MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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lisa brônquica, produzindo 
broncodilatação. A dose inicial é de 0,01 mcg/kg/min e deve ser ajustada pelo efeito 
hemodinâmico desejado. 
A freqüência cardíaca e a pressão arterial devem ser monitoradas cuidadosamente. 
A ação nos receptores \u3b2-adrenérgicos do miocárdio pelo isoproterenol aumenta o risco de 
taquicardia excessiva, taquiarritmias e isquemia. Desta maneira, seu uso é restrito a poucas 
situações. O principal uso do isoproterenol, atualmente, é no pós-operatório de transplante 
cardíaco, em que o débito cardíaco pode ser dependente da freqüência cardíaca e não existe a 
inervação normal do enxerto. 
Em situações de normovolemia, de pressão arterial regularizada (mesmo que com 
vasopressores) e quando o débito cardíaco está baixo associado à bradicardia e hipertensão 
arterial pulmonar, o isoproterenol pode ser utilizado. 
Efeitos colaterais do uso do isoproterenol incluem palpitações, cefaleia, rubor e, raramente, 
bradicardia paradoxal. 
 
Dobutamina 
 
 
Isoproterenol (Iso) 
Dopexamina (Dopex) 
Dobutamina (Dob) 
Dopamina (Dopa) 
Adrenalina (Adre) 
Noradrenalina (NA) 
Fenilefrina (Fe) 
PRESSÃO ARTERIAL 
FLUXO 
 Fe NA Dopa Adre Dob Dopex Iso 
 
Figura 1. Catecolaminas. Painel da esquerda: efeitos \u3b1 e \u3b2 adrenérgicos; painel da direita: 
efeitos na 
pressão arterial e no fluxo sanguíneo. Am J Respir Crit Care Med vol 183, 2011 
 
 
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É uma catecolamina sintética com especial afinidade sobre receptores \u3b2-adrenérgicos. 
No miocárdio, atua sobre receptores \u3b21, promovendo inotropismo e cronotropismo positivos e, 
na parede vascular, sobre receptores \u3b22, resultando em vasodilatação. 
A dobutamina é uma mistura racêmica de dois isômeros (negativo e positivo), em que o 
positivo atua sobre receptores \u3b21 e \u3b22, e o negativo sobre \u3b21 e \u3b11.O efeito balanceado sobre os 
receptores \u3b22 e \u3b11 resulta em pouca ação vasodilatadora deste fármaco. 
As alterações hemodinâmicas resultantes da infusão da dobutamina são: aumento da 
freqüência cardíaca e do índice cardíaco e diminuição da resistência vascular sistêmica. 
Dobutamina pode determinar hipotensão arterial em pacientes hipovolêmicos, em que o 
mecanismo compensatório de aumento do débito cardíaco não acontece, constituindo-se um 
sinal indireto de hipovolemia. A dose habitual para incrementar o débito cardíaco é de 2 a 20 
mcg/kg/min. 
É o inotrópico de primeira escolha no choque cardiogênico com síndrome de baixo débito. 
Embora o incremento do débito cardíaco possa resultar em aumento da pressão arterial, em 
situações de choque cardiogênico com hipotensão arterial severa há necessidade de se associar 
uma droga vasopressora, habitualmente a noradrenalina é a mais utilizada. Cuidado importante 
com o uso das catecolaminas, em especial a dobutamina, é o aumento do consumo de oxigênio 
pelo miocárdio em decorrência do inotropismo e cronotropismo positivo. Desta maneira, o seu 
uso constitui risco de se aumentar a área isquêmica em pacientes com coronariopatia. A menor 
dose possível deve ser titulada para se evitar aumento da área isquêmica em doença 
coronariana aguda ou crônica. 
Utiliza-se dobutamina também em situações em que há débito cardíaco insuficiente \u2013 como na 
disfunção miocárdica da sepse, por exemplo. Os sinais que apontam débito cardíaco 
insuficiente, indicando a necessidade de dobutamina, incluem oligúria/disfunção renal, queda 
da SvO2 ( ou ScVO2) e aumento do lactato. O uso da dobutamina nesta situação visa aumentar 
o fluxo de sangue global aos tecidos, consequentemente aumento da oferta de oxigênio aos 
tecidos. Não há comprovação de melhora na distribuição de fluxo sanguíneo regional com o uso 
de dobutamina. 
 
Dopamina 
É o precursor imediato da noradrenalina (NA) na via biossintética das catecolaminas 
endógenas. 
Possui a propriedade de interagir com receptores dopaminérgicos e adrenérgicos. 
Os receptores dopaminérgicos são os primeiros a serem ativados, em dosagem inferior a 4 
mcg/kg/min. Essa interação propicia vasodilatação dos leitos arteriais renal e esplâncnico. 
Em dose intermediária, de 5 a 10 mcg/kg/min, atua basicamente sobre receptores \u3b2-
adrenérgicos, aumentando o débito cardíaco. 
Em doses superiores a 10 mcg/kg/min, atua sobre receptores \u3b1-adrenérgicos, proporcionando 
vasoconstrição arterial e venosa, aumentando a resistência arterial periférica, com conseqüente 
aumento da pressão arterial, da pressão venosa central e da pressão ocluída da artéria 
pulmonar. 
Os principais efeitos da infusão de dopamina são o aumento do débito cardíaco e da oferta de 
oxigênio aos tecidos. 
Outros importantes efeitos relatados: aumento da pressão arterial e da diurese. 
No entanto, os efeitos sobre perfusão renal são controversos (ver o tópico, nesse capítulo, 
sobre fluxo regional e drogas vasoativas) e não está indicado o uso de dopamina para 
aumentar fluxo esplâncnico. 
 
Dopexamina 
É uma catecolamina sintética, que atua, preferencialmente, em receptores dopaminérgicos, 
subtipo DA1, e \u3b22-adrenérgicos. Além desses, tem fraca ligação com receptores \u3b21 e DA2. 
 
 
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As principais alterações induzidas pela dopexamina são o aumento da freqüência cardíaca e do 
débito cardíaco (propriedade resultante da interação com os receptores citados e da diminuição 
da recaptação sináptica da noradrenalina), diminuição da resistência vascular sistêmica e 
vasodilatação renal e esplâncnica. A dose habitual de dopexamina é de 1 a 10 mcg/kg/min. 
Os estudos que examinaram os efeitos da dopexamina em pacientes graves (sépticos e 
cardiogênicos) mostraram que em pacientes com choque séptico poderia haver hipotensão 
arterial (ação agonista \u3b22). Porém, por essa propriedade farmacológica, sua utilidade foi testada 
sobre as perfusões esplâncnica e renal. 
Colardyn et al. demonstraram que dopexamina aumenta o índice cardíaco combinado com 
queda da resistência vascular sistêmica. Houve moderada diminuição da pressão arterial 
sistêmica. 
Em um estudo de otimização perioperatória em pacientes cirúrgicos de alto risco, Boyd et al. 
relataram um aumento importante da DO2 e uma diminuição de mortalidade de 75%. Não é 
possível imputar à dopexamina esta redução da mortalidade. Apenas um estudo randomizado, 
com uma amostra importante de pacientes (talvez multicêntrico) possa responder essa questão. 
Smithies et al. relataram um aumento no pHi em dez pacientes sépticos refletindo melhora da 
perfusão da mucosa gástrica. 
Em pacientes com choque cardiogênico, aumenta o débito cardíaco e, algumas vezes, a pressão 
arterial. 
A grande limitação do uso da dopexamina é o aumento importante da freqüência cardíaca. 
Trata-se de uma droga alternativa à dobutamina em situações de disfunção de receptores \u3b2 
(choques cardiogênico e séptico). 
 
Adrenalina 
Trata-se de uma catecolamina endógena, em humanos, sintetizada, armazenada e liberada por 
células da medula adrenal. 
Sua ação é dose-dependente, com potente ação sobre os receptores \uf061 e \uf061\uf061adrenérgicos. 
Em baixas doses (0,005 a 0,02 mcg/kg/min), estimula, predominantemente, os receptores \u3b2-
adrenérgicos, isto é, provoca aumento do débito cardíaco e vasodilatação periférica. A 
resultante é a melhora da perfusão tecidual e o alargamento da pressão de pulso. 
Em doses maiores, a ação é predominantemente em receptores \u3b1, aumentando a resistência 
vascular sistêmica e a pressão arterial, com efeitos variáveis sobre o débito cardíaco. 
Em geral, é tratada como agente de segunda escolha em situações de choque isovolêmico 
resistente à dopamina e/ou dobutamina. Nesses pacientes, a infusão de adrenalina, apesar de 
aumentar a pressão arterial e o débito cardíaco, pode elevar os níveis de lactato, em virtude do 
seu efeito metabólico e/ou sobre a oxigenação tecidual. 
Mais recentemente, alguns
Fernanda
Fernanda fez um comentário
Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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