Da Suspensão e da Extinção do Processo de Execução   DPC 2   Final
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Da Suspensão e da Extinção do Processo de Execução DPC 2 Final


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o processo de execução se suspende quando houver convenção das partes neste sentido.
Acerca desta matéria, Araken de Assis (1995) divide a suspensão voluntária em: a suspensão convencional genérica e a suspensão convencional dilatória. A primeira preconizada no art. 313, afirma que sua incidência não depende do estabelecimento de um prazo para a suspensão ou de uma causa específica que a justifique. Tal convenção fica restrita ao prazo legal estabelecido pelo § 3o do art. 313, que é de 01 ano na hipótese do inciso V e de seis meses na hipótese do inciso II.Por outro lado, a suspensão convencional dilatória é a prevista pelo art. 922 do CPC, ou seja, convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo concedido pelo exequente, para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação.
Na segunda convenção, deve ser estabelecido um prazo para que o devedor cumpra a obrigação; o limite temporal é acordado pelas partes. É o que acontece quando as partes acordam quanto ao cumprimento da obrigação de maneira parcelada. Assim, possibilitando o cumprimento, o credor estabelece um prazo para que o executado pague voluntariamente. 
No inciso II do art. 313 prevê-se a "convenção das partes" como causa de suspensão do processo e, consequentemente, da execução. Inicialmente, isso poderia significar um entrave para a efetividade e celeridade da execução. Porém, sendo o movimento suspensivo uma lícita iniciativa dos maiores interessados no efetivo e célere desfecho do feito, tais ideais acabam não sofrendo arranhões. Até porque a acordada paralisação da execução pode criar o cenário propício para a satisfação da obrigação ou a composição das partes, trazendo-lhes, de forma mais ágil e menos custosa, tudo o que o processo acabaria por lhes oferecer ao final.
Para que a convenção das partes produza o efeito suspensivo previsto no inciso II do art. 313, é impositivo que ela conte com a participação de todos os sujeitos parciais da relação jurídica processual. Faltando a concordância de uma das partes, a convenção não é apta a suspender o feito. Aqui, mais uma vez, a suspensão do feito se dá tão logo acontecido o evento previsto na lei; no caso, tão logo externada em juízo a manifestação de todas as partes nesse sentido. Novamente, os efeitos da decisão do juiz retroagem até o momento da ocorrência da causa suspensiva. Todavia, registre-se que a suspensão do processo por convenção das partes não suspende prazos peremptórios, como é o caso do prazo para embargar a execução. Uma vez findo o prazo convencionado pelas partes, deve o juiz determinar a sequência da execução (art. 313, § 4º). 
O art. 922 descreve em seu caput especial hipótese de convenção das partes para a suspensão da execução: "convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo concedido pelo exequente, para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação". Quando as partes lançarem mão dessa específica forma de convenção, não incide a limitação semestral prevista no § 3º do art. 313, "admitindo-se que a suspensão 'seja prolongada pelo tempo necessário ao cumprimento da obrigação' (RT 714/37, RJTAMG 60/62, maioria, 67/214)10". Porém, uma vez terminado o prazo concedido, sem que tenha sido cumprida a obrigação, o juiz deve determinar a retomada da execução (art. 922, parágrafo único), a exemplo do que acontece com o término do prazo avençado em qualquer outra convenção (art. 3313, § 3º).
O acordo é levado até o juiz para que seja homologado, a partir daí suspende-se, de maneira dilatória, o processo executivo. Em caso de descumprimento do acordo, ou encerrada a suspensão sem cumprimento, o processo volta ao seu tramite normal.
Vale destacar que o juiz não se vincula ao acordo das partes, em se deparando com afronta à legalidade pode indeferir a transação.
2.5 MOMENTO DA SUSPENSÃO 
Questiona-se se a suspensão, mesmo sendo necessária, se dá no momento em que ocorre o fato determinante, ou a partir do pronunciamento judicial a respeito (DINAMARCO, 2009).
Já foi feita a distinção entre suspensão obrigatória e voluntária. A partir de tal distinção é possível concluir que: quando a suspensão for obrigatória, estando o juiz vinculado a ela, o processo se suspende a partir do fato incidente, pois a atividade do juiz é meramente declaratória, ele apenas reconhece a causa e declara que o processo está suspenso; e quando a suspensão for voluntária, a atividade judicial é necessária para que haja a suspensão; assim, a suspensão só se verifica a partir da homologação do juiz.
Pode-se concluir que no caso de suspensão obrigatória, a declaração do juiz que suspende o processo tem efeito \u201cex tunc\u201d, retroagindo à data do fato incidente, e no caso de suspensão voluntária, a homologação judicial tem efeito \u201cex nunc\u201d, ou seja, com eficácia posterior ao reconhecimento do juiz, pois depende da sua atividade discricionária.
Assim, no primeiro caso, se praticados atos processuais, estes serão ineficazes, nos termos do art. 146 do CPC/2016, pois o processo já estava suspenso a partir da origem do incidente, mesmo que o reconhecimento judicial tenha sido posterior.
É importante ressaltar que tais posições não são unânimes no entendimento doutrinário. Alguns autores entendem que em ambos os casos, o efeito é \u201cex nunc\u201d a partir da decisão do juiz.
2. 6 AÇÃO RESCISÓRIA E SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO
	A ação rescisória, que é uma ação autônoma de impugnação e que tem por objetivos de a desconstituição da decisão judicial transitada em julgado e, eventualmente o rejulgamento da causa, não suspende a eficácia da decisão rescidenda, que poderá, assim, ser executada. O art. 969 do novo CPC permite que a suspensão em caso de tutela provisória.
2.7 FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO JUDICIAL E SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO
Pertinente à relação entre falência, recuperação judicial e suspensão do processo, entende FredieDidier Júnior que advindo a determinação da falência ou recuperação judicial suspende-se as execuções individuais em face do devedor insolvente, bem como as execuções propostas pelos credores particulares do sócio solidário (Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, art. 6º). 
Terá andamento no juízo no qual se estiver processando a ação que demandar quantia ilíquida (Lei nº 11.101/2005, art. 6º, §1º). Diante deste acontecimento deverão os credores habilitar-se na falência ou na recuperação judicial, tendo por finalidade o recebimento de seus créditos.Todavia, não serão suspensas a ação que demanda quantia ilíquida, a ação trabalhista até a fixação do valor devido e a execução fiscal (Lei nº 11.101/2005, art. 6º, §1º, 2º e 7º, art. 52, IV, art. 99, V).
3. EXTINÇÃO DO PROCESSO
3.1 CONCEITO
Conforme o entendimento de Fredie Didier (2011) toda execução realiza-se por meio de um processo de execução, podendo esta acontecer de forma autônoma, em um processo próprio, ou como desdobramento, mais uma fase processual, estando vinculada no mesmo processo que demandou a lide. Este autor ressalta que a realização deste \u201cprocesso de execução, procedimento em contraditório, seja em um processo instaurado com esse objetivo, seja como fase de um processo sincrético.\u201d (DIDIER, p. 29, 2011). 
Sobre este entendimento, cabe, portanto a função da cognição judicial na análise das condições da ação e dos pressupostos processuais. Há duas divisões da atividade do órgão jurisdicional quando se trata da cognição, uma voltada as questões de admissibilidade e outra ao juízo de mérito, e nestes aspectos existe a análise:
Sobre a necessidade de exame da validade do procedimento executivo (juízo de admissibilidade), parece não haver dúvidas: cabe ao órgão jurisdicional verificar o preenchimento dos pressupostos processuais, como, por exemplo, a existência de título executivo, a competência, o pagamento de custas etc. Sobre o juízo de mérito da execução, porém, não é muito comum encontrar livros ou ensaios doutrinários a respeito: parece prevalecer a equivocada idéia de que não há mérito na execução. Trata-se de erro que não se pode cometer e cuja