Pietro Ubaldi   Ascese Mística
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Pietro Ubaldi Ascese Mística


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lógico, 
ademais, que a evolução, sendo um renovamento tão substancial, conduza quase à vaporização 
daquela distinção, que é a nota necessária e fundamental desse núcleo denso que em nosso nível 
é ainda a personalidade humana. É lógico que a expansão desse núcleo em formas imateriais 
conduz à interpenetração e, portanto, à comunhão de personalidades. Conceitos, para nós, 
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apocalípticos, bem o sei, mas esta é a realidade. Lá em cima, no Alto,
 
a consciência já não 
aparece com as características unitárias e distintivas de nosso plano, mas torna-se um fato 
coletivo. Não se pode negar que isso desoriente todas as nossas concepções; nem por isso, 
contudo, se torna menos verdadeiro. Nada pode alterar-se ante a obstinação com que, em nossa 
incompreensão, negamos. Encontraremos noúres, sempre noúres, correntes não só de 
pensamento, mas de atração, de simpatia, de amor, através das quais os Espíritos se ligam em 
forma de existência coletiva. Pode verificar-se um início do fenômeno também em nosso plano, 
no caso da consciência coletiva, no qual se tem exatamente um principio de existência psíquica 
por correntes. Isso também poderia ser expresso em nosso diagrama, enquanto há também em tal 
fenômeno uma dilatação e interpenetração de consciência individual na compreensão sempre 
menos egoística do bem de todos. 
 
 
 
 
XIII 
 
 
EGO SUM QUI SUM15 
 
 
 
Nosso diagrama já nos ofereceu, em seus aspectos maiores e menores e em seus corolários, 
matéria para muitos ensinamentos e conceitos. Afastemo-nos agora das minúcias e observemo-lo 
em seu conjunto,
 
qual uma sinfonia única. Distanciemo-nos da representação gráfica e 
ascendamos em abstração, avizinhando-nos assim da realidade. 
 
Até aonde vai esse ilimitado caminho evolutivo? 
 
Ocorre, sob nossos olhos, o fenômeno da transformação de consciência que, 
intensificando-se, parece evanescer em nossa percepção. E, todavia, repete-se em planos 
imateriais o mesmo fenômeno da evolução orgânica darwiniana, regido pelo mesmo princípio. 
Há em todo o processo um ritmo grandioso e implacável, pelo qual o universo avança para zonas 
em que se desmaterializa e parece perder-se no inconcebível. Nossa vista, conquanto aguda, não 
pode hoje ultrapassar uma dada ordem de planos. E depois? Depois há uma só direção e esta 
direção é Deus. 
 
Do grande caminho mais não vemos do que um pequeno trecho, que parte da matéria; nem 
lhe conhecemos os antecedentes evolutivos. Ele termina nestas superiores fases espirituais que 
estou descrevendo, além das quais lavra um tal incêndio, que nosso eu não pode resistir. Este 
incêndio é Deus. 
 
 
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 "Eu sou Quem Sou" Palavras do Senhor a Moisés, na tradução latina da Bíblia (Êxodo, 3:14). 
Em hebraico, significa "Eu Sou Aquele que É", no sentido de transcendência divina \u2014 O Ser 
Supremo. (N. do T.)
 
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Já foi muito o ter descoberto a evolução biológica; é já muito o tê-la aqui continuado em 
suas superiores fases psíquicas. Mas, depois, além, ainda mais além, permanece o mistério. E, 
contudo, o homem evolve. A mesma lei que, mais no alto, nos embarga a visão, para esse alto 
nos arrebata, perseguindo progressivamente o mistério A consciência dilata-se em todas as suas 
qualidades e a luz divina pode descer em sua cada vez maior transparência de espirito. 
 
Vimos que a evolução consiste num processo de harmonização vibratória e que, quanto 
mais se ascende, tanto mais se manifesta em forma de ressonâncias musicais; A evolução de um 
a outro plano de consciência pode assim dar-nos a revelação das mais inimagináveis realidades. 
Em cada nível, os seres respondem cada vez mais, por clareza e por força, à nota divina que, qual 
uma luz, chove do alto e penetra as várias zonas, mais ou menos, segundo sua densidade. Tudo é, 
pois, uma projeção, mais ou menos densa de sombras, do pensamento de Deus. As vias da 
ascensão espiritual, que estamos estudando e das quais o fenômeno místico é, para nós, um 
momento tão grande, são as vias que convergem para o centro, guiando para Deus, último termo 
de todas as ressonâncias. 
 
Deus é, pois, a meta para a qual se dirige a evolução universal, em marcha. Esta é uma 
ascensão orgânica de todos os seres. A proporção que sobem, eles se coordenam, harmonizam 
progressivamente suas dissonâncias, eliminam seus antagonismos e reaproximam suas cisões. A 
Ascensão é um amplexo cada vez mais estreito que consolida as conquistas e unifica a expansão. 
De baixo para cima, a evolução é um processo de progressiva unificação e o último termo desta 
unificação é Deus. Deus é o ponto para o qual tendem todos os seres. Para Ele tudo converge e 
n'Ele tudo se unifica. 
 
"Ego sum qui sum". Deus não pode ser definido. Definir significa limitar e aqui se fala do 
ilimitável. Toda definição será uma redução, uma mutilação. Não pode ser definido, porque não 
se pode projetar no finito o infinito, no relativo o absoluto, não se pode representar no ilusório da 
forma a realidade da substância, sem ocultá-la. Não se podem conjugar os conceitos de Deus e de 
pessoa, de vez que este é circunscrição de individualidade e o infinito não pode ser circunscrito. 
Não se pode chegar a Deus por argumentações, porque Ele está acima de todo raciocínio. Deus 
não se demonstra: sente-se. Não se pode chegar a Deus mediante pura multiplicação de atributos 
humanos. Para superar o conceito de direção a que devemos limitar-nos, seria necessário um 
salto no inconcebível. Quem,
 
com efeito, se avizinha verdadeiramente de Deus experimenta uma 
sensação de imenso esmorecimento. Só então se olha verdadeiramente para o Alto. Subindo de 
plano para plano, a fusão dos espíritos se faz cada vez mais íntima e completa. Ao longo desta 
harmonização está o caminho que conduz a Deus. Ele é unidade global que, em si, harmoniza e 
funde todas as consciências e criaturas. 
 
As superiores zonas de evolução são níveis de espírito e estão dentro de nós. Deus, 
supremo termo, não está fora, mas dentro de nós, nas profundezas de um abismo sobre o qual, 
trêmulos, apenas ousamos debruçar-nos. E o eu de todos os fenômenos que Ele cria eternamente 
em Sua manifestação. Não podemos orar senão imergindo-nos neste centro interior. onde se 
confundem altura e profundidade e já não têm sentido nossas medidas. A ascese mística é um 
trecho do caminho que nos conduz a Deus. A. evolução espiritual é o aprofundamento de nossa 
consciência em nosso próprio íntimo; sua dilatação é uma estranha dilatação superespacial para o 
interior, que pode comunicar-nos também a sensação de uma expansão para fora de nós. Mas, 
não há sensações comunicantes que permitam estabelecer termos de comparação com as novas 
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dimensões. As fulgurações de consciência, que estão na inspiração, na revelação, no êxtase, são 
bem fulgurações de Divindade Ouvir-lhe-emos o eco imenso, auscultando a voz do espírito; ver-
lhe-emos os lampejos olhando na profundeza de nós mesmos, porque Deus está no fundo do 
coração humano, como pressentimento de todas as ascensões, insuprimível como o instinto 
fundamental da vida. 
 
A ascensão espiritual é um processo de penetração do eu consciente em seus cada vez mais 
íntimos e profundos estratos, que são planos de consciência sempre mais elevados. Esta marcha 
em profundidade é uma liberação do invólucro denso da matéria e de sua ilusão