Manual de Reumatologia (USP)
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fratura e classificar a síndrome osteoporótica em mulheres pós-menopausadas 
(TABELA 1). Para cada declínio de aproximadamente um desvio-padrão da massa 
óssea existe um aumento de 1,3 a 2,5 vezes no risco de fratura em qualquer região. 
TABELA 5: Indicações Para Avaliação de Densidade Óssea 
x Mulheres com 65 anos ou mais 
x Homens com 70 anos ou mais 
x Mulheres na pós-menopausa < 65 anos, e homens (50-70 a) com fatores de risco 
x Adultos com fraturas de fragilidade 
x Adultos com doença ou condição associada à perda de massa óssea 
x Adultos em uso de medicações associadas com baixa massa óssea ou perda 
óssea
x Pacientes onde a terapia farmacológica esteja sendo considerada 
x Pacientes em tratamento, a fim de monitorar a eficácia da terapêutica 
x Pacientes que não estejam em tratamento, onde a evidência de perda óssea 
poderia indicar tratamento 
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FIGURA 1. Densitometria óssea da coluna lombar em mulher na pós menopausa 
demonstrando osteoporose na região de coluna lombar total L1-L4 (T-Score < -2,5 DP) 
FIGURA 2. Densitometria óssea de quadril em mulher na pós-menopausa demonstrando 
osteoporose na região de colo de fêmur e fêmur total (T-Score < -2,5 DP) 
Avaliação de Fraturas Vertebrais 
A radiografia de coluna torácica (T4-T12) e coluna lombar (L1-L4), em perfil, 
devem ser realizadas para se identificar fraturas vertebrais assintomáticas. Utiliza-se a 
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análise semi-quantitativa para a classificação das fraturas vertebrais: Grau I ou 
deformidade leve: redução de 20-25% do corpo vertebral, Grau II ou fratura moderada: 
redução de 25-40% e Grau III ou fratura grave: redução > 40% (FIGURA 3). 
Anterior Bicôncava Posterior 
Grau 1 
Leve 20-25% 
Normal
Grau 2 
Moderada 25-40% 
Grau 3 
Grave > 40% 
FIGURA 3. Classificação das fraturas vertebrais: Grau 1 (leve), Grau 2 
(moderada), Grau 3 (grave) 
Prevenção e Tratamento da Osteoporose 
Embora a diminuição na DMO possa predizer o risco de fratura, a incidência de 
novas fraturas é o fator mais importante para avaliar o efeito de uma intervenção nos 
estudos de tratamento e prevenção da osteoporose. 
Várias sociedades médicas têm sugerido diretrizes para o tratamento e 
prevenção da osteoporose. Em 1998 a \u201cNational Osteoporosis Foundation (NOF)\u201d 
publicou diretrizes em colaboração com 10 organizações médicas. Segundo a NOF e 
a \u201cAmerican Association of Clinical Endocrinologists (AACE)\u201d as recomendações para 
o tratamento farmacológico visando reduzir o risco de fraturas nas mostradas na 
TABELA 6. 
TABELA 6. Recomendações da terapia farmacológica em mulheres pós-menopausadas, 
segundo a National Osteoporosis Foundation (NOF) e a American Association of Clinical 
Endocrinologists (AACE). 
Fator(es) de Risco 
T - 
NOF
Score
AACE
Ausente < - 2 DP d -2,5 DP 
Presente < -1,5 DP d 1,5 DP 
Nutrição
Evidências sugerem que a ingestão de cálcio é importante durante o 
crescimento esquelético e o desenvolvimento do pico de massa óssea. Suplementos 
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contendo cálcio e vitamina D mostram reduzir a perda óssea em homens e mulheres 
acima de 65 anos de idade. A presença de oxalatos (frutas ou vegetais), fitatos 
(cereais e farinhas) em excesso, tetraciclina e sulfato ferroso, deficiência de vitamina 
D, dificultam a absorção adequada de cálcio. O excesso de sódio, proteínas e uso de 
diúreticos (não tiazídicos) aumentam a excreção renal, piorando o balanço de cálcio 
do organismo. As carnes e alimentos industrializados (congelados, enlatados e 
refrigerantes a base de cola), apresentam grande quantidade de fosfatos que se 
presentes no lúmen intestinal pode formar cristais com cálcio, impedindo a sua 
absorção.
Exercícios
Um modelo ótimo para prevenção da osteoporose e fraturas osteoporóticas é 
maximizar e manter a massa e a resistência óssea, e minimizar o trauma. A atividade 
física regular pode contribuir para cada um destes determinantes, mas com diferentes 
resultados dependendo do período da vida do indivíduo. Exercícios durante a infância 
e adolescência são mais efetivos para o aumento de força e massa óssea que o 
exercício na vida adulta. Nos adultos o benefício primário do exercício é a 
conservação, não aquisição de massa óssea. 
Nos indivíduos idosos, o exercício pode reduzir a taxa de perda óssea e 
melhorar a saúde e a força muscular contribuindo para a prevenção de quedas e 
menor risco de fraturas, porém a quantidade de exercício necessária para minimizar 
esta perda é desconhecida. 
Indivíduos assintomáticos com densidade mineral óssea normal e/ou 
osteopenia leve podem ser orientados para um exercício mais intenso que ajudará a 
manter a massa óssea. Pacientes com osteoporose e/ou história de fratura 
atraumática apresentam maior risco e não existe evidência que o exercício intenso, 
com impacto, irá corrigir esta condição, podendo teoricamente causar mais fraturas. 
Assim, em indivíduos idosos com osteoporose o foco primário para a atividade física 
será minimizar o trauma mais do que construir massa óssea.
Pacientes com diagnóstico de OP devem evitar exercícios abdominais 
dinâmicos ou exercícios que requerem movimentos de torção, abruptos ou de flexão 
(TABELA 7)
TABELA 7 - Exercícios que devem ser evitados em indivíduos com baixa massa óssea 
x Exercícios abdominais de caráter dinâmico 
x Flexão do tronco 
x Movimentos bruscos e de torção 
x Exercícios com carga abrupta e explosiva 
x Exercício com carga de alto impacto 
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Cálcio e Vitamina D
Baseado em ensaios clínicos e em considerações teóricas, a dose de cálcio 
requerida para alcançar um balanço ósseo positivo é ao redor de 1000 mg por dia, 
associada a uma ingestão dietética que pode ser tão baixa quanto 500 mg. O leite e 
derivados são a principal fonte de cálcio, embora este esteja presente em alimentos 
como o peixe e frutos do mar, vegetais de folhas verdes e escuras como espinafre, 
couve e brócolis, entretanto a grande quantidade de oxalato presente nestes alimentos 
impede sua absorção adequada. 
A vitamina D (D2 e D3) em doses fisiológicas ou farmacológicas tem sido 
usada para corrigir a depleção de vitamina D e evitar a deficiência de vitamina D em 
todas as idades. Atualmente, recomenda-se uma dose de vitamina D de 400 -1000 
UI/dia, onde o risco de desenvolver hipercalcemia e/ou hipercalciúria é reduzido.
Outras Terapêuticas Farmacológicas 
As medicações utilizadas para tratamento da Osteoporose podem ser 
classificadas como anti-reabsortivas ou anti-catabólicas (Alendronato, Risedronato, 
Ibandronato, Raloxifeno, Calcitonina, Ranelato de estrôncio) e pró-formadoras ou 
anabólicas (Teriparatida, Ranelato de estrôncio). 
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OSTEOPOROSE RESUMO 
Definição 
Doença esquelética caracterizada pelo comprometimento da resistência óssea, predispondo a um risco de 
fratura
Quadro Clínico 
1. Assintomática 
2. Fraturas 
a: fratura vertebral : 
 Cifose, dor aguda, perda de altura (> 4 cm em relação a idade aos 25 anos ou > 2,5 cm em 1 ano), redução 
da capacidade torácica e abdominal 
b. fratura de antebraço distal, fratura de quadril e outras fraturas periféricas 
Fatores de risco para osteoporose e fratura 
1. Maiores 
a. História pessoal de fratura na vida adulta 
b. História de fratura em parente de 1o grau 
c. História atual de tabagismo 
d. Baixo peso (< 57 kg) 
e. Uso de glicocorticóide 
f. Idade avançada 
2. Menores 
a. Deficiência de estrógeno (menopausa < 45 a) 
b. Baixa ingestão cálcio durante a vida 
c. Atividade física inadequada 
d. Alcoolismo 
e. Quedas recentes 
f. Demência 
g. Déficit de visão 
h. Doenças crônicas