Pietro Ubaldi   Ascese Mística
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Pietro Ubaldi Ascese Mística


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a vida impõe não podem ser 
definitivamente superadas. Enquanto no método intuitivo, a consciência, fazendo-se humilde, 
mas sensível, logra transportar-se, por vias interiores, do seu íntimo à íntima essência dos 
fenômenos, com o método objetivo, a consciência, permanecendo autônoma e volitiva, suprime 
sua sensibilidade e sufoca a voz dos fenômenos, choca-se contra eles, sem neles penetrar, 
detendo-se à sua superfície, por forma que não toca senão aparências e ilusões. O pensamento de 
DEUS, que está no íntimo das coisas, se retrai, se enfrentando com uma psicologia de dúvida e 
de violência, ao passo que se revela espontaneamente aos que se aproximam com amor e fé. Tal 
é a lei da vida. 
 
O objetivismo é, pois, filho de um preconceito: um fundamental instinto humano. Que valor 
terá ele quando transportado para a atmosfera rarefeita da concepção? É daí que procede essa 
orientação psicológica de destruição. A distinção entre sujeito e objeto não é somente 
separatismo que distancia e cava insuperável abismo de incompreensão entre observador e 
fenômeno, mas,
 
em rigor, é também antagonismo, porque a observação parte, precisamente, da 
negação e da dúvida e,
 
como garantia de verdade, toma precisamente a desconfiança, opondo-se 
à confiança e à fé, isto é, assume-se uma atitude mental que fecha, a priori, todas as vias de 
comunicação. Com essa psicologia de agressão e negação, apenas se podem obter destruição 
conceptual e, diante do mistério, trevas e silêncio. 
 
Oposto é o método do subjetivismo e da intuição. Enquanto o objetivismo distancia, este 
aproxima; enquanto o objetivismo diverge e separa, o subjetivismo converge e unifica. Este é 
verdadeiramente o método da unificação conceptual na demolição absoluta do dualismo do 
método objetivo. 
 
 
 
 
VI 
 
O MÉTODO DA UNIFICAÇÃO 
 
 
Como, então, resolveremos o problema do conhecimento? 
 
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É neste ponto que de novo ele se conjuga e funde com o da ascese mística, porque o método 
da unificação pode manifestar-se apenas quando a evolução da consciência atinge a fase mística. 
Nesse plano ocorre o grande fenômeno da unificação, que a seguir aprofundaremos. Isto não 
podia deixar de ter reflexos e repercussões também no campo gnoseológico. A evolução altera os 
métodos e dilata a consciência. E, como havia anulado a psicologia racional na psicologia da 
intuição, passando da fase lógico-científica à fase que poderemos chamar inspirativa, assim a 
intuição continua e completa-se na unificação conceptual, do mesmo modo que a recepção 
inspirativa continua e completa-se, como veremos, na fusão unitária na dos dois termos daquela 
recepção. 
 
Atingido esse plano, desaparece na consciência o dualismo do método objetivo. 
Aproximam-se os dois termos \u2014sujeito e fenômeno \u2014 reabsorvida é a distância, até desvanecer-
se, soldada é a cisão, sanado o dissídio entre os dois antagonismos e aberta a compreensão. Aqui 
não nos ocupamos deste fenômeno da unificação, a não ser pelo que dele se reflete no problema 
do conhecimento. Quando a consciência, na catarse mística, não só se comunica, quase 
radiofonicamente, com a fonte noúrica, como na mediunidade inspirativa, mas tende, por um 
processo que examinaremos, a sobrepor-se e identificar-se com a fonte mesma, então o contato é 
tão íntimo e integral, que se adquire espontaneamente o conhecimento, mediante novo sentido de 
visão, e a verdade transborda de todas as categorias da razão, reduzem-se os esquemas racionais 
a prisões insuficientes para conter os conceitos. A consciência transcende os confins da lógica e, 
com um senso de imensa dilatação, o pensamento humano é abalado desde os fundamentos, 
numa revolução e renovação tão completas, que permanecem incompreensíveis e inadmissíveis 
para quem não os tenha experimentado. A compreensão existe, efetivamente,
 
em função da am-
plitude e profundidade do campo de consciência e de seu grau de sensibilização. 
 
Para resolver o problema do conhecimento é necessário atingir a universalidade do eu. Faz-
se mister escancarar, mediante um ato de fé e de amor, mediante um senso de completa 
submissão, as portas da alma, para projetar-se fora de si e para que o infinito nela penetre. 
Certamente, é este um novo comportamento na hodierna psicologia; contudo, é ele necessário a 
consecução de resultados novos. Somente a identificação do eu com o fenômeno pode permitir a 
dilatação do primeiro até os limites do segundo; e, quando o fenômeno se tornar o universo, sua 
expansão não terá limites, como não os tem a DIVINDADE. Abrangerá o infinito o amplexo de 
almas. Atiram-se fora, então, as velhas muletas da observação e voa-se. É somente através da 
evolução do sujeito, através de renovações de consciência, que se podem obter superamentos tão 
substanciais. Resolve-se então o problema do conhecimento. Em o novo modo de ser está 
implícito o conhecimento; a verdade revela-se automaticamente, por visão, e atinge-se uma 
síntese espontânea,
 
simples,
 
completa. Deixa-se, para trás, a observação sensória, a presumida 
segurança objetiva,
 
como método rasteiro, inadequado,
 
incapaz de verdadeira síntese; 
abandonam-se as tortuosas vias da razão pela nova sensação do verdadeiro, direta,
 
imediata, 
exauriente. Verdadeira e palpitante é a visão; já não é a fatigante conclusão oriunda de uma 
destilação cerebral,
 
mas conclusão vivente; nela o universo vibra e exulta de pensamento e de 
ação. 
 
Como o dissolver-se o separatismo da fase egoística na unificação da fase altruística, caem 
as barreiras do dualismo do método objetivo. A verdadeira única e radical solução do problema 
do conhecimento só pode ser obtida mediante a transferência da consciência para um plano 
superior de evolução. O problema filosófico não pode ser insulado, nem resolvido 
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independentemente da realidade biológica e psíquica. Ele reside na personalidade humana e com 
ela adianta-se; seu progresso não pode ser mais que um momento do progresso desta. É 
necessário romper o círculo dos impulsos instintivos, como os vínculos da psicologia racional e 
das concepções habituais. Assim como o mistério da unificação, na ascese mística, é fenômeno 
natural que se desenvolve segundo urna técnica própria de desenvolvimento, assim também é a 
conquista do conhecimento. 
 
Aparece, então, um dualismo psicológico entre as duas formas de pensamento \u2014 a racional 
e a intuitiva \u2014 ao surgir a visão. Diferentes são as duas visões: a maior compreende a menor, 
mas a menor não compreende a maior. Quem estiver fora desta mais alta realidade tomá-la-á 
seguramente por ilusão, até que a conquiste por evolução. Considera-se irreal o que está fora da 
própria experiência. Os dois olhares atingem profundidades diversas e, consequentemente, vêem 
na mesma verdade aspectos diferentes. Discriminar-se-ão necessariamente, os dois pontos de 
vista, sob o pretexto de incompreensão, porque as duas consciências são diversas e a extensão 
das recíprocas sensibilidades é a única medida do respectivo cognoscível. Todavia, se a 
psicologia superior pode penetrar a inferior, e não inversamente, esta última, ainda que a negue, 
não pode deixar de voltear em torno da outra, por um vago pressentimento da verdade, por um 
desejo que, incessante, clama na alma por descobrir o mistério. Pois que a treva não satisfaz à 
vista nem o silêncio ao ouvido, nem a ignorância ao intelecto, e ninguém pode estar satisfeito 
com sua negação, nem sentir-se contente com a realidade que possui, sem jamais desejar mais 
amplas realizações, também