Pietro Ubaldi   Ascese Mística
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Pietro Ubaldi Ascese Mística


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diversamente os termos deste estudo, até porque somente quem tem experimentado determinadas 
sensações e emoções possui a palavra suficientemente vibrante para exprimir o inefável. 
 
Perdoem-me semelhante ostentação, forçoso como é reconhecer quanto é ela inevitável. 
Perdoem-me se ela parece chegar até uma confissão desapiedada de todo o meu ser, até a 
intimidade mais recôndita, confissão que proporcionará ao leitor aquela mesma sensação que 
provo, feita de sacrifício e de holocausto, ao invés de vão exibicionismo. Doação de mim 
mesmo, para o conhecimento e solução dos mais árduos problemas da ciência e da fé, implícitos 
no espírito, problemas do mundo, não somente em sentido evolutivo, mas também histórico, 
porque místicos sempre os houve,
 
em todos os tempos e em todos os países. A ressonância que 
minha alma encontra na de tantos místicos e aquela que a deles encontra na minha, a comunhão 
de fé, de experiências e de metas espirituais, a universalidade histórica de fatos e fenômenos 
vividos ampliam meu pobre caso para além dos limites de um subjetivismo que, evidentemente, 
já não se acha circunscrito em mim, mas transborda para além das fronteiras de minha perso-
nalidade 
 
Espero haver, assim, justificado a posição em que situo o problema místico, que aqui se 
compensa com dois sólidos pontos de apoio e, todavia dois pontos de relativa debilidade. 
 
 
 
 
II 
 
EVOLUÇÃO DA MEDIUNIDADE 
 
 
 
Coloco,
 
assim,
 
o fenômeno místico na seqüência evolutiva do fenômeno inspirativo. 
Precisemos, pois, com maior exatidão. 
 
Em meu livro precedente, classifiquei em várias fases a mediunidade que tenho considerado 
um fenômeno em evolução, momento e expoente da maior evolução biológico-humana, a qual, 
superadas as formas orgânicas se aventura hoje, desmaterializando-se progressivamente, nas 
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 5 
formas psíquicas. Aqui não demonstro, mas apenas relembro esta evolução biológico-psíquica, 
alhures já por mim exaustivamente tratada3. 
 
Em seu primeiro nível inferior, o fenômeno mediúnico manifesta-se em forma física, de 
efeitos materiais. Em plano mais alto, aparece uma mediunidade superior, mais evolvida, de 
efeitos mentais. Formas demasiado conhecidas, para que nelas eu insista. Se, em seu primeiro 
nível, a mediunidade intelectual é simples mediunidade passiva e inconsciente, em que vontade e 
consciência do médium se afastam do fenômeno, como elementos estranhos e inúteis, chegando 
por evolução a nível mais elevado, transforma-se em sentido ativo e consciente, no qual, como 
tenho demonstrado, a consciência do médium está desperta e do qual é parte integrante. Em 
verdade, ocupei-me longamente dessa mediunidade inspirativa, isto é, mediunidade intelectual 
ativa e consciente, limpidamente operante na viva personalidade do sujeito. Delineei a lei de 
ressonância do fenômeno, pela qual, entre o centro de emanação, transmissor,
 
individualizável 
como noúres ou correntes de pensamento, e a consciência desperta do médium, pode 
estabelecer-se, pela sintonia de vibrações,
 
uma comunicação, que é base da recepção inspirativa. 
 
E, neste ponto, havia-me detido, porque ontem este constituía o último termo de minha 
realização; mas, já não o é hoje. Aquelas afirmações continham, porém, as razões para esta 
continuação. 
 
A mediunidade inspirativa4 já e imensamente superior à comum mediunidade passiva e 
inconsciente, porque vem a ser ativa e tende a fixar-se na personalidade do médium, como sua 
normal emanação. Mas, não pode o fenômeno interromper aqui o seu desenvolvimento. Certo, 
ele nos levará para altitudes vertiginosas, sobretudo para a ciência que não esta acostumada a 
tratar de fenômenos cuja progressão evolutiva os leva a uma normal desmaterialização, que os 
subtrai à comum percepção sensória e psíquica; progressão que os leva a desvanecer-se 
aparentemente num mundo que, por imponderável, é contestado pela ciência. Mas,
 
esta não 
constitui razão bastante para que eu deva deter-me, máxime quando em mim encontro o guia de 
uma experiência vivida. Prossigamos, portanto, ainda, como durante um ano prosseguiu em mim 
o fenômeno; releguemos ao passado aquela fase conhecida e superada e aventuremo-nos na zona 
superior de evolução do fenômeno mediúnico inspirativo. 
 
Temos visto que os pois termos do fenômeno inspirativo, à semelhança de uma transmissão-
recepção radiofônica, representam o centro emanador e a consciência do médium, receptora e 
registradora. Os dois termos são distintos, embora comunicantes, isto é,
 
ligados por fenômeno de 
ressonância. A captação noúrica baseia-se nesse princípio, ou seja, no estado de sintonia ou 
harmonização vibratória, que se alcança mediante duas recíprocas aproximações: primeiro, a 
entrada na fase de superconsciência por parte do eu do médium que se põe em tensão; em outros 
termos deslocamento ascensional de seu centro, ao longo da escala evolutiva das dimensões, até 
a mais alta fase psíquica e superconsciência; segundo, descida ao longo da mesma escala 
evolutiva, isto é, involução de dimensão conceptual por parte do centro emanador e de sua 
 
3
 Em A Grande Síntese (passim) e As Noúres (N. do T.) 
 
4
 Os que estiverem habituados a denominar estes fenômenos com outra nomenclatura, a menos que 
substituam a palavra pelo conceito e a forma pela substância, saberão igualmente, estou certo, com-
preender, ainda que as expressões por mim adotadas sejam insólitas para eles. (N. do A.) 
 
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irradiação, de modo que, através de recíproca propensão de um para outro, seja possível o 
encontro e o amplexo dos dois termos. 
 
Tendem essas faculdades mediante contínuo exercícios a estabilizar-se, desde a zona 
instável de fadiga e de conquista, até a zona de assimilação, completada na personalidade do 
médium, isto é, até a zona de instinto e qualidade normal (automatismo). 
 
Forma-se um hábito da consciência,
 
através da respiração sutil nas zonas rarefeitas dessa 
estratosfera do pensamento. A aproximação dos dois termos tende assim a tornar-se cada vez 
mais estreita, mais constante, mais normal. Com o andar do tempo, a sintonização vibratória 
estabiliza, por constante repetição, aquele estado de afinidade entre transmissor e receptor, que é 
simpatia e atração,
 
estado reconhecidamente básico, sobre o qual tanto insisti no estudo do 
fenômeno da recepção noúrica. 
 
Evidente é o resultado deste processo. Contém ele um campo de forças convergentes para o 
mesmo ponto que deverá necessariamente, ser tocado, ou antes, ou depois. A comunicação 
anormal do pensamento tornar-se-á na consciência do metafânico uma espécie de educação e, 
consequentemente, de hábito para viver em superior zona espiritual, onde tenderá a normalizar-
se, em forma cada vez mais estável, o equilíbrio de seu novo peso específico psíquico. E a 
comunhão não lhe estabilizará somente as vias, mas dilatar-lhe-á as fronteiras; se antes invadia 
somente as zonas da inteligência e era somente luz resplandecente, porém fria, inundara agora as 
zonas do coração e será também calor que inflama de paixão. 
 
Extremamente férvido de maturações é, pois o fenômeno e intensamente ativo é o Alto na 
transfusão de forças para a transumanização do ser. Tende pois para uma gradual, progressiva e 
total elevação, de si para si da consciência receptora, de todo o eu humano do sensitivo, com 
todos os seus recursos e potencialidades. Daí resulta um como incêndio que reduz a cinzas o 
homem velho e o faz ressurgir