O Décimo Planeta   A Pré História Espiritual da Humanidade
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O Décimo Planeta A Pré História Espiritual da Humanidade


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outra vez os séculos passaram despercebidos para Oduarpa.
\u2014 É bom te ver novamente \u2014 disse Shemnis, com um sorriso de satisfação. \u2014 Tua aura está
mais clara, luminosa. Isso é bom! É progresso espiritual, meu filho.
\u2014 Salve, mestre! \u2014 disse, não parecendo surpreso com a aparição súbita do mago branco.
\u2014 O que sentiste, diz-me, quando conseguiste ver teu amor?
\u2014 Um estado de alma que nunca antes havia experimentado.
\u2014 Felicidade?
 
\u2014 Não sei ao certo, talvez amor. Não sei dizer...
\u2014 Tiveste algum sentimento de ódio, quando soubeste que Ynará amava seu companheiro de
inúmeras vidas?
\u2014 Não. Fui invadido por um sentimento novo para mim.
Tristeza.
Shemnis permaneceu calado, estudando por meio de sua clarividência as transformações
ocorridas na aura de Oduarpa.
Deu por encerrada essa nova entrevista e deixou o mago negro entregue aos seus próprios
pensamentos.
Somente no período histórico conhecido como Império Romano, o mago branco, aproveitando
as vibrações benéficas que começavam a atuar no planeta azul com a vinda do grande mestre
Jesus, teve um novo encontro com Oduarpa. Esperava que aquelas vibrações benéficas que
haviam invadido o planeta o ajudassem na conversão de Oduarpa.
\u2014 Quanta coisa aconteceu, meu filho! Vejo que fizeste grandes progressos!
\u2014 E verdade, acho que fiz realmente.
\u2014 Verifiquei que além do sentimento de tristeza, um outro te marcou de forma profunda.
\u2014 Acredito que sim.
\u2014 Tiveste o primeiro sinal, o primeiro impulso do altruísmo dentro do teu coração.
\u2014 Que sentimento é esse, mestre Shemnis?
\u2014 Aquele em que o mais importante é a felicidade da pessoa amada. Se Ynará é feliz amando o
seu rei, e aceitaste isso, deste um grande passo na direção de tua evolução espiritual.
Deixaste de lado teu egoísmo, e passaste a desejar que teu amor tivesse toda a felicidade. Isso
é altamente louvável \u2014 disse Shemnis, se despedindo.
Oduarpa vagou alguns séculos pelo mundo astral. Estava dividido entre a luz e as trevas,
desejando acima de tudo libertar-se das sombras negras que ainda algumas vezes o per-
seguiam. Parecia então retroceder, vivendo de novo horas de intenso sofrimento, pois ódio e
amor se misturavam, numa confusão que não conseguia administrar.
Nessa ocasião, veio até sua presença Thevetat, que também se encontrava desencarnado no
mundo astral, cobrando sua li-derança nos trabalhos da magia negra. Indiferente, Oduarpa o
despachou de forma sumária, afirmando que não estava nem um pouco interessado na
Confraria das Sombras e que ele ten-tasse uma entrevista com Otamede, que era o dirigente de
todos os templos da luz negra.
O tempo, essa barreira do antes e depois, que para nós todos é um empecilho, não existia para
Oduarpa. Imbuído de sentimentos para ele ainda estranhos, caminhou pelos séculos afora à
procura de algo impreciso, ainda muito vago para sua atual realidade.
Os vínculos de simpatia, os laços invisíveis que unem indi-vidualidades ou coletividades inteiras
se fizeram sentir, tocando as fímbrias mais recônditas da alma de Oduarpa. Sentiu-se atra-
ído para junto de dois espiritualistas ecléticos, almas que eram velhas conhecidas da sua.
Logrando comunicar-se pela mediu-nidade, foi recebido com todo o carinho e fraternidade,
sendo convidado com paciência e amor a vir para o lado da luz, onde seria recebido com muita
alegria. Aproveitando-se dos laços de afinidade entre aquelas almas, os mestres irradiaram
para o antigo mago uma vibração de intenso amor. Aquele diálogo deu o resultado esperado
com tanta ansiedade. Uma verdadeira explosão sacudiu aquele espírito velho, mas que nunca
sentira no fundo do ser essa maravilhosa dádiva de afeto desinteressado.
Oduarpa notou que tudo estava diferente, mais claro, menos enevoado. Achava-se no Astral
superior. Foi um novo nascimento. Uma luz brilhante, de um branco imaculado, o envolveu por
inteiro. Campainhas vibraram no éter em sons cristalinos, e uma figura majestosa materializou-
se em sua frente.
\u2014 Eu te perdôo por tudo, meu irmão, e te dou minha bên-
ção \u2014 fazendo um sinal cabalístico, Kalami abraçou com ternura o corpo espiritual de Oduarpa.
O mago prostemou-se aos pés daquele irmão de luz e com voz súplice, rogou:
\u2014 Mestre, gostaria de merecer a graça de não ser mais conhecido por meu antigo nome. De
hoje em diante, se for permitido, queria ser chamado de Levin, o pária.
\u2014 Que assim seja, porque assim será \u2014 respondeu Kalami, e diminuindo sua luz, foi
desaparecendo lentamente.
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Desvendando o véu dos tempos
O ano é 5. Durante os dez anos que precederam esse período, o planeta Terra sofreu inúmeras
modificações. Transformações geográficas, climáticas, cosmográficas, sismológicas e biológicas.
O efeito estufa aumentou; mesmo denunciado por alguns países, não foi tomada qualquer
providência pelos go-vernantes. Indiferente, a humanidade continuou poluindo sua moradia
terrestre. Mutações mais surpreendentes ocorreram, por causa da quebra do equilíbrio
ecológico.
Furacões periódicos varreram os continentes de costa a costa, vulcões entraram em atividade
quase ao mesmo tempo; maremotos com ondas de mais de doze metros de altura fustiga-vam
algumas regiões; terremotos sacudiram o planeta, abrindo rachaduras enormes no solo,
tragando em suas entranhas áreas inteiras; um degelo parcial dos pólos modificou lentamente
a fisionomia geográfica de toda a Terra.
Ventos com mais de duzentos quilômetros por hora varreram de norte a sul o globo terráqueo,
destruindo junto com tufões e tomados o que encontravam pela frente, e desolação e miséria
foram constantes nesses anos assustadores.
P* Com esses trágicos acontecimentos, houve um desencarne em massa das populações
enlouquecidas, correndo desorienta-das, sem destino certo, famintas. Ocorreram saques, lutas
fratri-cidas por alimentos, catástrofes provocadas pela fúria da natureza, que indiferente aos
clamores dos religiosos e à impotência dos cientistas, prosseguia destmindo coletividades
inteiras.
Além disso, guerras eclodiram entre as grandes nações, cei-fando incontáveis vidas; as terras
devastadas e áridas pelas explosões nucleares também "morreram"; nada mais nascia. "
Nesses quase dez anos de intensos sofrimentos, os habitantes dos sítios mais altos tiveram o
mesmo destino dos domicilia-dos nas planícies. As febres e as doenças grassaram, apareceram
novos vírus e bactérias que dizimaram, sem qualquer defesa para os humanos, grandes
comunidades.
> Afora as enfermidades, experiências genéticas que produzi-ram mutações no reino animal,
criando monstruosas criaturas;
 
o uso indiscriminado de agrotóxicos envenenou o reino vegetal; a escassez de água potável
completou a devastação em todo o planeta. O homem, afinal, estava conseguindo seu intento:
destruir o planeta que o abrigava há evos sem conta.
? No ano 4, o eixo terráqueo sofreu o primeiro tremor, logo secundado, de forma abrupta, por
sua verticalizaçâo. Continentes inteiros desapareceram, outros que há muito dormiam no
fundo dos mares surgiram, e as regiões polares voltaram a ter clima temperado.
Emergiu do fundo do oceano a Atlântida, enquanto o deserto de Gobi tomou-se novamente
um mar interno, surgindo dele a Ilha Branca com sua imponente ponte, que a ligava ao
continente, a multimilenar Cidade da Ponte. O mesmo ocorreu com o deserto do Saara, que
voltou a ser um mar que se estende da Arábia Saudita ao sul da Líbia, cobrindo todo o Egito,
que em épocas imemoriais já havia sido inundado. Extensas áreas desapareceram e outras
surgiram das entranhas da terra e do fundo dos mares.
Uma chuva ácida caiu em quase toda a superfície do planeta provocando mais mortes, não só
dos seres humanos, mas também destruindo boa parte do reino animal e vegetal.
? Nesse mesmo ano um misterioso planeta, denominado de intercatenário, porque se
localizava entre duas cadeias de evolu-
ção, até essa data invisível para os habitantes terrenos, apareceu