O Décimo Planeta   A Pré História Espiritual da Humanidade
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O Décimo Planeta A Pré História Espiritual da Humanidade


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um verdadeiro esgar, que
provocou um arrepio de mal estar em Kordam.
\u2014 Essa manhã, quando fiz minhas práticas em frente ao altar de cerimônias, vi uma batalha em
Itaoca em que meu mestre Oduarpa estava empenhado. Combate renhido, onde não havia
vencedores ou vencidos.
\u2014 A mesma coisa foi relatada ao rei Ravana \u2014 disse Kordam.
\u2014 Então ficamos na mesma! \u2014 Thevetat soltou uma praga.
O conselheiro do rei concordou. Depois de algum tempo de silêncio, Kordam perguntou:
\u2014 Quais são as ordens?
\u2014 Quero que seduzas o rei Ravana para que ele fique do nosso lado. Tens carta branca para
lhe prometer qualquer coisa: ouro, poder, o que for preciso.
\u2014 Sabes bem que é uma empreitada difícil.
\u2014 Todo homem tem um preço, Kordam, lembra-te bem disso!
\u2014 Mais alguma coisa?
\u2014 Quero que sondes Mobu, o conselheiro do rei Zagreu.
Ele está escondido na região que sobrou de Zantar. Quero saber a causa do desaparecimento
do rei. Será fácil para ti saber disso tudo, pois tens trânsito livre com Mobu.
\u2014 Não conseguiste saber o paradeiro de Zagreu?
\u2014 Não soube de nada. Isso me intriga; como não ignoras, faz parte dos meus planos o apoio
irrestrito do rei Zagreu.
\u2014 Mas hoje Zantar é um império decadente. Reduzido seu território pela catástrofe que se
abateu sobre esse reinado, não vejo que importância possa ter para nossos planos.
\u2014 E desejo do meu mestre Oduarpa essa aliança, e tu conheces a visão que ele tem com
respeito ao futuro.
\u2014 Mais alguma coisa?
\u2014 Mantém contato e o mais depressa que puderes, faz o que te pedi.
\u2014 Será feito \u2014 e sem uma palavra de despedida, ambos tomaram direções diferentes.
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Oduarpa colocou seus homens de armas em posições estratégicas, na muralha em tomo do
palácio-templo. Ele próprio fez a ronda, percorrendo cada posição, dando ordens e exortando
à luta seus comandados. Não queria surpresas. Ao verificar que tudo estava em ordem, deixou
um discípulo de plantão, encarregado de dar o alarme ao primeiro sinal de invasão das tropas
inimigas.
\u2014 Já tens tuas ordens, Golam. Qualquer anormalidade, põe em ação o plano estabelecido.
Tomadas essas providências, o mago foi direto para os aposentos onde mantinha
prisioneiraYnará.
\u2014 Pensaste direito na proposta que fiz? \u2014 perguntou.
A moça encarou o mago, e sem demonstrar surpresa pela sua entrada inopinada, disse com
toda calma: \u2014 Minha resposta continua a mesma.
\u2014 Por que tão obstinada?
\u2014 Ainda não te convenceste de que jamais serei tua?
\u2014 Sê sensata! Não entendeste ainda que não adianta resistir, que mais cedo ou mais tarde
serás minha?
\u2014 Nunca, ouviste bem? Nunca!
\u2014 Por que recusas meu amor?
\u2014 Amor! Por acaso sabes o que é amor? Tu, um insensível, perverso e egoísta, vens agora falar
de amor, depois de me manter, contra minha vontade, prisioneira dos teus desejos infames?
\u2014 É essa tua opinião a meu respeito?
\u2014 E outras ainda piores \u2014 retrucou, vermelha de raiva reprimida.
\u2014 Se fiz o que fiz, foi porque te amo, embora não acredites, e meu maior desejo é casar-me
contigo.
 
\u2014 Ora, não me faças rir! \u2014 e zombeteira,Ynará enfrentou com sarcasmo as pretensões do
mago.
Oduarpa, calado, ficou olhando para o rosto da moça.
Aquela atitude da sacerdotisa sempre o tirava do sério, mas disfarçando sua frustração,
controlando seu tom de voz, aparentemente tranqüilo, conseguiu dizer: \u2014 Tu sabes que eu
não precisaria implorar teu amor. Podia, se quisesse, te possuir a força.
\u2014 E terias nos braços apenas um corpo, inerte e sem vida.
\u2014 Mais uma vez, peço, considera minha proposta. Sendo minha mulher terias tudo o que
quisesses. Um palácio para nele reinares, um templo para oíiciares tuas cerimônias, todas as
jóias mais raras e todo o ouro do mundo. Não haveria nada do que desejasses que eu não te
desse! Imagina-te como a mulher mais rica e poderosa em todo o império, reinando sobre
todos, realizando todos os teus desejos, até aqueles considerados impossíveis!
\u2014 Nada disso me interessa. Tenho e terei apenas um amor nesta vida: meu querido príncipe
Nofru.
Oduarpa, ao ouvir esse nome, irritou-se. Aquela aparência calma e paciente desabou, e
completamente descontrolado, vociferou: \u2014 Nofru está morto, ou viste? Eu mesmo o matei!
\u2014 Mentira!
\u2014 Morto! Está morto! Queres ver com teus próprios olhos?
\u2014 e fazendo com as mãos alguns passes no ar, materializou a cena da morte de Nofru.
\u2014 Isso é apenas um encantamento, um truque para me enganar! \u2014 Ynará, pálida, olhos
arregalados, ficou olhando aquela cena.
\u2014 Viste bem o que aconteceu ao teu amor? \u2014 disse Oduarpa, desfazendo no ar aquela visão.
O diálogo ficou bastante difícil. Os dois, calados, frente a frente, se enfrentaram, desarmados
gladiadores. Ynará estava agitada, rosto afogueado de cólera, Oduarpa tentava aparentar
tranqüilidade. A sacerdotisa tomou a palavra, que saiu entre-cortada por acentos de raiva; \u2014
Tudo isso, tudo isso \u2014 repetiu quase gritando \u2014, só me
 
dá maiores motivos para te odiar! Se for verdade o que mos-traste, o que não acredito, além
de ódio passo a sentir desprezo por ti.
O mago ia dizer qualquer coisa, mas foi interrompido pelo alarme que soou alto. Dando meia
volta, Oduarpa deixou o quarto da sacerdotisa sem falar mais nada.
A invasão do palácio-templo começara.
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Uma amizade eterna
Itaoca, a cidade das pedras, situava-se a treze quilômetros da costa do Baratzil, antes da
catástrofe que se abateu sobre a Atlântida. Pouco depois da primeira batalha contra Oduarpa,
quando o grande continente foi rompido em dois, os efeitos se fizeram sentir em quase toda a
costa; enquanto algumas regiões desapareciam no fundo do oceano, outras emergiam,
mudando totalmente o contorno do litoral.
As terras que se elevaram nessa região, atualmente o estado do Piam, fizeram que Itaoca
ficasse localizada aproximadamente a cento e oitenta quilômetros de sua posição original.
O abalo sentido por todos foi violento. Enquanto o solo se acomodava, enormes rachaduras e
tremores de terra aconteceram, acompanhados por ondas de mais de quatro metros, que
cobriram boa parte da cidade das pedras. Alguns prédios racharam e outros desabaram, e
ainda alguns foram engolidos nas entranhas do solo. O panorama de desolação custou a voltar
ao normal. Inúmeras vidas desapareceram no caos reinante.
O palácio-templo onde se açoitava Oduarpa pouco sofreu.
Fora construído sobre a rocha sólida, e embora sua estrutura inteira tremesse, passou
incólume pela hecatombe. Quando o vendaval de quase cento e vinte quilômetros por hora
amainou, a tropa de Zukov e Kalami, aproveitando-se da trégua forçada, começou a atender os
feridos, os desabrigados, e a cremar os mortos, que já eram centenas. Fizeram um balanço dos
estragos materiais, e com a alta tecnologia que Kalami possuía, puderam
 
em curto espaço de tempo restaurar a cidade.
Habacab, que a cada dia mais se impacientava, foi sossega-do em suas apreensões por Zukov,
que lhe fez ver que Kalami sabia o que fazia.
\u2014 Não fiques preocupado; tão logo tivermos organizado Itaoca e atendido da melhor maneira
possível seus habitantes, atacaremos com todas as nossas forças.
\u2014 Morro de medo só em pensar o que pode acontecer com minha filha.
\u2014 Não irá acontecer nada. Fica calmo, Oduarpa está acu-ado em seu palácio-templo, e não iria
querer perder uma refém da importância deYnará. É de todo interesse desse mago que tua
filha permaneça incólume.
Nesse momento, perceberam que não estavam sozinhos no salão do templo de cristal rosa,
que Kalami mandara construir para sua habitação e para ali realizar as cerimônias sagradas de
união com o Ser Supremo.
\u2014 Pelos sagrados deuses! \u2014 exclamou surpreso Zukov.
\u2014 Mas é o meu irmão, o meu amigo, Agazyr!
\u2014 Ele mesmo! \u2014 disse, abraçando o mago com um amplo sorriso. \u2014 Não podia te deixar
sozinho, depois de tua decisão de ajudar os seres humanos. Vim com a permissão de Hylion,
portanto não precisas te preocupar.
\u2014 Diz, meu amigo,