Pietro Ubaldi   Ascese Mística
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Pietro Ubaldi Ascese Mística


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Pietro Ubaldi 
 
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Não posso repetir aqui sobre que bases assentou o problema, coisa já feita em outra parte26. 
Naquela obra desenvolveram-se teorias que atribuem exato valor ao conceito de subconsciente. 
Resumamos. A psique humana é um organismo em contínuo crescimento (expansão) por descida 
na profundidade, mediante estratificações, das sínteses das experiências da vida, as quais 
gravitam para o interior. Essa assimilação contínua, operada em zona de livre arbítrio, se fixa no 
determinismo das equilíbrios estabilizados na trajetória do destino. O subconsciente é 
precisamente a zona dos instintos formados, das idéias inatas, dos automatismos criados pela 
repetição habitual da vida. A lei do meio mínimo27 limita o esforço consciente só no campo ativo 
da construção nova. O resto, o que foi vivido e constitui síntese completa, vai jazer em repouso 
(inconsciência) nos estratos do subconsciente, de que tantas qualidades e instintos nossos 
emergem como produtos completos, cujos termos determinantes nos escapam. A consciência de 
superfície é, pois,
 
um tentáculo ativo, consciente, porque em fase de trabalho; o subconsciente é 
um imenso repositório de reservas, de produtos estáveis e fixados depois do período de formação 
consciente. 
 
Ora, aqui começa a confusão terrível dos psicólogos, quando eles julgam este 
subconsciente a fonte da inspiração, a sede da intuição, o germe da criação intelectual do gênio. 
Mas, há uma terceira zona que chamo de superconsciente, a qual, por estar igualmente fora da 
consciência normal, foi confundida com o subconsciente. E entre os dois há a diferença do dia 
para a noite. Se o subconsciente pertence ao passado, o superconsciente pertence ao futuro; o 
primeiro aprofunda-se nos estratos involutivos dos antecedentes biológicos, o segundo emerge 
nos planos evolutivos dos superamentos espirituais. Estamos nos antípodas. Neste volume, 
falando de mais altos níveis de consciência, que da razão ascendem à intuição e à visão do 
êxtase místico, temo-nos movido e avançado sempre e exclusivamente no campo de 
superconsciência, subindo precisamente ao longo das fases de uma realização sua cada vez mais 
intensa. 
 
Em todo esse caminho, a consciência é pois, uma pequena zona de luz que, partindo da 
primeira emersão do psiquismo oriundo das formas dinâmicas, prossegue através da fase 
biológica e se aventura agora na fase psíquica e no seu superamento na fase hiperpsíquica, em 
que a consciência se encaminha para tomar-se consciente em dimensões hoje super-racionais 
para a média normal imersa nas trevas do inconcebível. A consciência racional é um pequeno 
vagalume, um risco iluminado, porque de trabalho e criação, que se desloca ao longo desse 
extraordinário trajeto, cujo princípio é abandonado em baixo e cujo fim se perde no alto, além de 
toda nossa medida. Assim, o subconsciente, conquanto invisível, porque não emerge à luz da 
consciência, contém as bases do edifício e representa os fundamentos que o sustentam. Embora 
não apareça no pormenor, ele sobrevive ainda assim completamente como síntese e como tal é 
suscetível de ser investigado. Se o subconsciente é superado e esquecido, como labor construtivo 
consciente, todavia nós o possuímos íntegro como resultado: é aquele instinto tão rico de 
misteriosa sabedoria, que rege tantas ações nossas e é tanto mais sólido quanto mais 
profundamente radicado nos estratos da evolução biológica. 
 
 
26
 V. nota 4, no final do capítulo precedente. (N. do A.) 
27
 Sobre essa lei ou principio do meio mínimo, veja A Grande Síntese, cap. XL - "Aspectos Menores 
da Lei". (N. do T.) 
 
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Do outro lado, como um pressentimento, lampeja em jatos o superconsciente. Ora, o gênio 
se inspira nesse pressentimento e não no subconsciente que contém somente os fundamentos do 
edifício, e não a sua elevação; o gênio cria só como antecipação de evolução, qual tentáculo 
lançado no futuro e não por reminiscência de um passado inferior. Nele,
 
a zona de consciência 
deslocou-se para além do normal, aos planos mais altos da evolução. Nas profundezas do 
subconsciente se pescará o passado involvido, nunca o futuro superevolvido, que chega. Assim, 
o eu se desloca do subconsciente ao superconsciente, através da fase presente, chamada 
consciente. Esta é zona lúcida de consciência racional. O resto nos escapa sob formas de 
consciências veladas, intermitentes, inimagináveis. Mas, o resto é o nosso maior eu da 
eternidade, que está para lá do nascimento e da morte e com o qual o ser se identifica, 
reencontrando-se todo a si mesmo e, então, não conhece mais fim. 
 
Ora, se esta zona não-consciente é aquela que nos põe em comunicação com a realidade, 
na intuição, e com a Divindade, nos estadas místicos, é para horrorizar-se quando se ouve dizer 
que a graça de Deus se manifesta no homem através do subconsciente ou que o homem, para 
alcançá-la, se transfira ao subconsciente. Mas, a graça é fenômeno evolutivo, não involutivo, de 
superconsciência e não de subconsciência. A graça é uma elevação ao superconsciente; é através 
deste que ela se dirige ao homem, e a esse plano que o convida a transferir-se. Por aí se vê como 
quem não sabe superar a dimensão racional permanecerá impotente em face de tais concepções e 
tateará constantemente na treva. Só uma tão completa cegueira pode fazer confundir, na mesma 
forma de não-consciência, dois extremos opostos: o subconsciente e o superconsciente. A 
concepção nebulosa dos psicólogos modernos apenas tem vislumbrado esta zona de mistério e, 
sem sondá-la, a ela tem relegado todo o indecifrável do fenômeno psicológico. Ao invés de 
tentar, pelo menos, uma explicação para o fenômeno, ela se contentou com batizá-lo com uma 
palavra: neurose. Maravilhoso modo de explicar! Cunha-se uma palavra de origem grega e, com 
isso, julga-se tudo explicado. E, todavia, a neurose continua sendo para a própria ciência, nos 
domínios da anatomia patológica, um enigma; fora desses domínios, mais no alto, a ciência é, 
por método e premissas, incompetente. Certas realidades mais vastas serão eternamente negadas, 
por que incompreensíveis, se não se sair do campo circunscrito por tal método e por tais 
premissas. 
 
Resumo, pois, o quadro da estrutura da consciência humana. Ela se divide em duas partes: 
o consciente e o inconsciente. O primeiro é a consciência conhecida, normal, racional, prática, 
que todos distinguem. O segundo se compõe de duas zonas: o subconsciente, que pertence ao 
passado, e o superconsciente, que pertence ao futuro. Seus extremos se perdem no infinito 
graduar-se da ascensão evolutiva; mas eles se aproximam num ponto que continuamente se 
desloca do sub ao superconsciente, mas que é sempre o centro consciente em que o mar do 
inconsciente aflora à superfície da sensação, como da ação construtiva. O subconsciente contém 
e resume todo o passado e o leva até o limiar da consciência; o superconsciente contém, no 
estado de embrião, todo o futuro que está em expectativa de desenvolvimento. Segundo o próprio 
grau de evolução e maturidade, as várias consciências estão diversamente situadas ao longo desta 
linha, sobre a qual podemos desenha-las como uma zona em marcha. Observemos a figura 3. 
 
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Querendo figurar o desenvolver-se do fenômeno de evolução da consciência sobre uma 
faixa, isolemos na figura, por comodidade de observação, um trecho do percurso e isso para três 
tipos de consciências diversamente desenvolvidas: a, b,
 
c. A zona de luz exprime, em sua 
 
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