MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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diferente das medidas de pressão de artéria pulmonar ocluída (PAPO). A elevação progressiva 
e não corrigida de lactato nas primeiras horas da internação aumenta muito o tempo de 
permanência na UTI (Figura 4). 
 
 
 
 
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Choque cardiogênico 
Esse tipo de choque pode acontecer em diversas situações, e a mais freqüente é o choque 
cardiogênico associado ao infarto agudo do miocárdico (IAM). 
O choque cardiogênico ocorre em 5% a 10% dos casos de IAM. 
A melhor maneira de entender esse tipo de choque é a observação das curvas de Frank-
Starling. Nesse diagrama, observamos que as pressões de enchimento cardíacas aumentam 
desproporcionalmente aos valores de índice cardíaco semelhantes ao desenvolvido em 
pacientes com função ventricular normal. Outra importante alteração, nesse tipo de choque, é 
a diminuição da complacência ventricular, que leva ao aumento da pressão diastólica final do 
ventrículo esquerdo (Figura 5). A Figura 6 está esquematizando a fisiopatologia do choque 
cardiogênico. 
 
 
 
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Como esse tipo de choque é caracterizado por uma queda do débito cardíaco e da pressão 
arterial, teremos uma hipóxia tecidual do tipo estagnante, pois há importante diminuição do 
fluxo. 
Além das alterações descritas, a diminuição da contratilidade é outro fator fundamental na 
caracterização do choque cardiogênico. A contratilidade diminuída sofre grande influencia da 
pré-carga e da pós-carga como podemos notar na Figura 7. Na tabela 5 encontramos os 
principais achados hemodinâmicos desta condição. 
 
 
 
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Tabela 5 \u2013 Achados hemodinâmicos e de oxigenação mais freqüentes em pacientes 
com disfunção miocárdica 
\u2022 Pressão arterial sistólica < 90 mmHg 
\u2022 Pressão venosa central AUMENTADA 
\u2022 Pressão da artéria pulmonar ocluída (PAPO) > 18 mmHg; no entanto, em pacientes 
desidratados ou com infarto agudo de ventrículo direito, esses valores podem estar 
normais ou diminuídos 
\u2022 Índice cardíaco (IC) BAIXO, variando entre 1,8 e 2,2 l/min/m2 
\u2022 Fração de ejeção ventricular DIMINUIDA 
\u2022 O pCO2-gap pode estar AUMENTADO 
\u2022 Oferta de O2 (DO2) DIMINUIDA 
\u2022 Saturação venosa mista (SvO2) DIMINUIDA devido ao aumento da taxa de extração de 
O2, 
\u2022 Hiperlactatemia 
 
Devemos lembrar que os achados hemodinâmicos podem variar de acordo com a etiologia do 
choque cardiogênico. Como no exemplo anterior, o choque cardiogênico devido ao IAM do 
ventrículo direito pode apresentar uma PAPO diminuída ou normal e um IC diminuído. 
Não há uma classificação geral para todos os tipos de choque cardiogênico, mas na Tabela 6 
observamos uma classificação clínica de Killip e uma classificação hemodinâmica de Forrester 
que podem ser utilizadas em pacientes com IAM. 
 
Tabela 6 \u2013 Classificação clínica e hemodinâmica dos pacientes com IAM 
Classificação de Killip Características clínicas Mortalidade hospitalar 
 Grupo I 
 Grupo II 
 Grupo III 
 Grupo IV 
\u2022 Sem sinais de congestão 
\u2022 B3, estertores basais 
\u2022 Edema agudo de pulmão 
\u2022 Choque cardiogênico 
< 6% 
< 17% 
38% 
81% 
Classificação Forrester Características hemodinâmicas Mortalidade hospitalar 
 
 
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 Grupo I 
 Grupo II 
 Grupo III 
 Grupo IV 
\u2022 PAPO < 18 mmHg, IC > 2,2 l/min/m2 
\u2022 PAPO > 18 mmHg, IC > 2,2 l/min/m2 
\u2022 PAPO < 18 mmHg, IC < 2,2 l/min/m2 
\u2022 PAPO > 18 mmHg, IC < 2,2 l/min/m2 
3% 
9% 
23% 
51% 
 
 
Choque distributivo 
\u2022 Pode ser classificado em: 
- choque vasoplégico; 
- choque neurogênico; 
- choque anafilático; 
- choque por hipotireoidismo/hipocortisolismo; 
- choque por hiperviscosidade. 
\u2022 Dentre as causas de choque vasoplégico, podemos citar: 
- sepse; 
- intoxicação CO; 
- hipotensão prolongada; 
- doenças mitocondriais; 
- parada cardiorrespiratória, intoxicação por cianeto e por metformina. 
\u2022 O choque vasoplégico pode ser causado por inúmeras situações, porém apresentam 
mecanismos semelhantes para hipotensão (Figura 8). 
 
 
Choque séptico 
É o mais freqüente e o mais importante representante desse grupo. Por isso reconhecer e 
entender os diversos conceitos que envolvem infecção e choque séptico (Tabela 7) é muito 
importante. 
 
Tabela 7 \u2013 Definições da conferência de consenso (SCCM/ACP) 
Infecção \u2022 Fenômeno microbiano caracterizado por uma resposta inflamatória 
reacional à presença de microorganismos ou à invasão de tecido 
 
 
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normalmente estéril àqueles organismos 
Bacteremia \u2022 Presença de bactéria viável no sangue 
Síndrome da 
resposta 
inflamatória 
sistêmica 
\u2022 Resposta inflamatória sistêmica a uma variedade de insultos clínicos 
graves 
\u2022 A resposta é manifestada por duas ou mais das seguintes condições: 
- Temperatura > 38°C ou < 36°C 
- Freqüência cardíaca > 90 bpm 
- Freqüência respiratória > 20 movimentos/min ou PaCO2 < 32 torr 
(< 4,3 kPa) 
- Leucócitos > 12.000 células/mm3 ou < 4.000 células/mm3 ou > 
10% de formas jovens (bastões) 
Sepse \u2022 È a presença da síndrome da resposta inflamatória decorrente de uma 
infecção 
\u2022 Não é necessário identificação de uma bactéria, mas o foco infeccioso 
tem que ser bem definido (pneumonia, abscesso etc.) 
Sepse grave \u2022 Sepse associada à disfunção orgânica, hipoperfusão ou hipotensão 
\u2022 Hipoperfusão e anormalidades da perfusão podem incluir, mas não 
estão limitadas à acidose, oligúria ou alteração aguda do estado mental 
Choque 
séptico 
\u2022 Sepse com hipotensão, a despeito de adequada ressuscitação hídrica 
\u2022 Pacientes que estão sob agentes inotrópicos ou vasopressores podem 
não estar hipotensos no momento em que as anormalidades da 
perfusão são mensuradas 
Hipotensão \u2022 PA sistólica < 90 mmHg ou redução de > 40 mmHg da linha de base na 
ausência de outras causas de hipotensão 
Síndrome da 
disfunção de 
múltiplos 
órgãos 
\u2022 Presença de função orgânica alterada em pacientes agudamente 
enfermos, nos quais a homeostase não pode ser mantida sem 
intervenção 
 
Devido a sua própria fisiopatologia complexa, intervenções terapêuticas e eventos clínicos 
correlacionados, o choque séptico pode apresentar inúmeros padrões hemodinâmicos e de 
oxigenação (Tabela 8). 
 
Tabela 8 \u2013 Classificação do choque séptico quanto ao padrão hemodinâmico 
Choque séptico 
hiperdinâmico 
 
\u2022 Pressão arterial diminuída ou pode ser normal 
\u2022 Pressão venosa central diminuída; mas se houver alteração da 
complacência ventricular direita, pode haver um aumento 
desproporcional 
\u2022 Pressão ocluída da art\ufffd\ufffdria pulmonar diminuída 
\u2022 Débito cardíaco normal ou elevado 
\u2022 A resistência vascular pulmonar estará normal, mas pode haver 
aumento se houver associação com a síndrome do desconforto 
respiratório do adulto ou com congestão pulmonar 
\u2022 A saturação venosa mista (SvO2) em geral, está aumentada (SvO2 > 
75%) 
\u2022 Os níveis de lactato podem estar normais ou aumentados 
Choque séptico 
hipodinâmico 
 
\u2022 Pressão arterial diminuída 
\u2022 Pressão venosa central pode estar diminuída se houver 
hipovolemia; mas se houver alteração da complacência ventricular 
direita pode haver um aumento ventricular direito, pode haver um 
aumento desproporcional 
 
 
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\u2022 Pressão da artéria pulmonar ocluída (PAPO) diminuída se 
houver hipovolemia; contudo a PAPO pode estar normal ou 
aumentada 
\u2022 Débito cardíaco baixo devido à depressão miocárdica associada à 
sepse 
\u2022 A resistência vascular pulmonar estará normal; mas pode haver 
aumento se houver associação com a síndrome do desconforto 
respiratório agudo ou com congestão pulmonar 
\u2022 SvO2, em
Fernanda
Fernanda fez um comentário
Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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