Leonardo Breno Martins   Contactos imediatos   Investigando
323 pág.

Leonardo Breno Martins Contactos imediatos Investigando


DisciplinaAstronomia797 materiais3.047 seguidores
Pré-visualização50 páginas
ora são 
descritos como pequenos, tipicamente entre poucos centímetros de diâmetro a um 
metro, quase sempre esféricos, ora são ditos de grandes dimensões, do tamanho de um 
automóvel ou maior, quando os demais formatos tendem a surgir. Óvnis cilíndricos 
podem ser mencionados em grandes dimensões, como várias dezenas de metros de 
comprimento. 
Diferentemente de obras cinematográficas notórias, como Contatos Imediatos de 
Terceiro Grau (1977), ET, o Extraterrestre (1982) e Independence Day (1996), as 
descrições dos óvnis remetem quase sempre à ausência de hastes, relevos irregulares, 
aparatos muito salientes ou luzes multicoloridas em sua \u201cfuselagem\u201d. Usualmente, a 
superfície dos objetos não possui quaisquer adornos ou sofisticações maiores que as 
eventuais \u201cjanelas\u201d e a luminosidade costuma variar entre poucos tons, raramente 
apresentando muitas cores ao mesmo tempo. Não raro, feixes ou cones luminosos são 
descritos como provenientes da parte inferior dos objetos, ditos por muitos protagonistas 
como úteis a buscas no solo eventualmente interessantes à inferida inteligência 
responsável. O comportamento dos óvnis \u201cpróximos\u201d é similar ao descrito sobre 
51 
 
experiências \u201cdistantes\u201d, com variações bruscas de velocidade e deslocamento, 
mudanças de cor e capacidade de \u201caparecer\u201d e \u201cdesaparecer\u201d repentinamente, além de 
eventuais mudanças de formato. O participante E1.21 fornece exemplo representativo: 
 
Eu vi passando sobre a rua... um objeto estranho.... Ele deveria ter o 
tamanho de uma kombi... era um objeto esférico... tinha uma luz 
fosca.... Era cercado em seu perímetro por janelas redondas ou 
escotilhas que irradiavam luz.... Essas luzes da escotilha pareciam 
girar num determinado sentido, enquanto embaixo do objeto... havia 
uma série de luzes... que giravam no outro sentido. 
 
O leque de experiências inclui visões de seres (i.e., alienígenas) usualmente 
reconhecidos pelos protagonistas como inteligências responsáveis pelos óvnis. Visões 
de naves e seres frequentemente se combinam, de modo que estes são descritos 
enquanto próximos ou dentro daquelas. Embora as entidades sejam descritas dos mais 
diversos modos (e.g., variações significativas em estatura, massa corporal, beleza, 
aparência mais ou menos animalesca), quase todas as descrições são antropomórficas. 
Assim, os alienígenas tendem a possuir cabeça, tronco e membros, estes com dedos nas 
extremidades. A despeito do tamanho, que varia do enorme ao quase imperceptível, 
olhos, nariz e boca tendem a ser mencionados. Quanto mais assemelhados a seres 
humanos, mais tendem a ser descritos portando vestimentas, essas tipicamente colantes 
e metálicas, em algo semelhantes a astronautas, ou à semelhança de leves túnicas. 
Quanto mais próximos de seres animalescos, mais tendem a ser descritos como nus ou 
portando poucos adereços. Sua atitude parece igualmente variar conforme o grau de 
antropomorfismo. Quanto mais animalescos, mais os seres são ditos arredios, enquanto 
os contornos mais humanos tendem a se associar à comunicação gestual, idioma 
52 
 
incompreensível (e.g., grunhidos, zumbidos) ou transmissão de pensamentos (i.e., 
telepatia). As interações entre os pretensos alienígenas e os protagonistas tendem a se 
situar em um dos extremos: experiências breves/superficiais/casuais ou 
delongadas/recorrentes/inseridas em algum plano maior. A participante E1.27 
exemplifica a experiência breve: 
 
O farol bateu em alguma coisa que brilhou... aí vi que tinha um formato de 
gente, de rosto.... Deu pra ver perfeitamente que era um ser com rosto, 
braços, corpo.... A pele dele era... vermelha, grossa... e só um olho... no 
meio da testa.... Ele olhou pro carro, olhou pra mim.... Era muito real! 
 
No outro extremo, uma das categorias mais conhecidas de experiências 
delongadas reúne os alegados sequestros por óvnis, conhecidos popularmente como 
abduções. Por sua intrigante complexidade, as abduções provavelmente são o objeto de 
estudo preferido da literatura acadêmica internacional sobre experiências óvni, com 
artigos e trabalhos de pós-graduação não tão raros (e.g., revisões em Appelle et al., 
2000; Hough & Rogers, 2007-2008). 
As experiências de abdução tipicamente se iniciam com a visão de um óvni ou um 
alienígena, seguida do ingresso involuntário do protagonista dentro da pretensa nave, 
seja por intermédio de um facho ou cone de luz, seja mecanicamente, carregado pelos 
alienígenas. Uma vez dentro da nave, os protagonistas seriam submetidos a detalhados 
procedimentos, à semelhança de exames médicos moderadamente concentrados nos 
órgãos genitais. Com menor frequência, os protagonistas seriam forçados a manter 
relações sexuais com outros abduzidos, todos em estado de transe, ou mesmo com um 
alienígena. O material genético coletado serviria para a manufatura de fetos híbridos, às 
vezes vistos na nave em estágios diversos de desenvolvimento. As abduções tenderiam 
53 
 
a durar entre uma e três horas, o que os protagonistas estimam através de indícios 
indiretos, como os horários vistos em algum relógio quando do início e do fim da 
experiência, testemunhos de terceiros que notariam a ausência do protagonista no 
respectivo intervalo de tempo, o horário de chegada do protagonista em casa após a 
experiência (e.g., quando se esperaria que ele retornasse do trabalho três horas antes), 
entre outras possibilidades. A princípio, embora o contexto mais comum para as 
abduções se dê enquanto os protagonistas estão deitados à cama, as experiências podem 
ocorrer em diversos lugares ou situações, como no local de trabalho, em um 
acampamento, em uma viagem de carro, enquanto assistem televisão ou em quaisquer 
situações cotidianas imagináveis. 
Com frequência significativa (e.g., 70% em McLeod et al., 1996), os abduzidos 
não possuem \u201crecordação inicial\u201d da experiência (ou ao menos não de toda ela), mas 
apenas ou principalmente angustiantes indícios de que algo anômalo e intenso lhes teria 
ocorrido e posteriormente sido acobertado por algum mecanismo inerente ao processo25. 
Os indícios mais comuns de uma abdução \u201cesquecida\u201d incluem uma lacuna de memória 
de uma a três horas após ver um óvni (conhecida como \u201cmissing time\u201d; cf. Hopkins, 
1995), indícios circunstanciais (e.g., pés sujos de barro ou mato, sugerindo que o 
protagonista caminhou por local que não se lembra), cicatrizes ou outros ferimentos os 
quais não teriam sido notados antes do episódio, sonhos recorrentes e nítidos sobre 
serem conduzidos a um ambiente alienígena (na acepção original do termo) e 
examinados por entidades anômalas, além de quadros ansiosos diversos. 
Nesses casos, haveria três grandes tendências: (1) A estranheza dos eventos não 
motiva maiores buscas por esclarecimento, o que não gera uma noção subjetiva de 
abdução; (2) Com base nos referidos indícios, no conhecimento popular e na literatura 
 
25
 As aspas e os parênteses se devem à controvérsia relativa à acuidade das memórias sobre abduções, 
pois muito é discutido acerca da possibilidade de produção de falsas memórias quando diante das 
suspeitas iniciais de abdução por parte do protagonista ou mesmo sem que haja tal expectativa inicial. 
Adiante o tema será retomado e detalhado. 
54 
 
ufológica, os protagonistas concluem que foram abduzidos; ou (3) os protagonistas 
buscam recordar o que teria ocorrido durante o tempo perdido (missing time), 
tipicamente através de hipnose regressiva ou outras práticas que induzem alterações de 
consciência. Nesse último caso, muitas vezes emergem detalhadas \u201clembranças\u201d de 
abduções complexas e demoradas, que, inclusive, possuiriam etapas bem conhecidas