Pietro Ubaldi   Ascese Mística
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Pietro Ubaldi Ascese Mística


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central de todo o meu estudo, como o é de minha vida. Diante destas conseqüências levadas até 
o campo dos métodos para a conquista do conhecimento, pode ser evidenciada e averiguada a 
importância de tais questões, uma vez que tão gigantescas repercussões se projetam até no 
campo prático de problemas de orientação conceptual, tão graves, tormentosos e ainda hoje in-
solvidos. 
 
Superados esses corolários de índole filosófica, nos quais me tenho detido,
 
não só por sua 
importância intrínseca, mas sobretudo para melhor enquadrar o fenômeno místico no 
conhecimento moderno e justificar-lhe a técnica de pensamento em face da psicologia racional, 
retomemos agora mais particularmente a análise de seu desenvolvimento e metas conclusivas, 
dentro do âmbito traçado na definição de ascese mística, dada no princípio do Cap. III. 
 
A solução do problema do conhecimento mais não é do que um aspecto da transumanização 
que se realiza na ascese mística, a qual consubstancia tão profunda transformação do ser, que 
chega a mudar e resolver todos os problemas humanos. Quando o espírito chega a esse nível, 
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desaparece o simples fenômeno da unificação que aqui não é somente uma técnica de 
pensamento,
 
método para atingir o conhecimento, mas constitui uma transumanização de 
personalidade, reabsorção do distinto no todo, da consciência na Divindade. Então, a simples 
recepção noúrica torna-se visão e êxtase, isto é, já não será apenas uma comunicação de 
pensamento, mas uma expansão total do ser em todas as suas capacidades. Para muitas 
psicologias, esse campo estará situado na zona do superconcebível. 
 
Para compreender o fenômeno místico, necessário é reconstitui-lo desde o princípio, 
orientando-o, antes de tudo, no seio da fenomenologia universal. E ele fenômeno psicológico,
 
fenômeno de evolução biológica que, partida das superadas fases orgânicas prossegue nas 
superiores fases de evolução espiritual. É, pois, fenômeno universal, logicamente situado no 
desenvolvimento da lei de evolução, natural, necessário, insuprimível. É supranormal somente 
em sentido relativo, isto é, em relação com a atual posição evolutiva da consciência humana. É, 
como o são todas as culminâncias, pouco comum, pouco visível e dificilmente concebível para 
os que se encontram nos baixos planos da medíocre normalidade atual. Vemo-lo, com efeito, 
surgir em todos os tempos e em todos os lugares, de um a outro extremo da História e do mundo. 
Cada tipo intelectual lhe imprime, segundo sua específica diferenciação, a nota particular de sua 
personalidade e o plasma, transforma e adapta a si, à sua raça, ao seu tempo. Mas, o fenômeno 
subsiste, como momento integrante das leis da vida. Parece fatal que, no limiar desta, deva 
apresentar-se, como numa grande curva de sua trajetória, a evolução humana, chegada ao 
momento de sua mais alta maturação. Nada, pois, de miraculoso, de excepcional, de gratuita e 
arbitrariamente concedido pelo céu. Em todos os fenômenos e sobretudo naqueles que se elevam 
para Deus, sentimos cada vez mais a presença de urna ordem, de uma justiça, de uma harmonia 
divina. Isto não significa falta de fé e de religião, mas simplesmente seriedade, positividade, 
conformidade com a justiça. 
 
Expliquei cientificamente em A Grande Síntese, na teoria da evolução das dimensões8, 
como o espírito humano,
 
por evolução, ascende da atual fase de consciência para a fase de 
superconsciência, que é a primeira dimensão do sucessivo universo trifásico, em que evolve o 
atual, trino em seus planos de desenvolvimento: matéria, energia, espírito. Certamente, o 
ingresso da psique humana nesta nova dimensão do ser, aqui já absolutamente supermaterial ou 
supersensória, é para ela um fato tão novo e grandioso, que a simples apresentação no limiar da 
nova dimensão e do novíssimo modo de ser basta para dar-lhe profunda sensação de vertigem, 
como sucede a quem se debruça sobre o abismo do mistério. Este parece feito de trevas, mas não 
passa de inexplorado mar de novas sensações. 
 
Mais adiante, exporei o fenômeno em termos de sensação, qual o viveram tantos místicos, 
em concordância com as linhas fundamentais, como eu mesmo o tenho vivido e qual 
objetivamente o descreverei. Como tenho dito, opero a análise de realidades para mim 
experimentais, deduzidas não apenas de outrem, mas sobretudo de minha observação. 
 
Antes, porém, de abandonar-me ao ímpeto lírico do momento místico,
 
devo expressar-me 
aqui em termos de ciência e de razão, expor a possibilidade lógica do fenômeno, de modo que 
ele se torne racionalmente admissível, até para os que não o sintam, nem o tenham tocado por 
evolução e, portanto, não estejam aptos para entendê-lo, a não ser nos termos de sua psicologia 
 
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 A Grande Síntese, cap. XXXIV a XXXVII. (N. do T.) 
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racional. Poderemos, assim, analisar e compreender com a moderna forma mental da ciência um 
fenômeno que parece relegado às mais altas e inacessíveis zonas do espiritualismo e das 
religiões. Ele aparecerá, assim, em sua realidade nua, não qual um privilégio ou concessão do 
Alto, nem como um monopólio privado, porém, mais exatamente, como via aberta a todos os 
homens de boa vontade. Aparecerá, qual é, ou seja, como fenômeno exato, objetivo, cuja lei é 
possível traçar, como faremos, e cuja verificação se pode fazer espontaneamente,
 
todas as vezes 
que dele se apresentem as condições determinantes. Ele não ocorre por intervenção de 
caprichosas vontades extracósmicas, antes representa o normal desenvolvimento funcional do 
universo, em seus mais elevados planos. Reconstruamos, pois, através da observação, a lei do 
fenômeno. 
 
Para assim proceder, reduzamo-lo à sua mais simples expressão, à sua esquelética estrutura 
vibratória. Vibração significa, no mundo hiperfísico em que ora ingressamos, o verdadeiro modo 
de ser, fundamental qualidade, capaz de individuar a forma em tipos específicos nitidamente 
definidos. Vemo-lo, por exemplo, nas ondas hertzianas. Os seres situados no plano físico, isto é, 
na forma orgânica de um como material, distinguem-se, uns dos outros, pelas qualidades deste 
invólucro, pelos limites da dimensão espacial em que ele está situado, pela sua impenetra-
bilidade, pelas suas características sensórias. Mas, há, indubitavelmente, formas de existência 
hiperfísicas, de consciência supersensória, livre do invólucro orgânico. Quando passamos do 
organismo físico, regido por um princípio dinâmico, ao organismo de estrutura exclusivamente 
dinâmica, quando o corpo já não é constituído de matéria, mas só de energia, então a 
individuação específica pessoal, aquela que distingue, não pode ser dada pelo corpo e por suas 
características físicas. Então, o que individua é o tipo de vibração que constitui a manifestação de 
vida do ser, é a peculiar forma de energia, segundo a qual ele se agita, são as características da 
onda,. pelas quais se define essa vibração. 
 
Em tais formas de vida está situado, quer o espírito desencarnado (e tanto mais quanto, por 
evolução, estiver liberto de seus invólucros mais densos), quer aquela parte do homem que é 
pura consciência ou espírito, e esta igualmente tanto mais quanto melhor logra superar a zona 
barôntica das mais baixas paixões e atingir os mais altos planos de evolução, ainda que seja em 
especiais estados metafânicos. Então, o eu somente existe na forma deste dinamismo que tem. 
superado as dimensões espaço e tempo. 
 
Já explicamos, na "Técnica das Noúres"9,
 
como pode ocorrer a comunicação