MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA
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MONITORIZACAO HEMODINÂMICA BÁSICA E AVANCADA


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pulmonar diastólica e a 
PAPO é de 1 a 4 mmHg 
\u2022 Avaliar o exame radiológico de tórax 
Aplicação clínica da 
PAPO 
\u2022 Desde a década de 1960, alguns estudos mostram uma 
relação linear entre valores acima de 15 mmHg de PAPO e 
acúmulo de líquidos nos pulmões. 
\u2022 A PAPO reflete a pressão do átrio esquerdo que, por sua vez, 
reflete a pressão do ventrículo esquerdo. 
\u2022 PAPO é a melhor avaliação, à beira do leito, da pressão 
diastólica final do ventrículo esquerdo e isto representa, 
indiretamente, a pré-carga do ventrículo esquerdo. 
\u2022 Essa situação é muito importante, uma vez que o intensivista 
pode construir uma curva relacionando aumentos progressivos 
da PAPO e incrementos do volume sistólico, otimizando a pré-
carga 
\u2022 Em situações como choque séptico e síndrome da angústia 
respiratória aguda, a PAPO pode não ser a medida mais 
fidedigna da verdadeira pressão no capilar; alguns estudos 
 
 
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buscam uma variável mais fidedigna para representar a pré-
carga do ventrículo esquerdo. 
Problemas enfrentados 
na medida da PAPO 
 
\u2022 A região do leito capilar pode não refletir a verdadeira pressão 
capilar principalmente em pacientes com choque séptico e 
SARA 
\u2022 As oscilações pressóricas durante os ciclos respiratórios 
podem interferir na determinação da PAPO 
\u2022 Em pacientes com PEEP > 12 cmH2O, o traçado pode refletir a 
pressão alveolar se o cateter não estiver na zona 3 (Figura 
17). 
\u2022 Avaliação da PAPO através de uma régua, como é feito 
habitualmente, sofre influências da subjetividade do 
observador. 
\u2022 Em cateteres longos em demasia, o mesmo pode produzir 
artefatos durante as medidas. 
 
 
Interpretação clínica da PVC e da PAPO (Tabelas 14 e 15) 
A PVC e a PAPO possibilitam a interpretação mais adequada das variáveis hemodinâmicas, 
auxiliando de forma importante o diagnóstico e o tratamento das diversas síndromes do 
choque. 
A PVC traduz o retorno venoso ao coração direito, bem como possibilita, através da 
comparação com a pressão de artéria pulmonar ocluída (PAPO), inferir sobre disfunção 
cardíaca direita isolada ou secundária à disfunção ventricular esquerda e possibilita sugerir o 
diagnóstico de hipertensão arterial pulmonar. 
A grande limitação da utilização isolada da PVC como parâmetro de volemia recai sobre 
diversas condições que afetam sua medida. Do ponto de vista prático, a pressão da artéria 
pulmonar ocluída reflete, em geral, a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo (PDFVE), e 
a pressão venosa central, a pressão diastólica final do ventrículo direito (PDFVD). 
O cateter de artéria pulmonar (Swan-Ganz) permite, à beira do leito, aferir essas pressões. 
Figura 16 \u2013 PAPO \u2013 Zonas de pressão. A zona 1 apresenta um excesso de 
ventilação. Na zona 2 o fluxo é determinado pela diferença entre a PAP e 
PA. A zona 3 é o melhor local para realizar a medida da PAPO. O fluxo 
nesta região é determinado pela variação da pressão arteriovenosa. PA: 
pressão alveolar; Pv: pressão venosa; Pa: pressão arterial; PAP: pressão 
arterial pulmonar; PA: pressão arterial; Q: fluxo. 
Zona 1 PA > Pa > Pv 
Zona 2 Pa > PA > Pv 
Zona 3 Pa > Pv > PA 
Ventilação em excesso da 
perfusão 
Q = PAP-PA 
Q= \u2206\u2206\u2206\u2206P arteriovenoso 
 
 
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É importante reconhecer a relação pressão/volume e as variações entre os lados direito e 
esquerdo do coração em situações de normalidade e estados patológicos. A Tabela 14 destaca 
os efeitos de processos comumente encontrados nas relações entre PVC e PAPO. 
Assim, devemos sempre considerar essas situações na interpretação da PVC e da PAPO, em 
pacientes gravemente enfermos. 
Outra análise prática importante é a relação entre a pressão diastólica da artéria pulmonar e a 
PAPO. Quando esse gradiente é superior a 5 mmHg, na vigência de uma pressão média de 
artéria pulmonar elevada, podemos afirmar que esta não é secundária à falência ventricular 
esquerda. Pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo, a magnitude da 
hipertensão arterial pulmonar parece se relacionar com má evolução. 
 
Tabela 14 \u2013 Condições clínicas que apresentam discrepância 
entre valores de PVC e PAPO 
PAPO > PVC PVC > PAPO 
\u2022 Falência cardíaca esquerda 
\u2022 Isquemia 
\u2022 Miocardiopatia 
\u2022 Valvulopatia mitral 
\u2022 Valvulopatia aórtica 
\u2022 Hipertensão arterial 
sistêmica 
\u2022 Falência cardíaca direita 
\u2022 Isquemia 
\u2022 Valvulopatia tricúspide 
\u2022 Síndrome do desconforto 
respiratório agudo 
\u2022 Embolia pulmonar 
\u2022 Cor pulmonale 
\u2022 Hipertensão pulmonar 
 
Adaptado de Mouchawar A, Rosenthal M. A pathophysiological approach to the 
patient in shock. Int Anesthesiol Clin 31(2):1-20, 1993. 
 
Tabela 15 \u2013 Condições clínicas associadas a mudanças nas 
ondas A e V 
Causas de ondas A 
gigante 
Causas de ondas V gigante 
\u2022 Bloqueio AV total 
\u2022 Arritmias reentrantes 
\u2022 Marcapasso ventricular de 
câmara única 
\u2022 Estopia ventricular 
\u2022 Estenose mitral 
\u2022 Estenose tricúspide 
\u2022 Insuficiência mitral 
\u2022 Insuficiência tricúspide 
\u2022 Hipervolemia 
\u2022 Defeito do septo ventricular 
 
Bibliografia: 
 
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Condutas no paciente grave. Atheneu, São Paulo, p. 3, 1998. 
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tracings. Clin Pulm Med 9(6):335-41, 2002. 
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Society of Critical Care Medicine, 2. ed, 1998. 
 
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39 
 
Perret C, Tagan D, Feihl F, Marini JJ. Pathophysiological background. In: The pulmonary artery 
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Rivers EP, Ander DS. Central venous oxygen saturation monitoring in the critically ill patient. 
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Walsh JT, Hildick-Smith DJR. Comparison of central venous and inferior vena caval pressures. 
Am J Cardiol 85(4):518, 2000. 
 
 
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CAPÍTULO 3 
 
INTERPRETAÇÃO DAS CURVAS DE MONITORAÇÃO 
 
Introdução 
Ao monitorar as pressões de maneira invasiva no paciente grave, é muito importante a 
identificação e o entendimento dos componentes e formatos das ondas pressóricas. Em 
determinadas doenças podem ocorrer algumas alterações das morfologias quando dos valores 
mensurados. A técnica de aferição realizada de maneira adequada favorece a interpretação e 
tomada de decisões apropriadas. Dependendo do tipo de onda estudada e do local a, as ondas 
das curvas apresentam características pertinentes a cada regiãol monitorada. 
Para proceder a inserção do cateter de artéria pulmonar é imprescindível o reconhecimento das 
morfologias das ondas das curvas de pressões das câmaras cardíacas, bem como da artéria 
pulmonar e da pressão de oclusão desta. A orientação da posição do cateter no trajeto de 
inserção para atingir um posicionamento adequado é guiada pelos valores e pela morfologia 
encontrada nas ondas(1, 2). 
O intensivista deve estar familiarizado com as ondas e os valores normais dos seguintes locais: 
\u2022 átrio direito; 
\u2022 ventrículo direito; 
\u2022 artéria pulmonar; 
\u2022 oclusão de artéria pulmonar; 
\u2022 artéria aorta; 
\u2022 artéria radial; 
\u2022 artéria femoral; 
\u2022 artéria pediosa. 
 
As ondas das curvas de pressão podem sofrer
Fernanda
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Em cima dos textos aparecem um monte de XXX nao da para ler
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