O Décimo Planeta   A Pré História Espiritual da Humanidade
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O Décimo Planeta A Pré História Espiritual da Humanidade


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vontade atuar nos mundos inferiores,
encarnando para ajudar os humanos. Ela atingiu, embora de forma inconsciente, uma parcela,
pequena é claro, de seus objetivos.
\u2014 Não entendi totalmente. Com toda humildade, mereço ser esclarecido?
\u2014 Ela despertou nesse mago negro, que só conhecia a maldade, o orgulho desmedido, as
baixas paixões carnais, o domí-
nio pela força e imposição de sua vontade distorcida, uma pequena fagulha do sentimento
superior, o amor. Esse vislumbre da primeira emoção é também o primeiro passo, embora
tímido e vacilante, que poderá produzir o milagre da transformação.
Não existe, filho meu, em toda a criação ninguém totalmente mau. Sempre brilhará uma
pequena centelha dentro de cada ser, que poderá, quem sabe, ser o luzeiro de amanhã.
\u2014 Entendo, mestre. Mas se me permite, quando estaremos, eu e sua filha, juntos para sempre?
\u2014 Quando, no fim dos tempos dessa orgulhosa civilização humana, nós, filhos de Erg nos
juntarmos à nova humanidade.
Quando forem idênticos a nós. Não serão mais Albiom e Thessá; num hermàfroditismo
extrafísico, se tomarão apenas uma alma, um ser completo positivo e negativo, masculino-
feminino, capaz de criar outros seres pela mente. Então os deuses irão habitar de novo o
planeta azul. Para que possas aquietar tua alma, saiba que nosso irmão, o mestre galático
Zukov, está no momento em Itaoca, a cidade das pedras do Baratzil.
\u2014 O mago poderá ajudar Thessá?
\u2014 Ele pensa que sim. Por esse motivo, embora fosse por
amor patemal, ele abandonou sua missão e terá que expiar esse ato voluntário.
\u2014 O mago Zukov está encarnado?
\u2014 Ainda não \u2014 respondeu Hylion, uma sombra de tristeza enevoando seu belo rosto feito de
luz. \u2014 Nosso irmão colocou em movimento a Lei Causai. Adotando a postura de protetor de
minha filha, numa ação individual, ficou sujeito à Lei do Carma. Sofrerá o efeito dessa causa,
que nunca é uma só, mas um novelo intrincado de várias conseqüências. A grande Lei passou a
atuar, e resultou em uma encamação. Preso nos laços da matéria, o mago Zukov terá que
retomar em inúmeras vidas, até que num futuro distante venha outra vez juntar-se ao seu
povo, os exilados de Erg.
\u2014 Esclareça minha ignorância, augusto mestre: essa união com os terrenos será somente com
os provenientes de Erg?
\u2014 Não, filho meu; além de nós, várias humanidades adiantadíssimas de outros orbes, de
outras constelações, também mais uma vez voltarão a se unir aos terrenos, pois no planeta
azul já estiveram anteriormente. Todos aqueles que estiverem na mesma corrente vibratória
receberão os efeitos benéficos dessa associação cósmica. O planeta Terra sairá então de sua
infância para a maturidade, o espírito planetário deixará sua dependência do espírito
planetário deVênus. Com a maioridade do planeta azul, teremos outra vez uma humanidade
de eleitos, uma nova era de ouro, que jamais deveria ter acabado.
\u2014 Vossos sábios ensinamentos, mestre Hylion, acalmam minha alma aflita. Agora posso
compreender melhor o mecanismo que rege todo o Universo. A grande Lei, justa e equânime,
mostra meu destino. Sei para onde vou, aguardo submisso e paciente os efeitos daquilo que eu
mesmo provoquei. Seja sempre feita a vossa vontade, mestre, jamais a minha. Prostemado
ante vossa sabedoria e vossa glória sou e serei um humilde servo de vossa incomensurável
determinação.
Hylion abençoou Albiom. Depois, fazendo vários passes sobre sua cabeça, enviou-o
completamente inconsciente para os planos superiores do mundo astral.
\u2014 Pobre Albiom! \u2014 disse para si mesmo. \u2014 Até eu que cheguei ao estágio evolutivo dos
mestres, ainda não consegui
 
me desligar inteiramente do amor paterna! por Thessá. O que conseguirá ele? Terei o direito
de condenar Albiora? \u2014 e uma lágrima, brilhante como um pingo de ouro, deslizou pelo sereno
e belo rosto de luz do dirigente planetário.
« ^ ^
As últimas terras que restaram do que fora o continente lemuriano começavam a se esfacelar;
estrondos terríveis eram seguidos pela lava dos vulcões que rugiam, semeando destruição;
ventos de mais de duzentos quilômetros por hora carregavam tudo o que encontrassem pela
frente; vagalhões de mais de trin-ta metros de altura se abatiam nas costas que ainda
restavam; o oceano Pacífico engolia em suas profundezas o que ainda so-brara do enorme
continente.
Houve uma série de estampidos, acompanhados por estrondos que sacudiam toda a superfície
do continente. Uma escuridão espessa, como se o Sol tivesse se apagado, completou a
destruição final de uma imponente civilização e um importante império do planeta, restando
apenas os mais altos picos das montanhas que outrora ali existiram.
Quando a Lemúria desapareceu no oceano, começava a lenta destruição da chamada grande
Atlântida.
Esse cataclismo sem precedentes foi acontecendo aos poucos; somente quando um enorme
meteoro chocou-se contra seu solo, a Atlântida se dividiu em duas grandes ilhas.
Essa dramática catástrofe se refletiu nas mais distantes regiões do planeta. O eco desses
trágicos acontecimentos nos chega, hoje deformado nos mitos e nas lendas. As narrativas
oficiais nos relatam somente probabilidades ou incertezas, que não esclarecem essa parte
obscura da História da civilização.
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As tramas continuam
O rei Ravana havia sido industriado por Zukov, quando
 
ainda possuía a outorga dos dirigentes planetários, e exercia plena autoridade sob o nome
mágico de Schua-Y-Am-B'uva.
Após ligeiras escaramuças, ocupou o trono na cidade de Ramakapura, com o apoio de suas
tropas leais e do mestre Toth, que ficara com o cargo antes ocupado por Zukov. Ele providen-
ciou a harmonia vibratória dessa região, para que o rei tivesse as condições necessárias para
dirigir os destinos de seus súditos.
Ramakapura, nessa ocasião, ocupava o centro do que restara de Zantar, a antiga Terra Roxa do
rei Zagreu, ao norte de Ruta. As futuras dinastias de Ravana, talvez o mais importante
soberano de Aztlan, iriam construir a famosa cidade das portas de ouro, principal sede dos
templos da luz, onde se desenrolaria a luta entre a magia negra e a branca.
Kordam, seu ministro conselheiro, que o havia acompanhado até Ramakapura, dirigiu-se para o
templo principal, evitando ser notado pelos inúmeros transeuntes que circulavam pelas
estreitas ruas nos subúrbios da cidade.
Foi conduzido ao imponente Templo da Serpente Negra, que se destacava, por suas proporções
gigantescas, das demais construções ao redor. Depois de percorrer inúmeras salas, seu
silencioso guia parou diante de uma porta de madeira entalha-da por estranhos signos. A
espera foi breve; logo penetrou num grande salão, onde se viam vários coxins forrados de um
tecido brilhante, vermelho. Ao fundo havia dois tronos, e num deles um homem estava
sentado.
- Salve, Thevetat!
O homem levantou-se, encarando seu visitante, e com um simples gesto de cabeça o
cumprimentou.
Thevetat era alto, magro, rosto comprido, olhos ligeiramente estrábicos, nariz grande, afilado,
mento pontudo e cabelos castanhos claros, ondulados, descendo até a altura dos ombros.
Trajava um balandrau amarelo, justo no corpo, deixando ver os pés calçados por botas
marrons.
- Por que demoraste tanto? \u2014 perguntou numa voz aguda, estridente, de acentos dissonantes.
- Ora, Thevetat! Sabes tão bem quanto eu que para poder te servir cada vez melhor, tenho que
atender a todo instante Ravana, que não me deixa tempo para fazer outras coisas.
 
\u2014 Seja, mas vamos ao que nos interessa. Sei que estiveste com um mensageiro do outro lado
do oceano. Vamos ver se nossas notícias conferem.
\u2014 Bem, não sei exatamente o que sabes \u2014 disse de forma evasiva, querendo sondar o mago. -
Por minha vez, pouca coisa me contaram.
\u2014 Pouca coisa mas que preciso saber \u2014 retrucou Thevetat.
\u2014 Sei perfeitamente que tens condições de ver e ouvir, sem te afastares um milímetro sequer
do teu templo.
O mago riu, mostrando na boca de lábios finos dentes irre-gulares;