Leonardo Breno Martins   Contactos imediatos   Investigando
323 pág.

Leonardo Breno Martins Contactos imediatos Investigando


DisciplinaAstronomia797 materiais3.050 seguidores
Pré-visualização50 páginas
(para maiores detalhes, cf. Appelle et al., 2000; Bullard, 1989; Hopkins, 1995; Jacobs, 1998, 
2002; Mack, 1994; Moura, 1996). 
Com alguma frequência (e.g., 30% em McLeod et al., 1996), os abduzidos reportam 
suas experiências sem o auxílio de hipnose ou técnicas alternativas, quando apresentam 
relatos semelhantes aos que se valeram dessas técnicas auxiliares. Como breve e 
introdutório exemplo, extraído de uma longa entrevista com a participante E2.3, 
 
Em 1998, eu tive uma experiência de abdução. Eu estava na casa de 
um ex-namorado.... Eu já começo a sentir uma coisa estranha, e aí eu 
perdi a gravidade.... Meu cabelo ia todo pra trás, sendo puxado pra 
trás, como se eu estivesse em cima de uma tábua, só que em suspenso 
[gesticula com a mão, sugerindo que o corpo flutuava]... Além de estar 
esse \u201chomem\u201d [um dos alienígenas, visto primeiro]... existiam mais 
duas \u201cpessoas\u201d.... Nesse dia, eu acordei com o punho ardendo, 
doendo, e essa parte do pé aqui também ardendo [mostra a articulação 
do pé]... eu tinha marcas escuras [nesses locais]... e isso sumiu com o 
tempo, e o mais engraçado que ele [o ex-namorado] ficou também... a 
gente [ela e o ex-namorado] acorda com as mesmas marcas.... Além 
do medo enorme que eu fiquei... [dentro da nave, era] um lugar como 
se fosse um caixão de vidro, mergulhada em um líquido, toda cheia de 
tubos, e sendo estudada realmente... eu participei de uma experiência 
55 
 
genética, onde foi criado algum ser através de mim; esse ser existe em 
algum lugar [a voz começa a ficar embargada e a expressão facial se 
torna chorosa]... eu estava dentro de uma nave, isso eu tenho certeza. 
 
Finalmente, embora sem pretensão de esgotar o tema, uma categoria alardeada de 
experiência óvni reúne pretensos contatos amistosos com alienígenas. Os protagonistas 
dessas experiências são frequentemente chamados de \u201ccontatados\u201d (e.g., Lewis, 1995; 
Suenaga, 1999). Tais experiências possuem algumas características particularmente distintas 
das demais experiências aqui descritas. Ao contrário das abduções, historicamente mais 
descritas como físicas, materiais, os encontros amistosos muitas vezes se assemelham a 
contatos com espíritos, ao serem associados pelos protagonistas a alterações de consciência, 
transes mediúnicos, experiências fora do corpo, intuições e visões de seres etéreos. Encontros 
físicos também são descritos, mas de modo aparentemente mais raro. Por sua vez, os 
alienígenas tendem a ser descritos como belos, altos e brilhantes, à semelhança de anjos ou 
espíritos de luz, embora não raro com características denotativas de uma origem extraterrestre 
(e.g., mensagens que revelariam sua procedência, roupas \u201cmetálicas\u201d e equipamentos de 
pequeno porte). Os diálogos tendem a ser espiritualmente instrutivos e edificantes, além de 
transmitidos pelo pensamento (i.e., telepatia). Com alguma frequência, surgem protagonistas 
a mencionar que os seres sequer necessitam de naves para chegar à Terra, de modo que, para 
eles, os óvnis talvez remetam a outro fenômeno ou sequer existam concretamente. A 
contatada E2.6 fornece um exemplo: 
 
Eu vi um ser desses pela primeira vez... ele apareceu pra mim, foi um 
choque... ele mostrava um objeto na mão... ele era todo dourado... era uma 
pele normal, só que ela tinha uma nuance dourada.... E o macacão era 
amarelo fulgurante. E ele tinha um símbolo no peito.... No primeiro 
56 
 
impacto, eu acreditei que [o objeto na mão do ser] era uma arma.... Falei 
com meu irmão assustada, olhando aquele \u201chomem\u201d assim de dois metros 
e trinta... Que ser é esse?!.... Ele [o irmão, que também é um contatado] 
disse tratar-se de Orson, um ser que vem de Órion. 
 
Uma vez feitas descrições básicas acerca das experiências, cumpre discutir também 
brevemente um histórico das experiências óvni e sua consolidação na consciência coletiva, 
principalmente na cultura ocidental. De modo análogo à apresentada historicidade de Richet 
sobre o estudo das experiências anômalas (cf. capítulo 4), segue uma sintética e informal 
apresentação do desenvolvimento histórico do tema óvni e de seu estudo, organizada por 
mim, embora com menor sistematização: 
 
1. Período \u201cpré-midiático\u201d (? \u2013 1947): Este período se iniciaria com povos antigos, em 
diversas épocas e locais, e seus registros históricos repletos de menções a visões de esferas, 
\u201cescudos\u201d e \u201clanças\u201d celestes, seres estranhos e não raro descritos como provenientes dos 
mesmos objetos voadores, além de relatos de perseguições e sequestros de camponeses e 
indígenas em algo semelhantes às abduções atuais (e.g., Bullard, 1989; Jung, 1958/1988; 
Suenaga, 1999). 
Essas grandes semelhanças entre relatos oriundos de diversos contextos culturais (por 
vezes milhares de anos e quilômetros separados entre si) constituíram elemento importante 
para, no período seguinte, Jung (1958 /1988) solidificar suas concepções sobre simbolismos 
pretensamente universais na espécie humana, os notórios arquétipos, além de conectá-los às 
experiências óvni atuais. 
Embora os relatos tenham sido registrados de modo um tanto esporádico ao longo desta 
fase, houve episódios marcantes devido à sua magnitude ou a ocorrências em série em curtos 
períodos. Entre os exemplos mais famosos, relembro o \u201ccombate aéreo\u201d entre esferas, 
57 
 
\u201cescudos\u201d e cilindros voadores pretensamente observado em Nuremberg, na Baviera, entre 
abril de 1561 e setembro de 1571, documentado à época pela Gaceta de Nuremberg; e o 
episódio análogo e à luz do dia registrado pelo Folheto de Basiléia em 1566 (cf. ambos em 
Jung, 1988). 
Quanto mais distantes no tempo, mais os episódios tendiam a ser interpretados de modo 
religioso e folclórico, como avisos celestes, bruxarias, bênçãos etc. Por sua vez, episódios 
posteriores à Revolução Científica do século XVII começavam gradualmente a ser 
interpretados enquanto tecnológicos (e.g., a série de aparições de \u201cdirigíveis fantasmas\u201d do 
final do século XIX nos Estados Unidos, de \u201cFoo Fighters\u201d durante a Segunda Guerra 
Mundial e de \u201cFoguetes Fantasmas\u201d no norte da Europa em 1946; e.g., Suenaga, 1999). 
Apenas como exemplo de um episódio brasileiro do século XIX, registrado no livro de 
controle da Fazenda Anil, na antiga São Gonçalo do Sapucaí, em Minas Gerais, pelo coronel 
José Francisco de Almeida: 
 
Hoje, 15 de novembro de 1.899. Declaro, debaixo de minha palavra e honra, 
que no dia 11 para 12, a uma e meia da madrugada, eu e minha mulher nos 
levantamos e encontramos o céu todo tapado de estrelas. Havia três sinais, 
sendo o mais pequeno pouco maior que uma Lua; o segundo, dois tantos do 
primeiro e o terceiro três vezes maior que o segundo. O terceiro está crivado 
de estrelas ao redor e por dentro, que variam do azul para vermelho, e em 
volta dele é como o resplendor do quino. Estivemos vendo este sinal, no 
terreiro, a noite muito clara, por questão de 10 minutos. Depois, às 02:00 
horas, fui abrir a janela e encontrei a noite toda escura, sem uma só estrela. 
Isto é mesmo a verdade, como minha confissão. Eu vi isso com os meus 
olhos que a terra há de comer. Como ninguém mais deu notícia, faço esta 
declaração, para mais tarde alguém ler, para contar, se houver outro 
58 
 
semelhante. Só eu e minha mulher é quem vimos este sinal. Por isso 
declaramos, para mais tarde, quem viver, contar, e ser assim a nossa 
verdade. Deus mostrará, assim como fez o Sol, a Lua, o grande poder deste 
imenso globo que estamos firmados nele. Não temos o grande poder de 
provar este fato, que, presentemente, ninguém conta que viu. Só nós dois26. 
 
Por sua vez, relatos antigos possuem algumas semelhanças com as narrativas 
espiritualizadas dos atuais contatados. Embora