O Décimo Planeta   A Pré História Espiritual da Humanidade
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O Décimo Planeta A Pré História Espiritual da Humanidade


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A casa, depois de um estrondo, começou a pegar fogo, sendo inteiramente
destruída em poucos minutos. A pequena multidão que se aco-tovelava a sua porta ficou
também espantada, sem compreender nada; porém, logo depois, solícitos, procuraram
confortar Zoran com palavras bondosas, e algumas mulheres se ofereceram para cuidar da
criança.
O curandeiro," atônito, respondia maquinalmente da melhor forma possível. Segurando seu
filho no colo, parecia não acre-ditar no acontecido; olhava com tristeza para o que fora sua
casa, agora um monte de escombros e cinzas. Um arrepio de medo sombreou-lhe os olhos
quando se ouviu um estampido alto, seguido de fortes relâmpagos e raios que caíram sobre o
amontoado de ruínas furaegantes que restara da casa.
Nesse momento, um vento forte, vindo não se sabe de onde, rapidamente apagou as poucas
chamas que ainda teimavam em queimar o que havia sido a residência do curandeiro Zoran.
As mulheres cercaram o pobre pai, e trouxeram um xale de lã para agasalhar a criança, pois a
noite estava fria. Só então Zoran reparou direito no filho que carregava nos braços, observando
que a espuma roxa que o cobria na hora do nascimento havia desaparecido.
 
\u2014 É uma linda criança, mestre Zoran \u2014, disse a mulher que lhe trouxera a manta.
O curandeiro, ainda perplexo, meio entorpecido pelos últimos e estranhos acontecimentos,
olhou pela primeira vez com atenção para seu filho. Era um lindo bebê, rosado, olhos grandes,
escuros, fisionomia serena, e dormia indiferente à confusão que se estabelecera. Habitava pela
primeira vez um corpo de carne, e com suas maléficas vibrações havia produzido aqueles
efeitos calamitosos. Aquele que acabava de entrar na vida, limitado pelo mundo da matéria e
suas leis, era ninguém menos que o outrora orgulhoso, cruel e despótico Rakasha, o Inefável
imperador de Morg, em sua última oportunidade de resgatar seu mau carma e caminhar em
direção à luz, ou para a região das trevas.
# íí
Na região central de Lanka, se localizavam os templos, as suntuosas residências dos nobres,
sábios, cientistas e o monu-mental palácio do rei Ravana. Na faustosa habitação do sumo
sacerdote do reino, Habacab, ele e sua mulher, Dyolara, esperavam ansiosos o nascimento de
seu primeiro filho.
Possuidores de grande clarividência, característica comum nessa raça, já tinham conhecimento
de que seria uma menina, para alegria dos dois. Haviam até escolhido seu nome: Ynará, que no
idioma senzar, que deu origem à língua védica, significa Ela, a alma do Universo.
Dyolara, reclinada num elegante coxim, acabara de fazer sua oração aos deuses da vida eterna,
acompanhada por seu marido, que em frente a um oratório acendera uma vela votiva azul,
quando um facho de luz prateada, brilhante, incidiu sobre o ventre de Dyolara, que suspirando
fundo, disse: \u2014 Chegou a hora. Vera, minha pequenina Ynará, nós te aguardamos com todo
nosso amor.
Ato contínuo, Habacab amparou nos braços uma linda menina, que chegou suavemente ao
mundo, com um choro breve, sendo logo entregue pelo pai feliz ao colo da mãe, que parira
sem dor a bela criança.
 
No mesmo dia, em local e situação diversos, vinha à luz Thessá, que por vontade própria
desejar a se unir à corrente en-camatória da humanidade, em um ato sacrificial de puro amor.
Teria Albiom também conseguido seu intento? Encarnar e continuar unindo sua vida à de seu
grande amor, sua alma gêmea, Thessá?
íí ^ ^
No palácio real, Sua Majestade o rei Ravana ouvia atento seus oficiais, que haviam sido
encarregados de verificar se procediam as informações sobre a proliferação de templos de
magia negra, que começavam a preocupar os altos escalões do reino.
\u2014 É como digo, Majestade \u2014 começou o chefe dos oficiais \u2014 , invadimos de surpresa quatro
templos suspeitos.
\u2014 O que encontraram?
\u2014 Vasculhamos todo o santuário mas nada encontramos.
\u2014 Então as denúncias eram falsas? \u2014 perguntou Ravana, o cenho franzido, olhando dentro
dos olhos de seu subordinado.
\u2014 Creio que sim, Majestade.
\u2014 Acho tudo muito estranho. Essa informação me pareceu verdadeira. Meu ministro
conselheiro é de minha inteira confiança. Quando me revelou esses fatos, parecia muito seguro
do que dizia \u2014 o monarca pensava alto, falando mais para si mesmo.
\u2014 Tomo a dizer que não encontramos absolutamente nada que nos sugerisse que esses
templos sejam antros de magia negra \u2014 o oficial afirmou sem titubear.
Ravana ficou algum tempo olhando para o oficial, que duro, perfilado à sua frente, nem
pestanejou. Com um simples gesto, despediu os três subalternos, mandando vir a sua presença
seu ministro conselheiro, Kordam.
\u2014 As buscas foram infrutíferas \u2014 foi logo dizendo o rei, mal o ministro chegou.
\u2014 Senhor, não é possível! A minha fonte de informação é segura, não pode de modo algum
haver engano.
\u2014 Foi o que o chefe dos oficiais me informou.
 
\u2014 Com todo respeito, Majestade, tem inteira confiança nesse oficial?
\u2014 Bem... era o melhor homem para, de maneira discreta, sem alardes, colher essas
informações, sem despertar suspeitas no povo, que como não ignoras, está sempre a favor
desses templos, desses magos, pois eles é que resolvem seus problemas, ou pensam que
resolvem.
\u2014 E não deu qualquer resultado \u2014 disse o ministro, pensativo.
\u2014 Não importa, Kordam, encontraremos outra maneira de agir. Ou acabamos de vez com esses
templos, ou a ordem constituída do reinado estará seriamente ameaçada. Estou bastante
preocupado.
As preocupações de Ravana tinham fundamento. Nessa época, havia um mago respeitadíssimo,
ao ponto de sua palavra ser lei. Todos lhe obedeciam cegamente, por temor ou pela
ascendência que exercia sobre a população, por causa dos favores prestados àqueles que o
procuravam, e também pela ajuda material que forneciam, sem falar na cura dos diversos
males que assolavam o infeliz populacho. Todos esses fatores, além do temor supersticioso,
que esse mago fazia questão de estimular, davam-lhe uma força quase igual à do rei Ravana.
\u2014 Majestade, penso que tenho a solução para esse problema, se não totalmente, pelo menos
em parte.
\u2014 Pois fala, Kordam! \u2014 o rei estava inquieto.
\u2014 Em conversa com o sumo sacerdote, tomei conhecimento das academias da Lei do Verbo,
orientadas por ele, cuja sede principal é no Templo da Grande Serpente, onde já existem
sacerdotes que atuam de forma efetiva em trabalhos de magia branca.
\u2014 Isso é muito importante, Kordam; mas o que poderiam fazer esses sacerdotes na prática?
\u2014 Poderemos fazer um trabalho com essas academias, sem usar de violência nem impor nossa
vontade pela força, a fim de fechar esses templos maléficos.
\u2014 E o que faremos então?
\u2014 Vamos agir com inteligência, Majestade, infiltrando alguns sacerdotes nos templos onde se
pratica a magia negra.
Acho que devemos combater a idéia, não o resultado dela.
 
Abortando a causa, eliminaremos o efeito.
\u2014 Continua, Kordam! \u2014 Ravana, acomodou-se melhor no trono, interessado nas sugestões de
seu ministro conselheiro.
\u2014 Se Vossa Majestade concordar \u2014 prosseguiu Kordam \u2014, devemos entrar em contato
imediatamente com o sumo sacerdote Hahacah, que acredito estar a par da situação.
Proporemos uma ação conjunta de seus sacerdotes com Vossa Majestade. Infiltrados, eles nos
comunicarão o que está acontecendo nesses templos. Assim poderemos combatê-los, e quem
sabe, eliminá-
los no seu próprio terreno. Esse plano, bem como sua execução, seria mantido em sigilo \u2014
terminou o ministro conselheiro.
\u2014 Concordo, Kordam! Começa imediatamente a pôr em prática esse plano! \u2014 disse Ravana,
encerrando a entrevista.
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Nasce um mago
Existia nos confins da capital Lanka uma herdade pequena, onde se via aos fundos uma casa
modesta, toda caiada de branco, janelas e portas azuis, de aspecto bastante agradável.
Nesse sítio, mora há alguns anos Zoran, o curandeiro, afas-tado do burburinho da grande
cidade, depois que sua modesta casa, de maneira inexplicável, foi