Manual de Reumatologia (USP)
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Manual de Reumatologia (USP)


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dor testicular, livedo reticular e neuropatia periférica. Qual das afirmativas abaixo é 
correta? 
a. Pensar na possibilidade de Granulomatose de Wegener. Solicitar sorologia para hepatite B 
b. Pensar na possibilidade de Poliarterite Nodosa. Solicitar sorologia para hepatite B 
c. Pensar na possibilidade de Granulomatose de Wegener. Solicitar pesquisa de ANCA. 
d. Pensar na possibilidade de Poliarterite Nodosa. Solicitar pesquisa de ANCA 
e. Nenhuma das anteriores 
5. Assinale a correta 
a. ANCA clássico está especificamente associado com a granulomatose de Wegener 
b. ANCA perinuclear está especificamente associado com a granulomatose de Wegener 
c. ANCA clássico está especificamente associado com a poliarterite nodosa 
d. ANCA perinuclear está especificamente associado com a poliarterite nodosa 
e. ANCA perinuclear está especificamente associado com a poliangiite microscópica 
Respostas VASCULITES: 1-d; 2-e; 3-b; 4-b; 5-a 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA 
1- HUNDER G.G et al: The American College of Rheumatology 1990 criteria for classification of vasculitis. 
Arthritis Rheumatism v33, p. 1065 
2- JEANETTE, J.C.; FALK, R.J.; ANDRASSY, K.: Nomenclature of systemic vasculitides. Proposal of an 
international consensus conference. Arthritis Rheumatism v.37, p.187-192, 1994 
3- FAUCI A., HAYNES B.F. KATZ P.: The spectrum of vasculits. Clinical, pathologic,immunologic and 
therapeutic considerations. Ann Intern Med v.89, p.660-676,1978. 
4- JEANETTE, J.C.; FALK, R.J Clin Exp rheumatol v. 25(1) Suppl 44, p. S52-6, 2007. 
5- SEO P; STONE J.H.: The antineutrophil cytolplasmic antibody-associated vasculitides. Am J Med; 117-
139, 2004.
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OSTEOARTRITE
Ricardo Fuller 
EPIDEMIOLOGIA
A osteoartrite (também denominada osteoartrose ou artrose no nosso meio) é 
doença de alta prevalência, atingindo aproximadamente 10% da população acima dos 60 
anos. Considerando apenas o aspecto histopatológico, a osteoartrite pode iniciar-se já na 
adolescência e atingir aos 40 anos 90% dos indivíduos.
Considerando-se os achados radiográficos, 52% da população adulta apresenta 
OA de joelhos, e destes, 20% com quadro moderado ou severo. 85% dos indivíduos na 
faixa dos 55 aos 64 anos, 85% apresentam algum grau de OA em uma ou mais 
articulações e acima dos 85 anos a prevalência da doença (radiográfica) alcança os 
100%. A osteoartrite parece acometer igualmente ambos os sexos, porém, se 
considerarmos a faixa etária abaixo dos 45 anos, os homens são maioria, enquanto que, 
nas mulheres a prevalência é maior após os 55 anos.
Do ponto de vista socio-econômico, o impacto gerado pela OA é de grande 
monta em nível mundial, visto constituir uma das principais causas de perda de horas de 
trabalho, além de acarretar gastos com internações e cirurgias reparadoras para o 
tratamento desses doentes. No Brasil, dados obtidos junto ao Instituto Nacional de 
previdência Social mostraram que em 1974, as doenças osteoarticulares foram 
responsáveis por 10,6% das faltas ao trabalho (ocupando o terceiro lugar das causas de 
incapacidade, após as doenças mentais e as cardiovasculares). A osteoartrite foi a causa 
do impedimento laborativo em 7,8% dos casos. 
FISIOPATOLOGIA
A integridade do tecido cartilaginoso depende de um lento turnover dos 
elementos da matriz, que ocorre de maneira a garantir uma adequada homeostase 
tecidual. O condrócito é dotado de um arsenal enzimático que age sobre o colágeno, e os 
proteoglicanos, de modo a promover uma degradação tecidual localizada e controlada 
para dar lugar à síntese de novas moléculas quantitativa e qualitativamente adequadas 
às necessidades biomecânicas do momento. Trata-se de um mecanismo fisiológico de 
adaptação e renovação tecidual. A osteoartrite representa a falência cartilaginosa que 
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ocorre quando se instala o desequilíbrio entre a degradação e o processo de reparação 
tecidual.
O condrócito sofre a ação reguladora de dois tipos de mediadores: os pró-
catabólicos que são as citocinas, principalmente a interleucina 1 e o fator de necrose 
tumoral alfa e os pró-anabólicos que são os fatores de crescimento. Esses mediadores 
promovem junto ao condrócito a ativação de mecanismos para a degradação tecidual 
(mediada por enzimas e seus inibidores) e para a regeneração da cartilagem (via 
multiplicação celular e síntese dos elementos da matriz). O principal sistema de 
degradação da cartilagem articular inclui 3 enzimas zinco-dependentes existentes no 
condrócito e na sinóvia, denominadas metaloproteases. Sob a ação das citocinas, ocorre 
também a produção de colágenos ectópicos (colágeno I no lugar do colágeno II, próprio 
da cartilagem), que deterioram as propriedades do tecido, acelerando a degradação.
PATOLOGIA
 A cartilagem osteoartrítica sofre degradação, com o surgimento de fibrilações e 
erosões. Ocorre a redução progressiva da espessura da cartilagem que culmina com a 
desnudamento do osso subcondral, que, por sua vez, sofre intensa remodelação, 
tornando-se mais denso e prolongando-se nas bordas da superfície articular, formando 
exostoses marginais denominados osteófitos. 
Os debris osteocartilaginosos são fagocitados pelas células da membrana 
sinovial, induzindo à liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios. A 
membrana sinovial inflamada por sua vez acelera a degradação cartilaginosa via 
liberação de enzimas proteolíticas no líquido sinovial. Os condrócitos, tornam-se 
metabolicamente mais ativos, com núcleos hipertróficos e multiplicação celular, 
principalmente junto às fibrilações, formando clones de duas ou mais células. 
Paralelamente, ocorre morte de condrócitos. 
CLASSIFICAÇÃO
A osteoartrite é definida como idiopática quando não existem fatores 
predisponentes identificáveis, e secundária quando claramente decorrente de agentes 
locais ou sistêmicos que agindo na articulação, modificariam suas características, 
fundamentalmente aquelas necessárias para um desempenho funcional ideal. Tanto a 
OA idiopática, como a secundária podem ocorrer como formas localizadas ou 
generalizadas. Na OA secundária o dano articular atinge, em geral, poucas articulações, 
frequentemente aquelas que suportam carga, como os joelhos, coxo-femorais e coluna 
vertebral, em decorrência da ação de fatores mecânicos locais. 
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Atuariam como elementos de estresse mecânico, deformidades articulares 
congênitas (p. ex. joelho varo ou valgo, displasia acetabular, escoliose, etc), instabilidade 
articular gerada por desvio de alinhamento, flacidez ou hipotrofia dos elementos 
estabilizadores da articulação (cápsula, ligamentos, meniscos, tendões e músculos), e, 
num sentido mais genérico, quaisquer fatores (endócrinos, metabólicos, neurológicos, 
etc) que acarretem sobrecarga anormal nas articulações como encurtamento de 
membros, vícios posturais, obesidade, etc. 
Já na osteoartrite idiopática destaca-se a forma generalizada, verificada 
principalmente em mulheres, acometendo em 85 % dos casos as mãos. Existe um forte 
componente genético nessa forma de doença.
QUADRO CLÍNICO 
O principal sintoma e da osteoartrose é a dor articular de duração e intensidade 
variáveis de acordo com o estado evolutivo da doença. Nas fases iniciais, a dor é fugaz e 
episódica. Posteriormente, com a progressão da OA, torna-se contínua e difusa, com 
características basicamente mecânicas (isto é, aparece com o início do movimento e 
melhora com o repouso), o que permite diferenciá-la na maioria das vezes, da dor com 
características inflamatórias, que ocorre por exemplo na artrite da doença reumatóide e 
tende a ser contínua. A evolução da doença é lenta, geralmente meses a anos, e o seu 
início é impreciso no tempo. Ela tende a ser difusa, o que a diferencia