O Décimo Planeta   A Pré História Espiritual da Humanidade
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O Décimo Planeta A Pré História Espiritual da Humanidade


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levou sua filha para um
lugar seguro.
\u2014 Deve ter ido para Zantar, as Terras Roxas \u2014 disse Nofru, a voz embargada pela aflição.
\u2014 Ó deuses! Que faço agora?
\u2014 Não tenho autoridade para invadir as Terras Roxas. Somente Sua Majestade, o rei Ravana,
poderia tomar tal decisão.
Mesmo assim a guerra seria inevitável \u2014 e o general começou a reunir seus homens para a
retirada.
Habacab torcia as mãos de desespero. Lançou um olhar de súplica para Nofru, anteriormente
tratado com a maior reserva e frieza, mas agora seu aliado no sofrimento. Procurou encontrar
nele o amparo de que necessitava.
\u2014 Que faremos agora? \u2014 perguntou, desorientado, \u2014 Vou para Zantar e trarei comigo Ynará!
Nem que tenha que matar esse celerado, não recuarei um passo enquanto não colocar o meu
amor em lugar seguro. Prometo solenemente, mestre Habacab: tereis vossa filha novamente
nos braços. Juro pelos deuses imortais! \u2014 Nofru tremia, rosto crispado, punhos cerrados,
resoluto, repleto de determinação e de ódio.
\u2014 Faça isso, meu... meu filho \u2014 conseguiu dizer o sumo sacerdote, enxugando uma lágrima,
que teimava em escorrer pelo seu rosto contraído de dor.
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Zorane não se conformava com a presença de Ynará no palacete do seu senhor, Oduarpa, que
ela amava. Sofria calada, vendo a cada dia aumentar o interesse do mago por aquela mulher,
diminuindo muito as vezes em que ele a procurava. Zorane sabia que jamais teria o seu amor,
como também que sua condi-
ção de escrava a impedia de competir comYnará; mas no fundo da alma ainda alimentava a
esperança de que um dia Oduarpa a quisesse.
Naquela noite, depois que o mago, quase com indiferença,
a carregou para seus aposentos, os pequenos momentos de felicidade, enquanto durou a
intimidade entre os dois, transformaram-se em despeito e ódio pela prisioneira. Aos poucos,
foi crescendo no fundo de seu coração o desejo de verYnará morta, ou afastada para sempre
do seu senhor. Esse desejo, nessa noite tomou-se mais forte. Quando Oduarpa a enxotou de
seu leito, Zorane chegou ao ápice de sua dor. Chorando, com o corpo e o espírito em
frangalhos, dirigiu-se ao único amigo que possuía.
\u2014 Reubem \u2014 disse enxugando as lágrimas \u2014, estou de-sesperada, não sei o que fazer \u2014 e
prorrompeu em soluços, que tentou a custo abafar.
\u2014 Já sei, o motivo de sempre \u2014 e o rapaz procurou acalmar a moça.
\u2014 E, meu amigo, sempre que ele me procura, sofro mais um pouco.
Zorane, sempre que podia, costumava se aconselhar com Reubem, sem qualquer reserva ou
temor de ser punida, pois seus interesses eram iguais. Ela queria se livrar da rival, causa de
seus sofrimentos; ele cheio de remorso, por ter traído seu amo e amigo, buscava uma saída
para consertar seu erro.
\u2014 Sabes muito bem que não tens qualquer chance.
\u2014 Sei perfeitamente.
\u2014 E então! Por que se desesperar?
\u2014 Não se pode fazer nada? \u2014 perguntou ela, desanimada.
\u2014 O que desejas de mim? Ou melhor, o que queres fazer?
Vamos, diz!
\u2014 Só desejo duas coisas \u2014 respondeu abaixando o tom de voz. \u2014 Matá-la ou sumir com ela
para sempre.
\u2014 Muito difíceis, ambos os desejos.
Zorane calou-se Reubem tomou as mãos da moça entre as suas e olhando-a bem dentro dos
olhos, procurou assim acalmá-la.
\u2014 Vamos analisar a situação. Em primeiro lugar, sei que não desejas sinceramente matá-la.
Conheço-te bastante para afirmar que, no fundo, não queres praticar essa barbaridade.
Em segundo lugar, nosso objetivo é idêntico, mas por motivos diversos: o meu é livrar-me
desse remorso e devolvê-la ao meu amo; o teu te livrares definitivamente de uma rival, causa
de todo teu sofrimento. Concordas comigo?
 
\u2014 Plenamente.
\u2014 Ocorreu-me uma idéia que pode dar certo.
\u2014 Diz, meu amigo! \u2014 a moça estava tensa, ao mesmo tempo aflita e curiosa.
\u2014 Presta atenção: tudo vai depender exclusivamente de tua habilidade.
\u2014 Não estou entendendo.
\u2014 Já vais entender. Em primeiro lugar, vais verificar qual dos guardas que vigiam o aposento da
sacerdotisa poderá ser seduzido.
\u2014 Seduzido?
\u2014 Isso mesmo. Será muito mais fácil do que pensas. Es bastante jovem, atraente e bonita.
Qualquer homem ficaria seduzido por teus encantos.
\u2014 Obrigada pelos elogios \u2014 disse ela, vaidosa.
\u2014 Continuando: irás te insinuar ao guarda escolhido, prometendo lhe mostrar as delícias do
paraíso. Assim o levarás contigo para longe do seu posto. O outro guarda é problema meu.
\u2014 Terei que ceder aos seus desejos?
\u2014 É o preço que terás que pagar.
\u2014 E se ele depois me delatar?
\u2014 Ele não faria isso.
\u2014 Por que não?
\u2014 Simplesmente porque ao fazê-lo estaria se acusando também. Para ele, é importante que
ninguém saiba que abandonou seu posto.
\u2014 E depois?
\u2014 Vais ficar quietinha em teus aposentos.
\u2014 E o outro guarda?
\u2014 Como disse, esse é problema meu, mortos não falam.
Feito isso, retiro Ynará de sua prisão e a levo para o palácio do rei Zagreu e aos braços do meu
amo.
\u2014 Será que vai dar certo? Tenho muito medo de meu senhor; ele parece adivinhar tudo!
\u2014 Veremos se ele é tão bom adivinho assim! \u2014 Reubem parecia muito confiante em seu plano
e em si mesmo.
& & &
 
Era tarde da noite e o palacete de Oduarpa estava em completo silêncio, quando um ruído na
ala norte quebrou a quie-tude costumeira. Um vulto furtivo, andando com o máximo cuidado,
deslocava-se rente às paredes, procurando fazer o mí-
nimo de barulho para não ser percebido. O vulto entreparou, olhou em várias direções,
procurando se orientar. Durou pouco a indecisão; logo começou a mover-se. Quando já se
encontrava próximo aos aposentos ocupados pela sacerdotisaYnará, de repente as luzes se
acenderam e a figura do mago destacou-se por inteiro no corredor.
\u2014 Bem-vindo, Nofru! Não te esperava tão cedo! Mas é uma grata surpresa! \u2014 saudou, com um
sorriso sarcástico, o jovem intruso, que espantado, não esboçou a menor reação.
23
Contato colonizador
Hylion reuniu novamente os mestres cósmicos, pois era necessário revelar instruções
detalhadas sobre o Projeto Terra.
\u2014 Ficam todos encarregados, cada um no seu setor de preservar da catástrofe que os
dirigentes planetários direcionaram para esse planeta aqueles que foram selecionados por nós,
a fim de que possam, no futuro, completar nosso projeto colonizador.
\u2014 Essa tragédia era de absoluta necessidade? \u2014 perguntou Narayana.
\u2014 Sim! Era absolutamente necessária. Todos aqueles que irão perecer tiveram todas as
oportunidades, mas preferiram re-gredir na escalada da evolução usando mal seu livre-arbítrio.
Mas a porta não está fechada, e novas oportunidades virão, em outras encamações.
\u2014 Devemos nos posicionar à frente dessas vagas migrató-
ria em cada região? \u2014 perguntou Antúlio.
\u2014 Os que foram designados para conduzir cada uma das levas migratórias deverão permanecer
com eles, até que chegue o momento adequado para que possam encarnar nos ergs que irão
povoar determinadas regiões.
 
\u2014 Isso será realizado de forma gradativa? \u2014 perguntou Narayana.
\u2014 Exatamente. Quando houver qualquer avanço espiritual, individual ou coletivo. Fica a
critério de cada um.
\u2014 E no momento de nos unir com os ergs encarnados?
Teremos que encarnar também? \u2014 Payê-Suman questionou Hylion.
\u2014 Não necessariamente. De acordo com o avanço coletivo, espiritual ou material, de cada
região, adotaremos uma maneira de atuar, que poderá ser encarnando ou simplesmente
atuando em corpo físico, interagindo com essas humanidades salvas do cataclismo.
\u2014 Compreendo \u2014 disse Payê-Suman.
\u2014 Agora, o mais importante: depois desse acontecimento, que demonstrei ser necessário, o
grande continente de Aztlan será dividido em duas ilhas, que os sobreviventes chamarão de
Ruta e Daitya. Para a primeira serão conduzidos aqueles que necessitam os maiores cuidados,
porque essa ilha abrigará os remanescentes dos embates entre a magia branca e negra. Nossos
esforços serão dirigidos ao coração de cada um, para que possamos plantar as sementes do
amor, e começar,