MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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obstrutiva crônica) 
determinam prejuízo na capacidade tissular de extração de O2. Decorrendo disso, o VO2 
torna-se mais dependente da oferta de O2, podendo elevar-se progressiva e 
proporcionalmente às elevações no transporte de O2 induzidas pela manipulação 
terapêutica. 
\u2022 Aumento significativo e imediato do VO2 em resposta a um aumento no DO2 sugere que o 
metabolismo tissular estava inadequado e, possivelmente, limitado pelo transporte 
(dependência patológica da oferta de O2). Assim, podemos através do monitoramento 
dinâmico do VO2, diante de manipulações terapêuticas da oferta, determinar a eventual 
adequação circulatória. Essa visão foi progressivamente alterada nos últimos anos por 
diversos motivos. 
\u2022 A presença de variáveis comuns ao transporte e consumo de oxigênio caracteriza o 
acoplamento matemático, o que inviabiliza a propalada dependência patológica de oxigênio. 
Outros postularam que essa dependência poderia ser fruto de variações espontâneas de 
 
 
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DO2 e VO2. Observações recentes não confirmaram a chamada dependência patológica, 
quando se determina o consumo de oxigênio por mensuração direta (calorimetria indireta). 
\u2022 A abordagem lógica seria aquela que assumimos na última década em que priorizamos a 
terapêutica do "suficiente" em detrimento da otimização progressiva do transporte de 
oxigênio como fizemos no passado. 
\u2022 A literatura e a nossa própria experiência nos autorizam a monitorizar o doente grave de 
forma a guiar com mais precisão a eventual reposição volêmica e dessa maneira 
aperfeiçoar o transporte de oxigênio suficiente para reduzir a acidose láctica e atender à 
demanda metabólica (Figura 3). 
\u2022 Outra alternativa é utilizarmos a relação entre IC e T.Ex.O2 (medidas independentes) para 
se avaliar o VO2 (ver \u201cDébito cardíaco\u201d). Essa relação nos permite verificar que, em alguns 
pacientes, o aumento da DO2 não é acompanhado pelo aumento do VO2 (a saturação 
venosa aumenta em paralelo ao aumento da DO2). Essa observação demonstra que o 
acoplamento matemático nem sempre está presente. 
\u2022 Apenas a monitorização hemodinâmica invasiva permite a coleta do sangue venoso misto 
definido como a mistura de todo o sangue que atravessou leitos capilares capazes de 
extrair O2. 
\u2022 Amostras de sangue coletadas da porção proximal da artéria pulmonar têm a propriedade 
única de refletir de forma global o equilíbrio entre oferta e consumo de O2 dos tecidos 
perfundidos. 
 
Pressão venosa mista de oxigênio 
\u2022 A força primária que move O2 do capilar em direção à célula é o gradiente de pressão 
parcial. A difusão de O2 é diretamente proporcional à diferença entre a PO2 capilar e a 
celular. A PO2 capilar reflete o conteúdo arterial de O2, fluxo sanguíneo local e extração 
local de O2. A PO2 capilar terminal representa o equilíbrio entre todos esses fatores. 
\u2022 Da soma e mistura desse sangue capilar terminal afluente de todos os tecidos perfundidos, 
origina-se a PvO2, importante indicador global da oxigenação tecidual. 
\u2022 Seu valor normal é de aproximadamente 40 mmHg. Reduções abaixo desse nível estão 
obrigatoriamente associadas a decréscimo na relação oferta-consumo de O2 em tecidos 
perfundidos. Uma elevação acima desse nível pode ser o primeiro indício de sepse 
incipiente. 
\u2022 A análise da PvO2 deve levar em consideração que o sangue venoso misto não representa 
tecidos não perfundidos. Representa inadequadamente tecidos hipoperfundidos e que a 
hiperperfusão de alguns tecidos pode elevar artificialmente o seu valor. Exemplificando, um 
paciente séptico normovolêmico pode ter inicialmente uma PvO2 maior que 45 mmHg. 
Evolutivamente, observa-se queda daquele valor para 38 mmHg. Essa queda pode 
representar uma das seguintes condições: 
- Queda na DO2, em função de comprometimento cardíaco ou hipovolemia. 
- Hipoperfusão de alguns tecidos até então normoperfundidos. 
- Resolução do processo séptico traduzindo a normalização da perfusão em tecidos 
até então hiperperfundidos. 
 
Saturação venosa de oxigênio (SvO2) 
\u2022 Aproxima-se da PvO2 em significância e utilidade na maioria das circunstâncias. Seu valor 
normal é aproximadamente 75% (faixa aceitável 68% a 77%). Valores acima desse nível 
indicam um aumento na relação oferta/consumo de O2, refletindo menor taxa de extração 
de O2, estando associados à cirrose, sepse, pancreatite, politraumatismo etc. Valores 
inferiores a 68% podem estar associados à anemia, hipoxemia, aumento das demandas 
energéticas ou decréscimos no DC (Figura 4). 
 
 
 
 
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\u2022 Uma forma alternativa de se monitorizar a SvO2 é mediante cateteres pulmonares especiais. 
Esses cateteres dispõem de um sistema de fibra óptica que se comunica com um 
equipamento que faz análise espectrofotométrica do sangue que passa pela circulação 
pulmonar. 
\u2022 Dessa forma, é possível o acompanhamento contínuo da SvO2 sem inconvenientes, riscos e 
custos das coletas seriadas de sangue venoso misto. Esses sistemas de monitorização têm 
sido acoplados aos modernos cateteres de débito cardíaco contínuo e deverão substituir 
com vantagens os métodos atuais de monitorização. 
 
Saturação central de oxigênio (ScO2) 
\u2022 É a saturação da hemoglobina no sangue venoso central medido por um cateter venoso 
central locado na veia cava superior. 
\u2022 Em condições normais a ScO2 colhida na veia cava superior é menor do que a mesma 
saturação colhida na veia cava inferior, pois o a ScO2 representa mais a região cefálica do 
corpo, onde o cérebro apresenta um alto consumo de oxigênio. Também, em condições 
normais, a saturação da cava inferior reflete a alta saturação venosa do rim, um órgão que 
apresenta uma circulação com um importante shunt. 
\u2022 Entretanto, em condições de choque circulatório, com vasoconstrição renal e esplâncnica, 
a ScO2 (cava superior) tende a ser maior. Ou seja, seus valores baixos indicam com 
segurança uma oferta critica de oxigênio para os tecidos. 
\u2022 Um importante estudo mostrou diminuição de mortalidade em pacientes em quadros 
iniciais de choque séptico tratados com o objetivo clínico de restauração da ScO2. Os guias 
de condutas modernos no tratamento da sepse sugerem o uso da ScO2 como uma meta de 
tratamento e avaliação da relação oferta e consumo de oxigênio. 
 
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Yu
Fernanda
Fernanda fez um comentário
Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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