MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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maiores desfechos, mas novamente cita o balanço 
hídrico positivo como preditor independente de desfecho clínico (parece ser uma tendência dos 
recentes estudos em terapia intensiva e/ou pós-operatório de pacientes graves). Os resultados, 
no entanto, não são significantes para definir eficácia, uma vez que nenhum dos métodos de 
monitorização foi testado para algum algoritmo de tratamento ou objetivo terapêutico definido. 
 Terminamos esse capítulo citando que as tecnologias minimamente invasivas têm trazido nos 
estudos recentemente publicados um tópico de discussão interessante e pouco explorado 
anteriormente: custo-efetividade (PEARSE, 2005; MCKENDRY, 2004; GUNN, 2005). Muito mais 
do que explorar endpoints de mortalidade, nem sempre factíveis de se alcançar - pelos 
tamanhos amostrais ou pela dificuldade de pareamento de grupos de pacientes graves - os 
protocolos de ressuscitação volêmica guiados (goal-directed therapy) por essas técnicas (há 
artigos publicados com LiDCO, CardioQ e PiCCO) têm demonstrado significante redução de 
custos devido à redução de complicações, diminuição do tempo de internação e alta do 
paciente em melhor estado geral, o que se traduz também em menor custo de assistência pós-
alta. 
 
Conclusões 
 
A monitorização hemodinâmica fundamentada na utilização do CAP está em declínio ao redor 
do mundo, principalmente porque outras tecnologias menos invasivas para medir débito 
cardíaco se tornaram disponíveis. Uma vez que ainda não está totalmente claro se dados 
hemodinâmicos derivados dessas técnicas alteram a evolução ou o prognóstico dos pacientes 
graves (assim como também não foi demonstrado com o CAP), estes novos equipamentos 
devem ser submetidos à avaliação clínica criteriosa, por meio de protocolos. Dessa forma, será 
possível determinar se a baixa efetividade é exclusiva do CAP ou se é característica de todos os 
monitores hemodinâmicos que aferem o débito cardíaco. 
 Medir variáveis de fluxo como débito cardíaco ou volume sistólico é relevante no manuseio 
desses pacientes, especialmente o cardiopata grave e até recentemente, dispunhamos apenas 
do cateter de artéria pulmonar (CAP) para obter tais informações. 
 
 
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Hoje o mercado disponibiliza diversas técnicas de monitorização focados em variáveis de fluxo e 
responsividade a fluidos. A base do desenvolvimento dessas novas tecnologias foi a análise de 
contorno de pulso, aplicada à beira leito como resultado dos avanços eletrônicos e na 
capacidade de processamento dos aperelhos. 
A monitorização do paciente grave deve fornecer informação útil, no tempo certo e com 
número limitado de complicações diretamente atribuídas ao método. A técnica ideal deve ser 
segura, ter acurácia, minimamente invasiva, ser de uso fácil, custo-efetiva e deve transcender 
os cenários de cuidado contínuo, uma vez que o objetivo da monitorização hemodinâmica é 
fornecer um panorama do estado circulatório do paciente a fim de auxiliar o médico na 
definição do diagnóstico, estratégias terapêuticas e prognóstico. Atualmente nenhum 
instrumento de monitorização preenche todos esses critérios. 
 
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Capítulo 17 
 
CATETER DE ARTÉRIA PULMONAR (SWAN-GANZ) 
 
DESCRIÇÃO, INDICAÇÃO, TÉCNICA E COMPLICAÇÕES. 
 
INTRODUÇÃO 
O cateter de artéria pulmonar (CAP) foi introduzido na década de 1970, por Swan & Ganz (por 
isso sua denominação de cateter de Swan-Ganz), para monitorização hemodinâmica nos 
pacientes com síndrome coronariana aguda. Seu uso foi ampliado, auxiliando no diagnóstico, 
monitorização e guia terapêutico do paciente grave. 
Provêem variáveis hemodinâmicas diversas que devem ser interpretadas à luz do quadro clínico 
do paciente sendo importante ressaltar que o CAP é uma ferramenta, e que semelhante a 
outros métodos de monitoração mensura e estima variáveis as quais devem ser obtidas e 
interpretadas de forma adequada para que a conduta aplicada possa ser benéfica ao paciente. 
Encontra-se incerto na literatura o quanto realmente o CAP muda a evolução e o prognóstico 
dos pacientes, sendo esse um dos motivos pelos quais seu uso vem decaindo nos últimos anos 
devido à dificuldade em demonstrar benefícios no desfecho clinico, além do avanço de outros 
tipos de monitorização menos invasivas. 
Na década de 90 iniciou-se discussão sobre o uso do cateter de artéria pulmonar e seu uso 
passou a ser controverso. Em 1996, Connors et al. publicaram um estudo
Fernanda
Fernanda fez um comentário
Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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