MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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traçada 
inicialmente. Os valores obtidos são os volumes sistólicos nominais e estão diretamente 
relacionados ao volume sistólico real (autocorrelação) obtido pela multiplicação do valor 
nominal por um fator de calibração obtido através do método de diluição do cloreto de lítio. 
 Uma possível vantagem é o fato de o cálculo ser feito em função da duração total do ciclo e 
não apenas do tempo sistólico utilizado nos métodos que medem débito cardíaco pela área 
sob a curva, como forma de tentar minimizar a interferência da onda de reflexão no cálculo. 
Tarefa que pode ser difícil já que o nó dicrótico dessas ondas é a referência e esse nem 
sempre é facilmente detectável, podendo diminuir, assim, a acurácia do método. 
3º. Passo: Cálculo do débito cardíaco. A multiplicação do volume sistólico nominal pela 
duração completa de cada um dos ciclos cardíacos é igual ao débito cardíaco. 
 
Autor/ano Casuística Método validação Observações 
Linton, 2001 
Intraoperatório de 
cirurgia cardíaca TDCO 
Trabalho de 
apresentação do 
método 
Hamilton, 2002 PO cirurgia cardíaca LiDCO® Duração calibração 8h 
Jonas, 2002 UTI LiDCO® 
Comparação 
calibrações a cada 
2,5h; 5h e 8h 
 
 
156 
 
Pittman, 2004 CTI por 24h LiDCO® - 
Heller, 2002 Intraoperatório 2,5-8,5h LiDCO® - 
Mappes, 2001 Perioperatório - - 
Pittman, 2005 PO cirurgia cardíaca ou cirurgia de grande porte LiDCO
® Eficácia mantida em caso de \u201cdamping\u201d 
 
Apesar da alta correlação das medidas efetuadas por esse método com a as medidas de 
débito por termodiluição e outros métodos (nunca antes demonstradas com os algoritmos 
conhecidos até então), ainda assim os autores reconhecem a grande e complexa rede de 
interações entre os determinantes do débito cardíaco e seguem as recomendações 
primeiramente publicadas por Wezler K, em 1939, e, posteriormente, reiterada por tantos 
outros de que é necessário um método de calibração independente para qualquer que seja a 
metodologia de análise de contorno de pulso adotada, no caso, a aferição do débito cardíaco 
pela curva de diluição do lítio. 
O cloreto de lítio foi estudado em animais e seres humanos, sendo considerado droga 
segura para utilização no método de calibração (inicialmente recomendado a cada 8 horas; 
hoje se tolera 24 horas com manutenção da acurácia). As possíveis limitações e contra-
indicações ao seu uso são: transtornos psiquiátricos em uso de lítio; peso < 40 Kg (contra-
indicação até o momento); não recomendado no primeiro trimestre de gestação; 
interferência de bloqueadores neuromusculares (ideal aguardar 15-30 após sua utilização 
para calibrar o sistema); fornecer sódio plasmático (na voltagem do sensor) e hematócrito; 
shunt D para E; insuficiência aórtica grave e presença de balão intra-aórtico podem trazer 
limitações na interpretação do sistema. 
A injeção de lítio para medida do débito não necessariamente precisa ser feita em veia 
central, como ficou demonstrado em 2 estudos: Kurita e cols. (1999) e Garcia-Rodríguez e 
cols. (2002). Veias periféricas permitem o cálculo com boa acurácia, sendo que veias mais 
proximais e calibrosas são preferidas. 
Os dispositivos atualmente comercializados (LiDCO Plus®) dispõem de recursos adicionais 
que auxiliam no cuidado do paciente à beira-leito: cálculo da variação da pressão de pulso, 
variação do volume sistólico e pressão sistólica continuamente (variáveis relacionadas a 
responsividade a fluidos); aferição do débito por médias a intervalos de tempo pré-
determinados (úteis, por exemplo, nos casos de fibrilação atrial, onde ainda assim medidas 
de débito confiáveis podem ser efetuadas); fácil interface gráfica e recursos de software 
(figura 3) que permitem geração de relatórios, impressão de planilhas e atualizações. Outros 
recursos permitem cálculo de resistência vascular sistêmica (o valor da pressão venosa 
central é necessário para tal) e oferta de oxigênio (DO2) e a nova versão do software incluiu 
a capacidade de registrar e manter nas telas a saturação venosa de oxigênio e a inclusão do 
ITBV como parâmetro mensurável através da técnica de diluição do cloreto de lítio. 
Tabela 2 . Principais trabalhos de validação dessa metodologia. 
 
 
 
157 
 
Autor/ano Casuística/espécies Método validação Obervações 
Kurita, 1997 Suíno CAP, FEM - 
Mason, 2001 Cães CAP - 
Linton, 2000 Cavalos CAP - 
Corley, 2002 Potros neonatos CAP - 
Garcia-Rodríguez, 2002 Humanos CAP - 
Linton, 2000 Humanos TDTP - 
Linton, 1997 Humanos CAP - 
Pearse R, 2005 Humanos - 
EGDT otimização 
pré-operatória e 
redução 
complicações e 
permanência 
hospitalar 
 
 
 
 
158 
 
Figura 3. Interfaces gráficas (valores absolutos e curvas de tendência) do 
equipamento LiDCO plus para monitorização 
 
 
 
 
 
 
 
 
PiCCO 
 
A tecnologia PiCCO oferece monitorização hemodinâmica minimamente invasive e parâmetros 
volumétricos. A base do método PiCCO é a termodiluição transpulmonar (calibração e 
parâmetros específicos) e Análise do Contorno de Pulso Arterial (parâmetros contínuos). A 
analise de contorno de pulso clássica deriva o volume sistólico da área sob a curva sistólica. A 
figura 4 ilustra a seqüência de cálculos para obtenção do DC após calibração. Os parâmetros 
fornecidos pelo equipamento, através dos dois métodos, estão no quadro 3 e estão disponíveis 
de forma absoluta e indexada.O uso do PiCCO está indicado quando monitorização 
hemodinâmica é necessária em pacientes de centro cirúrgico, unidades de terapia intensiva 
clinica, cardíaca, cirúrgica e queimados, em que acesso arterial invasivo e venoso central estão 
instalados. Por exemplo: estados de choque, insuficiência cardíaca grave, cirurgias de grande 
porte, trauma e transplantes. 
 
 
 
159 
 
 
Figura 4. Fórmula e ilustração da termodiluição transpulmonar como método de calibração do 
PiCCO. 
 
 
 
 
 
 
 TERMODILUICAO PARA CALIBRACAO DO SISTEMA 
 
 
 
 CALIBRAÇÃO 
 
 
P 
t 
Injecao 
 
t 
T 
PCCO = cal \u2022 HR \u2022 \u2320\u2320\u2320\u2320 
\u2321\u2321\u2321\u2321 
Systol
e 
P(t) 
SVR 
+ C(p) \u2022 
dP 
dt 
( ) dt 
 
 
160 
 
 
 
Quadro 3. Parâmetros da tecnologia PiCCO (Pulsion Medical Systems, Alemanha) 
 
 
 No paciente cardiopata grave, temos a possibilidade de monitorizar importantes parâmetros 
que avaliam função cardíaca e resposta à terapêutica instituída. 
A mensuração do DC derivado do Pulse Contour é contínua e imediatamente responsiva, o que 
determina uma vantagem vital no manuseio de drogas muito potentes e com rápido inicio de 
ação - como as utilizadas no suporte do cardiopata. 
Os parâmetros volumétricos do PiCCO como Volume Diastólico Final Global (GEDV - equivale ao 
volume de sangue contido nas 4 câmaras ao final da diástole) e Volume Sangüíneo 
Intratorácico (ITBV) em combinação com Água Pulmonar Extravascular (EVLW) começam a ser 
diretamente aplicados na pratica clinica. Diferente de PVC e POAP, não há necessidade de 
interpretação associada a outras variáveis. Diversas publicações cientificas têm confirmado a 
precisão de parâmetros como o GEDV. 
Ao contrario da radiografia de tórax e índices de oxigenação, EVLW se correlaciona bem com a 
quantidade total de água pulmonar e com o grau de lesão pulmonar aguda, constituindo-se em 
um dos mais importantes parâmetros atuais para estudo do seu valor preditivo e utilidade em 
classificação e evolução da síndrome do desconforto respiratório agudo.
Fernanda
Fernanda fez um comentário
Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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