Pietro Ubaldi   Ascese Mística
132 pág.

Pietro Ubaldi Ascese Mística


DisciplinaAstrologia620 materiais2.144 seguidores
Pré-visualização50 páginas
ao passado, assim como caem todas as coisas 
superadas. 
 5
 Neologismo formado de elementos gregos: "baros (gr. báros, ous) - pesado, denso, e "ontos" (gr. ón, óntos) - ser, entidade. Barônticas: provenientes de Espíritos de constituição densa (Entidades inferiores) Esse problema de correntes barônticas é amplamente explanado no livro 
As Noúres, do mesmo Autor e já republicado por esta Editora. (N. do T.) 
 
Ascese Mística Pietro Ubaldi 
 
 9 
 
O fenômeno místico deixa assim para trás, na via das ascensões humanas, os fenômenos 
mediúnicos e, conquanto se origine destes, é de se ver que destes se liberta completamente. 
Ingressamos, assim, em um campo supermediúnico, resultante, embora, do mediúnico. 
Chegamos às superiores fases, a que ascende o fenômeno e nas quais ele se intensifica e liberta, e 
ingressamos nesta zona, que é de suprema purificação. 
 
Ainda não pude elevar a níveis mais altos, hoje pelo menos, minha capacidade de 
penetração. Parece-me haver tocado o vértice de minhas possibilidades e do meu sonho de 
realizações humanas. 
 
 
 
 
 
IV 
 
A CATARSE MÍSTICA E O PROBLEMA DO 
CONHECIMENTO 
 
 
O fenômeno místico pode ser também concebido, na mais ampla acepção, qual momento das 
ascensões espirituais humanas. Inclui, pois, o problema do conhecimento e pode ser considerado, 
como o considero, uma verdadeira técnica do pensamento e método particular de indagação, de 
superlativo rendimento. Alhures, já insisti nestes conceitos, quando do estudo do fenômeno 
inspirativo. Prosseguindo a análise do mesmo fenômeno, em suas fases superiores, é natural que 
aqueles conceitos também encontrem aqui seu ulterior desenvolvimento. 
 
É a evolução do espírito que traça e supera os limites do conhecimento, que diversamente o 
situa no seu progredir, até o ponto em que a unificação com a fonte de emanação, que 
encontramos no vértice do fenômeno místico,
 
se torna também unificação dos divergentes 
aspectos, sob que se contempla o relativo, numa única verdade humanamente absoluta. Assim, às 
diferentes fases da evolução espiritual correspondem diversos graus de conhecimento e 
diferentes aproximações de revelação da verdade. 
 
Nos albores de sua vida espiritual, o homem não sabe elevar-se além das imediatas 
conseqüências de suas impressões sensórias. Seu julgamento detém-se, pois, na superfície dos 
fenômenos, limitando-se a uma interpretação empírica e desconexa, pura projeção, no cosmo, 
das reações de seu pequeno mundo interior. 
 
Em mais avançado momento, a consciência, mais amadurecida, qual tem acontecido até 
hoje, no seio da civilização, quer dar-se conta do valor das próprias reações, procura e exige uma 
verdade menos aparente e mais substancial e vai ao encontro dos fenômenos, não mais 
exclusivamente com a fantasia do primitivo, mas com o olhar objetivo do observador. Tem, 
assim, aprendido a catalogar fatos, coordena-los segundo planos hipotéticos, e tenta 
compenetrar-se da lógica e fixar a lei de progressão dos fenômenos, para chegar a estabelecer 
gradualmente os princípios, cada vez mais abstratos e gerais, que regem o funcionamento 
Ascese Mística Pietro Ubaldi 
 
 10 
orgânico do universo. Tal é a presente fase científica. O homem moderno sente, justamente, a 
sua superioridade diante do homem supersticioso, que se impressiona antes de saber observar, e 
sente-se orgulhoso de não se deixar invadir por vãos temores, diante de fenômenos cuja causa 
pode surpreender com seu poder de análise. E isto já é muito. O homem tem conseguido a 
racionalidade, esta potência arquitetônica, que permite as construções ideológicas; ele é poder de 
escolha e de coordenação, é visão de relações e unificação; é indução, dedução, sistematização, 
que guiam para a reconstrução do pensamento originário da criação. 
 
A ciência tem recolhido todas as pedrinhas do grande mosaico, tem procurado reconstruir o 
grandioso painel,
 
sem todavia lograr outra coisa que delinear alguma figura. Mas, ai de mim! \u2014 
longo é o caminho,
 
extremamente prolixo é o método, tanto que pode ser considerado 
inadequado à consecução da síntese máxima. Evidencia-se, dessarte, a inépcia da ciência, 
consequentemente uma fundamental questão de método; este,
 
tal qual é concebido, nada mais 
pode ser que um eterno caminhar, incapaz de síntese. 
 
Da maturação evolutiva da consciência humana decorre, porém, uma fundamental mutação. 
Sinto por experiência pessoal, por observação de tipos históricos do movimento das leis 
biológicas, a verdade desta afirmação. O fenômeno da catarse mística representa uma tão 
completa elevação da consciência, que se lhe escancaram as vias do conhecimento. É este um 
importante aspecto do fenômeno místico, que aqui estamos estudando. Antes de lhe enfrentarmos 
os maiores aspectos psicológicos, éticos e religiosos, examinemo-lhe o científico e gnoseológico. 
 
Os três graus do conhecimento, isto é, a fase sensória, a fase racional-analítica e a fase 
intuitivo-sintética, correspondem aos três tipos de homem e de consciência por mim descritos 
noutra obra6, a saber: o homem vegetativo, físico, sensório, de ideação concreta, movido pelos 
instintos primordiais da vida; o homem racional, submetido à educação, psíquico, nervoso, 
utilitário; enfim, o super-homem, dono de si, das forças da vida, do conhecimento. O fenômeno 
da ascese mística representa a maturação biológica deste novo tipo de homem. 
 
Acontece agora, neste momento da evolução humana, uma renovação tal da consciência que 
seus efeitos são incalculáveis no campo psicológico e merecem, pois, particular exame. Trata-se 
de nova e autêntica técnica de pensamento, de completa reconstrução dos métodos de pesquisa e 
de orientação científicas. Devo, por isso, retornar a esses conceitos, já precedentemente 
esboçados7, para aqui levá-los mais além, na continuação lógica de seu desenvolvimento. Devo 
retornar a eles porque, se naqueles escritos o método da intuição começa a revelar-se na fase de 
mediunidade inspirativa consciente, aqui ele se manifesta plenamente, na fase mística que lhe 
constitui a continuação. Neste nível de evolução, completa é a maturação daquele método, cujo 
rendimento se nos apresenta com plena eficiência. 
 
 
 
 
V 
 
6
 Em A Grande Síntese, cap. 78 (As vias da Evolução Humana). v. também cap. 37 (consciência e Superconsciência. 
Sucessão dos Sistemas Tridimensionais) (N. do T.) 
 
7
 v. As Noúres, do mesmo Autor, particularmente os capítulos V (Técmica das Noúres) e VI (Conclusões). (N. do T.) 
Ascese Mística Pietro Ubaldi 
 
 11 
 
 
OBJETIVISMO E SUBJETIVISMO 
 
 
Ao enfrentar o problema gnoseológico, partimos de princípios decisivamente novos no 
pensamento moderno. O conhecimento,
 
creio,
 
não se alcança com os métodos chamados 
objetivos de projeção para o exterior, mecânicos, iguais para todos e acessíveis a todos, mas por 
métodos subjetivos, de introspeção, peculiares somente a determinados tipos de superconsciência 
Creio que os limites do conhecimento sejam dados e medidos prevalentemente segundo o grau 
atingido pela consciência humana na escala da evolução psíquica, o que quer dizer que a 
amplitude do campo fenomênico dominado é condicionada à extensão conseguida pelo eu,
 
em 
sua evolução, que é sua potenciação e dilatação. Eis porque o fenômeno místico, que é a fase 
superior de evolução