha grande 
quantidade de argila (mais de 20%), assim retém a água.
O formato ideal do viveiro é retangular, pois facilita o manejo de despesca e o uso