Manual de Reumatologia (USP)
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Manual de Reumatologia (USP)


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pois somente a normalização funcional é igual à 
cura.
Debora
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REUMATISMO DE PARTES MOLES RESUMO 
Compreendem os quadros de dores músculo-esqueléticas originadas nas estruturas peri-
articulares. Também pode ser denominado de Reumatismo não-articular. 
Fisiopatologia 
Estes quadros usualmente estão relacionados ao excesso de uso das articulações, seja por 
movimentos realizados com mau posicionamento da articulação (ou seja, pelo mal uso), seja 
pela realização de movimentos repetidos na presença ou não de vícios posturais. A ansiedade 
e o estresse podem agravar estes quadros, levando-os \u2018a cronificação do quadro doloroso. 
Classificação 
 Quadros localizados \u2013 bursites, tendinopatias, tenossinovites, capsulites, 
fasciítes e entesites 
x Queixa bem localizada 
x Comprometimento de estruturas relacionadas à lubrificação e diminuição do atrito 
durante os movimentos, ou seja, as bursas e as bainhas tendíneas, ou à estruturas 
sujeitas à grande força de tração ou trauma como as enteses. 
x Quadros são geralmente auto-limitados 
x Esclarecimento do fator desencadeante é essencial para prevenir recorrências. 
Quadros regionais - miofasciais e compressão de feixes nervosos 
x Dor difusa e mal definida comprometendo um segmento corporal 
x Presença de ponto gatilho, que uma vez ativado simula o quadro 
x É mais sujeito à cronificação que os quadros localizados 
x Freqüentemente apresenta espasmo muscular com encurtamento do grupo 
muscular comprometido 
x Podem estar associados a quadros de ansiedade e estresse. 
Exames complementares 
x São de pouco auxilio 
x O exame clínico cuidadoso geralmente faz o diagnóstico 
Tratamento 
x Analgésicos e antiinflamatórios 
x Medidas físicas (gelo, calor, exercícios, alongamento, correção ergonômico-postural) 
x Injeções de corticosteróides ou anestésicos em casos específicos 
x Identificação do fator desencadeante visando prevenir as recorrências 
Debora
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REUMATISMO DE PARTES MOLES QUESTÕES 
1) Cite a causa mais comum dos reumatismos de partes moles 
a) Vícios posturais 
b) Movimentos repetitivos 
c) Traumatismos diretos ou indiretos 
d) Fadiga muscular 
e) Todas as anteriores 
2) A fim de se evitar as lesões de esforços repetitivos devemos evitar, exceto: 
a) Uso de força com ferramentas inadequadas 
b) Exercícios físicos visando o condicionamento físico 
c) Trabalhar em ambientes excessivamente frios, pois o gelo é analgésico 
d) Permanecer longos períodos na posição ideal 
e) Repetir sempre os mesmos movimentos para acostumar a articulação 
3) Paulo tem 49 anos de idade e corre 25 Km por dia, há mais de 20 anos. Há 6 meses 
se queixa de dores na planta do pé, na região do calcanhar. Qual a conduta mais 
adequada para resolver o problema? 
a) Parar com as corridas diárias e fazer natação 
b) Colocar aparelho gessado por 3 semanas para dar repouso ao calcanhar 
c) infiltração da fasciíte plantar com corticoesteróide 
d) orientar o uso de calçado e/ou órtese para diminuição do trauma local 
e) tomar antiinflamatório para resolver a dor. 
4) Leila trabalha na área de informática há 25 anos. Recentemente reformou seu 
escritório para tornar o ambiente mais agradável e apesar disto, vem apresentando 
dores nos punhos e dedos das mãos, com dificuldade para digitação. O que pode 
estar acontecendo? 
a) A paciente está estressada pelos gastos da reforma e necessita antidepressivos. 
b) Osteoartrose das mãos, pois há muito tempo executa a mesma tarefa. 
c) Alterações inadequadas na ergonomia do local de trabalho. 
d) Seria interessante fazer uma RNM para descobrir a causa 
e) Deve usar tala gessada nas duas mãos e punhos durante 2 semanas 
5) Nena é dona de casa e sempre gostou dos serviços domésticos. Há 6 meses fraturou 
o punho direito, e desde então passou a utilizar mais a mão esquerda para evitar 
problemas com a fratura (apesar da mesma estar consolidada), e mesmo assim vem 
sentindo dores em todo o membro superior direito. O que pode estar acontecendo? 
a) Quadro miofascial 
b) Com a fratura, houve lesão de nervo 
c) Com o tempo de imobilização para a consolidação da fratura ocorreu atrofia muscular 
do membro superior direito 
d) É comum restarem dores após as fraturas 
e) A paciente está com dor psicológica e necessita tratamento psiquiátrico 
Respostas RPM: 1- e; 2- b; 3- d; 4- c; 5- a 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA 
1. Novaes, G S; Yoshinari, N H. Reumatismo de Partes Moles. In: Yoshinari, N H e Bonfá, E S D O. Reumatologia para 
o Clínico. Ed Roca. São Paulo. 2000, pp 181-186. 
Debora
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FIBROMIALGIA
Lais Verderame Lage
DEFINIÇÃO 
A Fibromialgia é uma condição comum na prática clínica e se caracteriza pelo 
quadro de dor difusa e crônica, freqüentemente associada a queixas de fadiga, e sono 
não repousante. Os pacientes podem ainda apresentar uma variedade de sintomas 
vagos incluindo parestesias, sensação subjetiva de edema de extremidades, 
alterações cognitivas com dificuldade de concentração e raciocínio, ansiedade, humor 
deprimido e irritabilidade, tontura, sensação de desmaio iminente, perda de memória, 
dores de cabeça (tanto tensional como enxaquecosa), palpitações e fraqueza. 
EPIDEMIOLOGIA: 
A fibromialgia é um quadro que afeta predominantemente o gênero feminino, 
com prevalência variando de 2 a 11,5%. Em nosso meio, a fibromialgia acomete entre 
2,5 a 4,4% da população. Embora o quadro seja mais estudado em adultos, o mesmo 
pode estar presente entre crianças e adolescentes, não havendo diferenças entre 
meninos e meninas.
ETIOPATOGENIA 
A etiopatogenia da fibromialgia é desconhecida, havendo diversas teorias para 
explicá-la:
Alterações Musculares 
x Atrofia de fibras tipo II, 
x Presença de fibras reticulares, 
x Edema focal, 
x Aumento do conteúdo lipídeo 
x Aumento do numero de mitocôndrias. 
 Estes achados são interpretados como conseqüentes à redução da 
microcirculação local, o que acarreta hipóxia das fibras musculares e redução da 
reserva energética do tecido muscular. 
Debora
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Alterações de neurotransmissores 
x Diminuição dos níveis de serotonina no soro e no liquido cérebro-espinal (a 
associação entre deficiência de serotonina e depressão já é bem estabelecida. 
Além de modular o humor, a serotonina possui importante papel nas fases III e IV 
do sono não-REM e no limiar de dor). 
x Elevação dos níveis da substância algogênica P no liquor (a substância P esta 
associada ao aumento da percepção da dor). 
Distúrbios do sono 
x Sono não repousante 
x Aumento do número de micro-despertares. 
x Padrão alfa-delta de sono (diminuição da quantidade do sono de ondas-lentas com 
a intrusão anormal de ondas alfa nas fases III e IV do sono não-REM). 
x Correlação positiva entre a quantidade de ondas alfa, durante o sono de ondas 
lentas, e a queixa de sono não restaurador, e queixas dolorosas. 
A Fibromialgia tem sido definida na atualidade como um quadro de ampliação 
da sensibilidade a estímulos sensitivos periféricos como calor, corrente elétrica, 
pressão, que são interpretados pelo sistema nervoso central como sensações 
desagradáveis e traduzidas pelo sintoma dor. 
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO 
Um dos grandes desafios frente à complexidade de queixas e sintomas que 
pode acompanhar o quadro de fibromialgia é justamente o reconhecimento da 
síndrome, do qual depende a adequada abordagem diagnóstica e instituição 
terapêutica. O desconhecimento do quadro acarreta uma busca incessante por 
diversos médicos e especialidades, com a exaustiva e onerosa solicitação de exames 
complementares que culminam com a instalação de tratamentos ineficazes com